domingo, 31 de julho de 2005

O dia em que tudo acaba e tudo começa

O CP encerrou, com a última edição esgotada.
Ironias do destino.
Mas a vida continua. E ao que parece a luta também.
Os jornalistas do CP estão agora na blogosfera, onde contam as estórias do outro lado do espelho. Neste caso as suas.

Eis alguns depoimentos:

"Continuamos agarrados, com trejeitos de masoquismo, ao cadáver ainda quente de O COMÉRCIO DO PORTO, qual viúva chorosa que encara o futuro com incerteza, embora perdure a sensação que o jornal ressuscitará e recuperará a sua pujança. Hoje, não matei o vício. Escrevo estas linhas como se de metadona se tratasse (...)" - Vítor Hugo Alvarenga

"Hoje não há jornal. É estranho entrar na redacção e não ter o COMÉRCIO para ler. Amanhã já é Agosto(...)" - BSoares.

"Foi com a dor lancinante da ausência que hoje, ao olhar para as bancas, dei pela falta do nosso jornal. (...) vivi a mais intensa experiência da minha vida na última semana: os dolorosos dias da incerteza, manifestamente dilacerantes para alguém que sonha viver a sua existência entre o bulício de uma redacção (todos sentimos cada momento na pele) (...)" - Sérgio.

"Apesar das minhas limitações, vou lutar até ao fim". Rui Reisinho

Dando um salto a www.ocomerciodoporto.blogspot.com ficará a saber mais.

Também pode deixar aquele abraço.

Os "Grand Funk" de passagem por Carcavelos


A famosa banda de white trash apanhada em flagrante delitro, num clube de ténis em Carcavelos. E estão bem conservados.
Várias fontes afirmam que escondiam uma garrafa de Laurentina, mas o manager garante que era tinto e não era Vinto.
Indagados sobre o porquê da sua presença no small green da linha, o líder do famoso grupo afirmou que estavam a fazer uma pesquisa sobre a brasilian young guard ( jovem guarda brasileira em português), que concentra naquela região grande número de admiradores por metro cúbico .
Mas, os Grand Funk continuam pouco sociáveis. Já nos anos 70 era a mesma coisa.
Ao fim de poucos minutos , quiseram agredir o fotógrafo.
Que teve de fugir. O seu seguro de saúde tinha sido cancelado pela entidade patronal.

Enfim, coisas de famosos.

Pensam que são o Sean Penn ou quê?

Quem tem medo do fim das férias judiciais?

A indignação no seio da magistratura continua.
Não admite ficar sem os 83 dias de férias por ano.
Os juízes garantem que praia só mesmo durante um mês. O resto é TDC, ou seja, trabalho de casa.
Não percebo a revolta do aparelho corporativo, até porque, se nos 83 dias de férias, tribunais e juízes não param de trabalhar, excepto no mês (+/-) a que têm direito, então tudo isto é apenas uma questão de regulamentação. De algo que na prática já existe. Apenas com uma diferença. Têm de abrir as portas das salas de audiência 30 dias mais cedo.
Por uma questão de moralidade (palavra estranha nos tempos que correm), deveriam ser os primeiros a querer acabar com um sistema que vem da Idade Média e que tem pouco a ver com os dias de hoje.
Na Áustria, por exemplo, as férias judiciais totais são inferiores a um mês.
Na Alemanha, Holanda,Finlândia e Suécia não há sequer férias judiciais.
No entanto, penso que a questão é outra.
Ao argumentarem que a magistratura representa um órgão de soberania, o que é verdade, esconde uma máxima estranha: “nós não somos iguais aos outros”.
Mas neste caso, também os deputados podem utilizar o mesmo argumento, em relação à alteração das reformas. E já agora, os próprios membros do governo podem contestar o fim de direitos adquiridos e legítimos. Com o fundamento que são os outros dois pilares onde assenta o sistema democrático.
Só nestes dois casos, o voto pode ser mesmo uma arma, com consequências políticas.
Como a magistratura está imune aos votos, considera-se intocável.
É uma corporação fechada, conservadora, acima de tudo e de todos.
Tal como Orwell dizia no Triunfo dos Porcos “somos todos iguais, mas há alguns mais iguais do que outros”.
O caos em que a justiça vive neste país é algo que nenhum órgão judiciário assume. A culpa é sempre dos outros. Mas, quando se tenta beliscar algum privilégio, o caso muda de figura.
Por isso, o espectáculo das alegações de inconstitucionalidade, recursos e a utilização de outros instrumentos afins, vai começar contra as novas normas aprovadas no Parlamento.
Só que, as férias judiciais não são uma conquista do PREC, são uma conquista do tempo das cruzadas.
Por isso, é tempo de mudar. É uma questão de justiça.

Tristeza - António Carlos Jobim, Luís Bonfa - tema do Orfeu Negro, de Marcel Camus

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"Em todas as ruas te encontro/ em todas as ruas te perco."



Foto de Francesca Pinna

sábado, 30 de julho de 2005

Marianne Faithfull


Era um pedaço de mau caminho nos anos 60, linda de morrer e com uma voz límpida e pura.
As pedras que encontrou a rolarem no seu percurso, criaram-lhe barreiras que conseguiu derrubar.
Felizmente.
A voz, a pose e a atitude mudaram.
Para melhor.
Está por cá para apresentar “Before The Poison”, um disco do ano passado, mas que passou despercebido a muito boa gente.
È um bom trabalho, que conta com a colaboração de Nick Cave, PJ Harvey e Damon Albarn.

A não perder hoje na Cidadela de Cascais.

Mais um golpe na imprensa portuguesa


São hoje colocadas à venda as últimas edições dos jornais O Comércio do Porto e A Capital.

Estes títulos, detidos pelos espanhóis da
Prensa Ibérica, vão colocar no desemprego 150 jornalistas.

O Comércio do Porto é o mais antigo jornal do Continente. E até tinha compradores interessados. A Finanzza Investments queria adquirir o jornal, e inclusive havia um acordo para que a publicação não fechasse. Mas o António Matos cortou-se.

A Capital, que sofreu recentemente melhorias nos conteúdos e layout, ainda aguarda por uma tábua de salvação. Chama-se LP-Brothers. Poderá chegar segunda-feira, no comboio da manhã. Com o verbo no futuro, os trabalhadores não ficam sossegados.

Foto de Francesca Pinna

Melancholy Man - Moody Blues

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"Vem noite antiquíssima..."


Foto de Francesca Pinna

Foto de Ivone Ralha

Vai-se acabar o período experimental!

Hoje chegou o António Oliveira. A Francesca Pinna já cá está. Os outros seguir-se-ão. Com algum atraso, o pessoal começa a comparecer. O André Carapinha postará, de regresso, o mais tardar, na segunda. Há comentários interessantíssimos. Isto está a compor-se. O Manifesto continua vivo!
;-)
"Meu sonho (o mais caro)
Seria, sem tema
Fazer-te um poema
Como um dia claro.
-
E vê-lo, fantástico
No papel pautado
Ser parte e teclado
Poético e plástico.
-
Com rima ou sem rima
Livre ou metrificado
- Contanto que exprima
O impropositado.
-
E que (o impossível
Talvez desejado)
Não fosse passível
De ser declamado.
-
Mas que o sonho fique
Na paz sine-die
Ça c'est la musique
Avant la poésie. "
*
Vinicius de Moraes

Se quer fugir ao calor, que tal ir para o "inverno" de Maputo?


«Sei muito bem que estou sozinho. Mas um homem não se rende.»

Manuel não está Alegre, e responde ao PS com um excerto de um livro de contos, que segundo ele, será publicado em breve.
Manuel escreve no Expresso desta semana coisas assim:
" Não sei ao certo em que guerra estou.
Todos os dias a esta hora, seis da tarde, começo a ser cercado por tropas que não vejo.
Sinto-as perto de mim, sei que estão à minha volta, mas não vejo ninguém.
Só os tiros, as rajadas, os «rockets». Por vezes pegam no megafone e dão-me ordem de rendição:
- Estás sozinho, dizem. És um soldado sozinho numa guerra que há muito está perdida(...)"

Esta pedra no sapato da dupla socrático-soarista, em forma de conto, conhecerá a luz do dia antes ou depois das presidenciais?
Manuel, cada vez menos alegre, acrescenta:
"Algures alguém me reabastece. Algures sabe que não me rendo"
Não sei porquê, veio-me à memória a campanha presidencial nos Estados Unidos quando Bruce Springsteen cantava na campanha de John Kerry:
"Well, we made a promise
we swore we'd always remember
No retreat, baby, no surrender
Like soldiers in the winter's night
With a vow to defend
No retreat, baby, no surrender"

É do conhecimento público o desfecho das presidenciais norte-americanas, e é do conhecimento privado como acabou esta campanha no interior do PS.
O novo programa "Soares é Fish", versão 23.05 já está na estrada em pré-campanha.
Mas Manuel Alegre revela que a verticalidade não se negoceia.
Só nos restam os poetas para mostrar aos vendilhões do templo que as árvores, se tiverem de morrer, só mesmo de pé.

terça-feira, 26 de julho de 2005

A vida de família - Alexandre O' Neil

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"Deus é gordo e apanha no cu"

Com um frade pela arreata, lembrei-me dos graffitti na igreja da Pç. de Londres, ou seria na paróquia de Alvalade? Como isto está tolerante! Agora até o padre Feytor Pinto é denunciado, como liberal, ao Santo Padre.

Os suspeitos do costume - Mind da Gap

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Fantasia liberal de Verão

Agora, em plena "silly season", com todo o mundo excitado com a candidatura de Mário Soares, eu gostava era de ir à tertúlia do " Café Guarany". E, sair de lá com uma moça que, no seu climax, me dissesse: Bem-te, bem-te!
Posto, em seguida, uma canção que alude a isso.

domingo, 24 de julho de 2005

Cucurucucu Paloma - Caetano Veloso - tema do Habla con Ella, de Almodovar

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Ilhas


Algures por aqui, nesta ilha fechada ao mar, tão diferente daquela em que nasci, passeia o meu coração vagabundo

Foto de Francesca Pinna

sábado, 23 de julho de 2005

Paula Rego - Dos anos 60 aos anos 90 4

Paula Rego - Dos anos 60 aos anos 90 3

Paula Rego - Dos anos 60 aos anos 90 2

Paula Rego - Dos anos 60 aos anos 90 1

De viagem


O autor destas linhas vai. Mas voltará. De férias parte para parte incógnita, portanto não aparecerá tanto por aqui, embora vá fazer um (pequeno) esforço para se manter on-line. A urgência da partida e os afazeres da viagem impediram-no de concretizar algumas ideias, como comentar este artigo do Blasfémias, ou o fantástico suícido da Esquerda em geral e do PS em particular (o autor espera estar enganado) a concretizar-se a candidatura de Alegre a Belém, ou falar de mais um ataque em Londres, ou disto ou daquilo ou de nada. Mas isso pouco importa perante o sol, a praia, esplanadas, a beleza da Vida numa tarde de verão. Até já.

Vuelve, Luisa! - Domingo Lopez


Cuando la mezcla de pastillas Vandral, Desenfriol y whisky The Guadalquivir River entró en ebullición en el estómago, estornudante y todo me fui arrastrando casi enterrable hacia el recibidor y manoteándolor, conseguí hacerme con el teléfono. Marqué entonces un número considerable y disparatado y probablemente desde el ano del mundo o desde el mismo infierno, respiroso, oí por el auricular una voz que no entendí lo que decía pero que por la entonación como ensoñadora supuse inmediatamente que preguntaba con amabilidad. No perdí el tiempo aúrico y diligente y feliz pregunté, claro, por ti. Dije ese nombre tuyo, tan posible, muchas veces. Incluso mencioné algunos apellidos que me inventé rápidamente, que casi despenzuñándose en mi auxilio se me acercaron al entendimiento. Rogué que te buscaran, que te trajeran de una vez a mi lado, conchabada incluso. Escuché con atención una vocalización suavita y como intrigada. Dije entonces atropelladamente que necesitaba verte, que tenía una muy perentoricante urgencia de ti, que las noches y los días se me iban personal e irremisiblemente al repateado carajo sin tu compañía, que ya no podía más con tu lamentable y estropeante ausencia. La voz, conjeturé de mujer, seguía su perorata extraña pero cálida y hasta tonificante. Aprovechando uno de sus silencios describí entonces a borbotones cómo eres, tal vez, tu ropa preferida, el pelo, la forma de mirar y sonreir y hasta apunté lúcido el nombre de tu muy posible y taimado perro. Y cuando tuve la certeza espantosa de que iban a colgar berreé como un poseso ¡¡HELP!! y entonces, sólo entonces, con el corazón ya estomagado pude oír, cariacontecido, cómo comenzaba aquella voz sinuosa a entonar una canción conocida, silbándola y cantándola después. No tenía ni la menor idea qué idioma hablaba la rubia puta, porque tenía que ser rubia, pero juro por mis amojamados muertos que estaba copleando una canción de los Beatles. Sobrecogido y jadeante esperé casi agazapado que terminara. Y cuando lo hizo pude oír de fondo algunas palmadas y carcajadas y lo que me pareció un contundente eructo. En ese momento la voz me decía dichosa, yes, yes, yes,... Escribo esto con el teléfono pegado con tesafí a la oreja y a toda la cabeza, importándome una fabulosa mierda la factura de Telefónica, oyéndolo todo, tosiendito y azorrado. Por el otro lado ha desfilado gente para contarme sus cosas o, quizás enneciados, para ornear un poco o insultarme, no sé, no entiendo nada. La rubia no ha vuelto a ponerse. Ya me da la impresión de que hablan varios a la vez y en muchos idiomas y risas. Es igual. De aquí no me moveré, es mi última esperanza. Esperaré cagado y todo que lo mismo, quién sabe, el mundo no tiene que ser tan grande, me vuelva loco por fin cuando en este o en cualquier otro número al azar oiga otra voz y otra y otra y tal vez a la que hace mil dos o seiscientas quince oiga infartantemente tu voz y la reconozca milagrosamente y por lo tanto acierte, es decir, que supuestamente te toque a tí, te pongas tú en el aparato, amor mío.

sexta-feira, 22 de julho de 2005

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Umbiguismo

O ministro Campos e Cunha demite-se, Freitas do Amaral insinua-se candidato a Belém, rebentam mais bombas em Londres, o mundo girou mais um dia, e o que é que um gajo se lembra de escrever neste blogue? De dar as boas vindas ao Fernando Rebelo, à Ivone Ralha e ao José Carlos Mexia, bem como de anunciar que um dos nossos antigos colaboradores que ainda não escreveu nada se chama agora Luis Palácios (o antigo nome passou a ser proibído por estas bandas, sob pena de qualquer coisa de muito má, afinal o homem mudou de nome para escrever à vontade acerca da sua Faculdade).
Ok, também é porque um gajo não tem tempo, está muito ocupado com discussões teóricas. Mas amanhã há mais. Prepara-te, Freitas, justice is on it's way!
Foto de Ivone Ralha

Novidades:

A partir de hoje vamos ser mais.
Entram a postar o José Pinto Sá, o Fernando Rebelo e o Pita.
A Ivone Ralha e o José Carlos Mexia vão fornecer as fotos.
Amigos polifacetados, com talentos vários, como irão descobrir.
Este lugar, marcado pela filosofia epicurista, "a amizade é o que nos torna iguais aos deuses", cuidará dos prazeres em repouso, e, dos prazeres em movimento. Que o Manifesto se cumpra!

quarta-feira, 20 de julho de 2005

"Eu vou morrer na cantina com um copo de vinho na mão/ o vinho é a minha mortalha/ e o copo o meu caixão"

Foto de Ivone Ralha

Burro Velho não aprende línguas!

Hoje tentei, sem a ajuda do André, postar directamente. Consegui. Mas a coisa correu mal. Para a próxima sairá bem. Para vos compensar anuncio, em primeira mão, a chegada de novos reforços. Fiquei esgotado. Amanhã conto mais.

terça-feira, 19 de julho de 2005

Classe média

Tenho um colega de trabalho que pertence ao tipo de gente a que só se pode chamar "classe média"; vive como a classe média e pensa como a classe média. As suas opiniões e hábitos são muito interessantes para se perceber como pensa a classe média. Aqui vão alguns exemplos: como não reconhece o outro e vive no medo permanente típico da classe média, é a favor da pena de morte. Utiliza aquele argumento "e se matassem a tua mãe?". Quando lhe replico "e se fosse a tua mãe a assassina" diz que "isso é impossível". Claro. Como o seu sonho é ser rico e detesta admitir que é pobre, é contra todo o tipo de greves ("trabalhem para subir na vida") e lambe as botas dos patrões enquanto é explorado e abusado, muito mais do que eu (os patrões não são parvos). Vive pelo e para o hedonismo, mas frustrado, porque não pode ter o que quer: vai arriscar parvamente a vida para corridas na ponte Vasco da Gama com o seu Clio alterado, mas é comido pelos que tem BMWs e afins; passa as noites agarrado ao PC e a jogos on-line, mas como não tem o dinheiro suficiente para comprar motherboards, CPUs e etc. e pagar ligações com velocidade em condições, perde. Quando sai à noite vai para os sitios fashion tentar engatar gajas, mas poucas vezes consegue, por duas razões: só quer aquelas que são demasiado boas para ele (como classe média sonha exibir uma dessas bombas), e quando consegue alguma facilmente perde a paciência, porque ela também é da classe média e ele não tem tempo para essa gente: ele é um homem em ascenção. Muito interessante é a sua opinião sobre as relações sociais em geral, e a pobreza em particular: acha que ninguém quer trabalhar e que deviam ser todos obrigados a fazê-lo, mas o seu sonho é ficar rico e não ter de trabalhar. E muitas outras coisas interessantes eu aprendo com o meu amigo da classe média sobre o que é a classe média.
Pois é. O pior é que como este meu colega são a maior parte dos meus colegas. Ou não fosse eu da classe média.

Por estas e por outras

O sr. Rui Rio, presidente da câmara do Porto, despejou dezenas de pessoas, na sua maioria de etnia cigana, de vários bairros sociais recorrendo a uma lei de 1945 (de Salazar, portanto), que prevê, designadamente, que a concessão das casas seja condicionada "ao comportamento moral e civil dos pretendentes", e que possam ser desalojados os que "se tornem indignos do direito de ocupação que lhes foi concedido" se "pelo seu comportamento provoquem escândalo público" (notícia do PÚBLICO de hoje, entre outras, infelizmente não estão on-line, como se sabe). Perguntariamos, se não fosse tão óbvia a resposta, quem determina o correcto "comportamento moral e civil" e quem fica "escandalizado" com ele. Infelizmente já sabemos: o próprio sr. Rui Rio. Considerações de carácter à parte, e ressalvando que o Tribunal Administativo do Porto já considerou esta acção como "desvio de poder" (o que é pena é que as famílias já foram para a rua há muito tempo), o que ressalva é que um presidente de câmara, ainda por cima da segunda cidade do país, que se quer moderna e aberta, devia por sua própria iniciativa recusar este vergonhoso estratagema legal que é utilizar uma lei de Salazar evidentemente ofensiva da liberdade moral e de costumes que é protegida pela Constituição. João Teixeira Lopes do BE diz, e bem, que Rio "tem uma estratégia de expulsão a prazo dos pobres da cidade". Será isto a grande política de direita, criar cidades de Potemkin onde tudo o que não se quer ver seja escondido, apagado, e por fim esquecido? Ou será apenas o futuro?
Aqui em Lisboa tivemos aquela coisa chamada "manifestação contra a criminalidade" onde os (poucos, felizmente) nazis foram autorizados pelo Governo Civil de Lisboa a partir do Martim Moniz, num acto de evidente rasteira provocação, baseado num relatório do SIS que dizia que o percurso da manifestação "não oferecia perigos de maior para a segurança". Mas nesse mesmo dia o Presidente Sampaio fez o que tinha a fazer: foi à Cova da Moura participar nas festas do Kola San Jon e mostrar claramente qual a sua posição. Fui e sou crítico de muitas posições de Sampaio, mas esta atitude, e outras do mesmo género, mostram a diferença de ter um presidente de esquerda ou de direita. É por estas e por outras que me revolta a indiferença, resignação, e até um certo interesse do PS quanto à suposta inevitabilidade da eleição de Cavaco.

segunda-feira, 18 de julho de 2005

África Festival


Começa dia 20 o África Festival, uma organização das Festas de Lisboa 2005, EGEAC e Livraria Mabooki. Num blogue com tanta presença africana não podiamos deixar de destacar este evento, que começa com um encontro de escritores subordinado ao tema "O Tigre não precisa de demonstrar a sua tigreza" (citação de Wole Soyinka). Participação de Luís Carlos Patraquim, Arlindo Barbeitos, Maria Alexandra Dáskalos, Luís Hopffer de Almada e Bahassan Adamodjy, e moderação de Pedro Rosa Mendes. É no dia 20 às 17h no Jardim de Inverno do Teatro de S. Luiz, e se estiverem interessados em participar a organização agradece a confirmação antecipada para os nºs 213422441 ou 933463952. A destacar também a exposição de Luisa Queirós "História das Ilhas" na Livraria Mabooki (R. João Pereira da Rosa nº 8, junto ao Conservatório no Bairro Alto) que decorre de 20 a 30 de Julho. Prato forte é o excelente naipe de concertos marcado para o Anfiteatro Keil do Amaral em Monsanto (o autor destas linhas já trabalhou no Keil do Amaral e aconselha o uso de agasalho, por mais calor que esteja cá em baixo), uma selecção de elogiar por integrar tão bem a tradição e a modernidade na sempre efervescente música africana; nada menos de Manecas Costa e Zap Mama na 5ª dia 21, Mabulu e Ali Farka Touré com Toumani Diabaté como convidado na 6ª dia 22 (este é completamente imperdível), Waldemar Bastos e Ray Lema com Chico César no Sábado dia 23 e um encerramento à grande e à cabo-verdiana com Lura (a nova diva da morna) e o eterno Tito Paris acompanhado por uma orquestra de câmara no Domingo dia 24. Também teremos exposições de Francisco Xavier Menezes (Casa da Morna) e Travel, uma colectiva na Plataforma Revólver. A não perder.

Musas 2

E agora a tradução para italiano de Francesca Pinna:

E alle volte le notti durano mesi
E alle volte i mesi oceani
E alle volte le braccia che stringia
monon sono mai le stesse. E alle volte
*
incontriamo di noi in pochi mesi
quello che la notte ci fece in molti anni
E alle volte fingiamo che ricordiamo
E alle volte ricordiamo che alle volte
*
al prendere il sapore agli oceani
solo la patina delle notti, non dei mesi
la nel fondo dei bicchieri incontriamo
*
E alle volte sorridiamo o piangiamo
E alle volte, alle volte ah alle volte
in un secondo svaniscono tanti anni.
*
Armando Rocheteau

Musas

Eu gosto de mulheres. Não gosto de bombas. Gosto de gente, as andróides não me dizem nada. No cinema, para dar um exemplo, acho a Isabella Rosselini, no Blue Velvet, uma mulher lindíssima. Vale, para mim, 20 Tomb Raiders. Fantasmas, cada um escolhe os seus.
Entre as musas a minha preferência vai toda para quem, sendo muito bonita, recebe um poema na minha língua e o traduz na sua.

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

(David Mourão-Ferreira)

Armando Rocheteau

domingo, 17 de julho de 2005

Rugas, já começam a ter as primeiras rugas...

...Jim Black, Frank Moebius e CARLOS BICA. Ficam-lhes bem.
(Esta sexta no Hot. O concerto do ano).
Um dia quando descobrirmos os segredos da quarta dimensão poderemos pôr links para o concerto de ontem e num clique transportarmo-nos . Até lá escrevemos, fascistas do Jazz como habitual no Hot, mas esse trio, esse trio é O trio. Aquilo não é Jazz, é MÚSICA!
(J.C., aguardamos reacções).

A frase do ano

E agora algo completamente diferente...

FUNERAL DE UM LAVRADOR

Esta cova em que estás com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho nem largo nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio
Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida
É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estás mais ancho que estavas no mundo
É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo te sentirás largo
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas a terra dada, não se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho que estavas no mundo

(João Cabral de Melo Neto, musicado por Chico Buarque)

Manifesto bombástico

Estamos a inaugurar uma nova fase no nosso 2+2=5: a fase bombástica. Agora que conseguimos entrar dentro dos vossos PCs e fazer parte da vossa lista de favoritos, agora que ganhámos o mais importante de vós, a vossa confiança, agora vamos revelar o objectivo primeiro e sempre escondido desta publicação: nós somos pelas bombas.

sábado, 16 de julho de 2005

Este homem é que é uma bomba!

José Pacheco Pereira fez-nos o obséquio de publicar no seu blogue, o Abrupto, o inclassificável e inenarrável texto que escreveu para o PÚBLICO, "Algures Perto de Sí". O homem diz que vai ter a coisa pouco tempo on-line, não sei se por ter vergonha do que escreveu, por isso vale a pena lá ir ver. Este texto já foi muito discutido, pela blogosfera e não só, portanto vou apenas dar uma achega. É que aprendi com JPP que o melhor da nossa tradição, europeia, ocidental, não é, como eu pensava, a liberdade, a democracia ou a Declaração dos Direitos do Homem. Afinal, o que temos de melhor é a maneira como fazemos a guerra: de frente e para a frente, como (JPP dixit) quando massacrámos os Zulos de forma muito leal e nobre: ao tiro de canhão contra as perigosas lanças e zagaias dos ditos. «Combate duro, directo, na primeira linha, frontal com o inimigo.» Brilhante, JPP, imagino que se aliste imediatamente, como soldado ponta-de-lança com o nº 9 nas costas, ou estará a pensar mais num lugar de treinador de bancada sentado num gabinete a mover exércitos que não existem, agora que sabemos que também acha útil «metermo-nos na cabeça de Hitler»?

Mentes brilhantes

Profs de Matemática: Parabéns.

A M.E., Maria de Lurdes Rodrigues, atribui “aos problemas de ensino e aprendizagem” os mais que medíocres resultados obtidos pelos estudantes, na disciplina de Matemática, nos exames nacionais do 9º ano.
Pedro Rolo Duarte, no DN, indigna-se com os resultados obtidos. Acusa o sistema de facilitismo. Ele que é um lutador e um vencedor. Alguém que até numa adversidade reage, como todo o bom intelectual, pela escrita. E, não é apenas com artigos no DN. O homem publica um livro. Babo-me de admiração.
No Abrupto e no Blasfémias também reina a preocupação com o desempenho dos nossos estudantes.
O Instituto da Inteligência (belo nome) declara que: “a maior ou menor habilidade para os algarismos e o cálculo … devem-se a estruturas que dependem de factores genéticos e hereditários”. Espantoso!
Eu tenho uma explicação mais simples. O problema está no espírito liberal dos profs de Matemática. Contra o marasmo nacional esse grupo, com grandes empreendedores, lançou-se na indústria das explicações. Aluno sem explicador dificilmente passa. O prof não ensina porque não quer. O explicador ensina. Grande parte do insucesso escolar é gerado por estes senhores há muito tempo a tratar da vidinha. Por esta razão a mais racional das disciplinas tornou-se, para os estudantes, uma coisa obscura.
Há outros factores, como os apontados pelo presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, no J.N, e haverá ainda outros. A mim apeteceu-me falar de uma indústria que vive na economia paralela. Para os sábios do Instituto da Inteligência tudo se explicará pelo património genético dos profs de Matemática. Espertalhões!
Armando Rocheteau

terça-feira, 12 de julho de 2005

A medida

A Al-Qaeda matou x em Londres. No dia seguinte a Al-Qaeda matou y no Iraque. Nesse mesmo dia o exército americano matou z também no Iraque. Nesses e noutros dias milhares morreram no Terceiro Mundo vitimas das bombas, das minas, da tortura, da fome, da exclusão. Também aqui no nosso mundo outros morreram, muita gente morreu a mais por muitas razões. Mas a nós só nos interessam os nossos mortos, tanto no sentido lato do termo- aqueles que nos estão próximos pela família, pela proximidade de afectos ou geografia, pela nacionalidade- como no sentido amplo- aqueles que nos são efectivamente representados como mortos, aqueles que o poder imenso dos Media nos apresenta, criando uma nebulosa sobre todas as outras tragédias deste mundo. Quem pensar que não existe uma agenda, mesmo inconsciente, por trás desta selecção de tragédias, que me explique como e porquê. Por mim o que vejo é que estamos cada vez mais perto e cada vez mais longe de tudo, mas que, ontem como hoje, a medida da barbárie é o relativismo quanto aos mortos.

Dedicado ao prof. César das Neves e aos profs. de Português

Tudo gente do Ranking!

O Álvaro gosta muito

O Álvaro gosta muito de levar no cu
O Alberto nem por isso
O Ricardo dá-lhe mais para ir
O Fernando emociona-se e não consegue acabar.

O Campos
Em podendo fazia-o mais de uma vez por dia
Ficavam-lhe os olhos brancos
E não falava, mordia. O Alberto
É mais por causa da fotografia
Das árvores altas nos montes perto
Quando passam rapazes
O que nem sempre sucedia.

O Fernando o seu maior desejo desde adulto
(Mas já na tenra idade lhe provia)
Era ver os hètèros a foder uns com os outros
Pela seguinte ordem e teoria:
O Ricardo no chão, debaixo de todos (era molengão
Em não se tratando de anacreônticas) introduzia-
-Se no Alberto até à base
E com algum incómodo o Alberto erguia
[...]

Mário Cesariny, O virgem negra Porto de Abrigo

Armando Rocheteau

segunda-feira, 11 de julho de 2005

Um hino ao 25 de Abril

Adília, que saudades do Reich!
Eu quero foder foder
achadamente
se esta revolução
não me deixa
foder até morrer
é porque
não é revolução
nenhuma
a revolução
não se faz
nas praças
nem nos palácios
(essa é a revolução
dos fariseus)
a revolução
faz-se na casa de banho
da casa
da escola
do trabalho
a relação entre
as pessoas
deve ser uma troca
hoje é uma relação
de poder
(mesmo no foder)
a ceifeira ceifa
contente
ceifa nos tempos livres
(semana de 24 x 7 horas já!)
a gestora avalia
a empresa
pela casa de banho
e canta
contente
porque há alegria
no trabalho
o choro da bebé
não impede a mãe
de se vir
a galinha brinca
com a raposa
eu tenho o direito
de estar triste
Adília Lopes, in Obra, Mariposa Azul, Dezembro
Armando Rocheteau

Armando e as torres


Em 1976 já sabia, com ajuda de Dostoievski e da experiência de Moçambique, que quando “chegam mujiques; trazem seus machados. Vão acontecer coisas terríveis…”. O meu enorme obrigado a Mário Soares pelo seu papel na História. Na minha história. Happy end? “A luta continua!”
Em 1976, já que estamos nessa, sonhava com uma nova ordem mundial. No lugar certo.
Armando Rocheteau

domingo, 10 de julho de 2005

Obrigado, Jeffrey!

Confesso que embirro com vegetarianos. Aliás, embirro com vegetarianos "militantes". Não que não ache que a dieta vegetariana é saudável desde que bem doseada, que é bastante mais saudável que a minha própria dieta, que se calhar é a dieta mais saudável. O que sempre me fez espécie é aquela espécie de "vegetarianos revolucionários" que acham que por não comerem carne estão a praticar a revolução, estão até a fazer a maior de todas as revoluções. Porque as pecuárias dão cabo do ambiente, porque estão a destruir a Amazónia, etc. etc. indo ao ponto hilariante de defenderem com unhas e dentes que se todos nos tornassemos vegetarianos acabaria a fome no mundo (como se fosse essa a razão de haver fome no mundo). Pois na revista Pública de hoje (não disponível on-line, como se sabe), Jeffrey Sachs, um geniozinho de Harvard considerado um dos cem homens mais influentes do mundo pela Forbes, vem revelar que afinal um dos principais motivos para a desflorestação amazónica é... A cultura de soja! Isto para mim é uma pequena vingança envenenada, uma daquelas coisas sobre as quais sabemos que não nos deviamos rir por dentro, mas que não dá hipóteses. É uma vitória pessoal depois de horas e horas de discussões estéreis.
P.S. Não misturar isto com as horríveis condições em que se criam os animais de pecuária e as aves, que considero um dos maiores crimes contra a humanidade, repito, contra a humanidade, que se vão praticando impunemente.

Lição de Londres

«Hoje em dia, os acontecimentos que ocorrem lá longe, em Cartum ou Kandahar, tem um impacto directo sobre nós (...) Deixou de haver politica externa. Talvez seja esta a lição mais profunda a retirar do ataque de Londres»

Timothy Garton Ash in PÚBLICO de hoje.

sábado, 9 de julho de 2005

Porra! Isto começa com uma barnabice

O André, na apresentação do nosso blogue, diz que sou um moçambicano convicto que foi fodido pela Frelimo. Vou ter que o desmentir, mesmo sabendo que ele assim me vê.
Nunca fui fodido pela Frelimo. É verdade que tenho amigos que o foram. Lembro-me, entre outros, do Faustino. O José Pinto Sá escreveu sobre isso na Pública. Não estaria cá, provavelmente, sem a Frelimo. Não me apetece, no entanto, dizer: Obrigado Frelimo. Mas, estou cá aclimatado. Os ares são bons. Tenho mesmo de dizer: obrigado Frelimo.
Só sou moçambicano porque, tendo vivido em Moçambique dos 4 aos 23 anos, guardei, em mim, a poesia do lugar, através da voz dos seus poetas. Assim, quando me perco numa mulher bonita, digo com o R. Nogar: “teus olhos são suruma”. Quando falo de política digo com o R. Knopfli: “Cago na juventude e na contestação …Gosto de minorias, de poucos. De um só se necessário for. I’m realy the underground.”. Quando escrevo aqui é o R. Ferreira : “mínimo sou, mas quando ao nada empresto a minha elementar realidade, o nada é só o resto”, que me incentiva. Moçambicano serei, mas convicto?
E já agora peço, publicamente, aproveitando o ensejo, ao André, o meu administrador do blogue, que me permita dar-vos música, para além dos textos. É aqui o meu combate. Dois mais dois são cinco!
Armando Rocheteau

sexta-feira, 8 de julho de 2005

Why London?

No meio dos habituais e óbvios berros de indignação sobre o ataque de ontem em Londres ("filhos da puta" é a palavra de ordem, p. ex. aqui ou aqui), espera-se ansiosamente pelos argumentos costumeiros: "os terroristas não são humanos"; "odeiam as nossas liberdades e o nosso modo de vida"; "matam inocentes", etc. etc. Vai-lhes, como sempre, escapar o fundo da questão. Como explica o ex-agente da CIA Michael Scheuer numa excelente entrevista na VISÂO de 30 de Junho (infelizmente não está disponível on-line), a Al-Qaeda e Bin Laden não nos atacam por questões culturais, por não gostarem de nós, por serem contra os valores ocidentais, ou simplesmente por serem maus. Atacam-nos por três razões: Israel, Arábia Saudita e Iraque. Concretamente, pela presença do "Infiél" nos lugares santos desses países. Se são relativamente populares no mundo islâmico, não é por qualquer deformação cultural dos Árabes, é pela humilhação que representa essa presença e pela perfeita noção que têm da rapina que se abate sobre os seus países. Quanto ao espantoso argumento dos civís inocentes pergunto apenas: quantos Londres seriam precisos para o número de mortos civís no Iraque? Dez? Cem? Mil?
Enquanto não se for ao fundo da questão, enquanto os europeus e americanos não perguntarem aos seus governos se todo o petróleo do Mundo vale Nova Iorque, Madrid e Londres, vão sobrar apenas bombas um pouco por toda a parte, e consciencias muito tranquilas, e "filhos da puta".

quinta-feira, 7 de julho de 2005

Acordado a esta hora?!!!

...Por culpa do Java, mas não só. Enquanto se esperam os primeiros contributos dos outros membros que se deitam a horas decentes, uma espreitadela na melhor novidade da blogosfera recente.

É preciso avançar, camaradas, é preciso...

Após uma noite a descobrir os segredos do Java (Java prá Laura, como dizia o outro...), chegou-se a isto, que é o 2+2=5 neste momento. A aparência deste blogue vai, como é óbvio, mudar bastante nos próximos tempos, à medida que formos aprofundando os conhecimentos sobre estes obscuros meandros. Para já, o melhor pareceu mesmo avançar, e melhorar à medida que (espera-se) a coisa tome forma...

2+2=5

Este é um blogue. Este é um blogue de esquerdalhos, mas não é o Blogue de Esquerda. Este é o blogue do André, do Armando, do João e do Luis, e há-de ser de mais gente. Passando às apresentações: o André (embora não goste de falar de si próprio) é da esquerda libertária, considerando-se muito prosaicamente um "anarquista responsável", o que quer que isto signifique- neste caso significa que é um meio doido que acha possível conciliar a Utopia com o realismo. O Armando é um livre pensador próximo do PS, moçambicano convicto que foi fodido pela FRELIMO, eterno Don Juan fanático pelo Vinho e pelas Coisas, e é um homem de coragem. O João é o grande pensador do Cais do Sodré e de outras partes, comunista radical pragmático (o que quer que isto signifique), matemático, filósofo, engenheiro, antropólogo, politólogo, enfim, para ser o Da Vinci só lhe falta ser artista. O Luis é um quase BE e um grande amigo, economista e matemático, infelizmente demasiado ocupado para blogar regularmente.
O nosso blogue chama-se 2+2=5. Amen.