quinta-feira, 3 de maio de 2007

Presidenciais Francesas: "Sarkozy não perdeu, mas Ségolène Royal ganhou"

O magnífico editorial de Laurent Joffrin, director do Libération, que pode ler, clicando aqui. A candidata esteve muito bem ao ataque. Remeteu Sarkozy para a defesa de um liberalismo pacóvio e revelou a má preparação técnico-humanista do "diabo" da nova direita francesa face aos dossiers cruciais das Reformas, do Ensino e das Energias renováveis...

" Nicolas Sarkozy não perdeu. Mas Ségolène Royal ganhou.

" Porquê esta asserção tão lapidar? Porque neste debate feito de paixão fria e agressividade emboscada, a candidata socialista venceu num ponto essencial: a legitimidade. Forte dos 26 por cento de votos da primeira volta - quase tanto como Mitterrand em 1981 e de sondagens fabulosas que a colocam quase à par de Nicolas Sarkozy - isto é, com o apoio de metade da França , ela demonstrou serem inconsequentes as dúvidas da opinião pública: é perfeitamente capaz de ser Presidente da República. Pelo menos, em todos os casos de figura, tanto como Sarkozy, que ela atacou e perturbou durante mais de duas horas, ele que ameaçava reduzi-la a quase nada. Determinada, precisa, dura no contra-ataque apesar de alguns erros e do abuso do exemplo simplista, ela abalou o favorito da competição. Sarkozy esteve mal? Claro que não, pelo contrário. Mas com toda a sua vontade, a sua preparação e a vantagem que lhe conferem os 31 por cento dos votos reunidos da primeira volta, o líder imperial da direita não conseguiu dominar a sua rival. O que é que ela deve ainda provar?

" Daí que, o debate de fundo volte a tornar-se omnipresente Os dois protagonistas forneceram-nos uma versão límpida. Um liberalismo à francesa, para um, o socialismo à europeia para ela. Uma adaptação da França à Mundialização, por um lado, embrulhada por um voluntarismo enganador; e a recusa da normalização, preconizada por ela, enquadrada numa perspectiva realista de bom tom.

" Em princípio, a opção deveria ser simples para um povo que não gosta de se curvar perante as forças do mercado. Mas não nos esqueçamos que em política as circunstâncias são implacáveis. Nicolas Sarkosy não perdeu verdadeiramente. Pode portanto conservar a sua vantagem. Era o seu único propósito nesta prova difícil do face a face. À entrada da recta final, ele guarda ainda o comando. Existe só um problema para ele: Ségolène Royal começou ontem a recuperar do atraso ".


FAR

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