segunda-feira, 14 de maio de 2007

Por uma Nova Esquerda: Bruckner tenta "lift" de Sarko e outras histórias

O Libé e o Le Figaro continuam a terçar armas na guerra ideológica...
O politólogo Jacques Genereux, associado ao PS como Olivier Duhamel, por exemplo, considera que a derrota de Ségolène é muito " perturbadora". Pois, admite e sublinha, a direita tinha vindo a ser sancionada nos dois últimos anos. "A direita deveria ver-lhe assacado um balanço aflitivo em todos os tabuleiros. A candidata socialista tinha portanto a vantagem de ser a alternativa que podia incarnar a mudança e a rejeição de uma política de quebra-conquistas sociais amplamente contestada por todos os movimentos sociais", frisa, num texto que pode ler clicando aqui.
"Nicolas Sarkozy conseguiu manipular o sentimento de dignidade que confere aos humildes o sentimento de serem mais meritórios que os assistidos. Mas a sua grande força foi de combinar a ideologia (neo-liberal) com um discurso respondendo exactamente às expectativas dos trabalhadores exasperados pelos excessos e as insuficiências do capitalismo liberal: mostrou-se o defensor do poder de compra, e como o único líder ousando falar de novo de proteccionismo, e como o promotor de um Estado eficaz ao serviço do público ", adianta para retratar a campanha de Ségo deste modo: "Longe de reivindicar uma ideologia de esquerda tão determinada como a de Sarkozy, ela mostrou-se a reboque do seu rival não falando senão de ordem, do valor trabalho e da recusa da assistência parasitária ".
Pascal Bruckner, o genial ensaísta da Nova Desordem Amorosa, apoiou Sarkozy. Como o seu amigo Glucksman e o enfant-terrible mediático do mitterrandismo, Georges Marc-Benamou, o criador da famosa revista Globe dos tempos áureos do consulado do deus socialista super-vencedor. Ele tenta o impossível para recuperar Sarkozy, neste texto delirante que pode ler clicando aqui. E diz, entre muitas coisas siderantes, isto: "A sua vida privada de pai de família refeito, as suas desavenças conjugais e a sua relação descomplexada com o dinheiro são tiques tipicamente soixante-huitards. Enfim, sem a influência de Maio 68 e o seu espírito generoso, jamais os franceses teriam eleito um filho de emigrante, judeu e húngaro"... "Ao PS francês a coragem de saber se quer morrer, para melhor ressuscitar como a maioria das esquerdas europeias, ou afundar-se no culto dos pensamentos rígidos e mortos: nada de mais narcísico que a utopia quando ela prefere a secura da ideia à riqueza da realidade". Um bom debate, a ler todo...

FAR

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