domingo, 13 de maio de 2007

Da capital do Império

Olá!

Agora que o Tony Blá Blá se decidiu ir embora creio que é tempo de vos lembrar para o saudarem como um dos maiores dirigentes europeus dos últimos tempos.
Falo, claro está do Blair, cuja única faceta que inicialmente me impressionou foi a sua eloquência na Câmara dos Comuns. Cada vez que eu ligava a televisão e o via a falar eu fazia claque afirmando: Blá, Blá, Blá…
Estava enganado. Os 10 anos de Tony Blair revolucionaram a cena política na Grã-Bretanha e a posição deste país no mundo.
Comecemos pela economia cujo crescimentos nos últimos 10 anos é verdadeiramente estonteante. Na última década a Grã-Bretanha teve o maior nível de crescimento económico de qualquer país do G-8 (excluindo os States). Passou da sexta economia do mundo para a quarta maior do mundo.
Em termos económicos a Grã-Bretanha está hoje entrincheirada de modo firme e insuperável à frente da França e da Itália. A Grã-Bretanha mudou a sua economia de uma base industrial para uma economia de serviços de produtos de grande valor. Nos próximos anos Londres poderá ultrapassar Nova Iorque como o centro financeiro do mundo. (Como diriam os franceses: U lá lá)
Mas não há que analisar números para o verificar. Basta ir a Calais onde centenas e centenas de imigrantes ilegais vindos de toda a parte do mundo se amontoam para tentarem entrar na Grã-Bretanha. De tal modo que os franceses inicialmente construíram um campo para os acomodar., acabando depois de o eliminar devido aos protestos ingleses. Os imigrantes ainda lá chegam à procura de boleia para o sonho inglês que preferem aos croissants, aos bem-falantes intellectuels do Liberation e Le Monde e ao “chomage, banlieu e welfare” français.
Lembro-me que quando há alguns anos atrás começaram a surgir noticias dos imigras a fazerem fila para entrarem na Inglaterra, um jornalista amigo todo francófilo perguntou indignado: “mas porque é que esses gajos querem ir para a terra dos bifes?”. É o tipo de pergunta que políticos como a Segogaffe EGO-lene Royal continuam a fazer e cuja resposta é fácil de encontrar: basta atravessar o canal e perguntar às centenas de milhar de jovens franceses que emigraram na última década porque é que decidiram emigrar para a (quel horreur!) Inglaterra. Ou então tentar perceber porque é que Londres é hoje a terceira cidade francesa. O Sarkozi foi lá falar com eles. A Segogaffe EGO-lene não foi. O Sarkozi veio aos States falar com o crescente número de jovens franceses acabados de sair das faculdades de economia de França que cada vez vez mais populam os grandes centros financeiros americanos. A EGO-lene não veio
Imagino que muitos podem afirmar que o Tony se limitou a a imitar a Margaret Thatcher, a “Dama de Ferro” que acabou com aquele sentimento de declínio inevitável que envolvia a Grã-Bretanha dos anos 60 e início dos anos 70. Mais ou menos a mesma coisa que se sente hoje em França mas sem o charme francês. Na altura a Grã-Bretanha marchava a grande velocidade para a catástrofe económica e Thatcher “virou” o país perante as vaias dos sindicatos de esquerda mas com o apoio do eleitorado
Ao contrario de muitos na esquerda que se recusam a ver as realidades ( a la SEGOgaffe) e por isso continuam a perder o Tony apercebeu-se disso. Hoje na Grã-Bretanha a palavra “socialismo” é raramente usada e quando o é nota-se uma falta de sinceridade que me faz corar. Blair, no dizer de um amigo inglês, “curou os Trabalhistas da maldição dos dogmas socialistas, daqueles que estavam viciados na pureza de causas perdidas”. Talvez o sucessor da Segogaffe tenha que fazer isso para tornar a esquerda francesa novamente viável….
Se Thatcher teve que ser confrontante e “de ferro” para mudar o país, Tony Blair teve 10 anos de poder marcados notavelmente pela ausência de grandes conflitos … e os britânicos vivem hoje muito melhor do que há 10 anos atrás. Poder-se-á talvez acusar Blair de ter acabado com as divisões partidárias, substituindo a fé nos princípios políticos pela conveniência, oportunidade e interesse próprio partidário. Mas face ao colapso e desacreditação do socialismo através do mundo Blair apercebeu-se que a legitimidade do capitalismo vem do falhanço de todas as alternativas, não da sua falta de contradições internas e/ou insuficiências. Apresentou pois um esquema para governar por consenso que tirou o vento às velas dos conservadores. Com sucesso sem paralelo. Politica, económica e socialmente deixou para traz Thatcher.
O seu sucesso não foi só a nível interno. Culturalmente e como sempre se passa quando há poder económico as universidades inglesas estão hoje com pedidos de matriculas vindos do estrangeiro sem precedentes. O inglês é hoje língua universal. O cinema inglês está hoje de novo “on top of the world”. Até no futebol a globalização abraçada pelo Tony esta a ter sucesso para a Inglaterra. ( Manchester United, Chelsea, Liverpool reflectem essa globalização)
A nível de política externa o mesmo se passa. A Grã-Bretanha tem hoje maior influencia e maior presença no mundo do que qualquer outro pais europeu ( e aqui incluo a Rússia, a que eu prefiro chamar de “Nigéria com mísseis nucleares”).
Com tropas na Serra Leoa (onde pôs termo sozinha a uma guerra civil de barbaridade inacreditável), Kosovo, Afeganistão e Iraque a Grã-Bretanha projecta hoje influencia que Paris, Bona e mesmo Tóquio não têm Em qualquer parte do mundo hoje quando Londres fala escuta-se. Quando Paris ou Bona falam … vai-se tomar um café em conjunto para discutir o assunto e tal e coisa, pois é mas também, claro está e coisa e tal tudo culpa dos americanos e do Blair, uma chatice….
A Grã-Bretanha é hoje mais e melhor do que era há 10 anos atrás. O que é bom. Para a Europa também. Por isso não se esqueçam e mandar um e-mail a 10 Downing Street: Merci Tony. ( Oficialmente em teoria o francês ainda é a língua diplomática).

Da Capital do Império,

Jota Esse Erre

PS - e falando de línguas. Vocês viram como o Tony fez uma mensagem em Francês dirigida ao povo francês após a vitória do Sarko? Comparem isso com a decisão do Chirac abandonar há uns meses atrás uma conferência económica quando um empresário francês decidiu falar em inglês…Inseguranças, suponho.

7 comentários:

Anónimo disse...

O JSR é um atlantistavisceral. O Tony deixou a economia com um deficite comercial( import/export) colossal...Recuperou o S.N.de Saúde. Do mal,o menos. O resto é pura( e divertida) chicana política...FAR

Herodes disse...

Está um verdadeiro matreco...quando vem de férias à Europa traz o seu fatinho verde alface!
Tem muitas saudades do Kaulza?
Não se esqueça do poema do «vellho Hérodes»

Armando Rocheteau disse...

Posso assegurar que não tem saudades do Kaulza.
Foi dos portugueses que disse não e foi para a Dinamarca.
O fatinho verde alface vou eu usá-lo com o Sporting campeão.
E para não fugir à poesia, embora não rime, o fodido é o Herodes.

Anónimo disse...

Atlantistavisceral? no limite do xenófobo..Uma francesinha deixou-o de rastos ? Ficou traumatizado ? Não se preocupe...o tempo sara tudo...Vamos esperando que isso lhe passe...

Anónimo disse...

Vamos a coisas mais interessantes: Continuo à espera da crónica sobre a entrada em Kampala, mas a verdadeira... Sugiro tambem que vás ao Reino Unido saber como são tratados os tais emigrantes atraídos pelo "milagre" Blair...

Herodes disse...

Saudações pelo seu optimismo relativamente ao SCP, no entanto no meio da alface leve um chourição...
Quanto ao resto: «águas passadas não movem moinhos» e entretanto as pessoas mudaram muito, algumas demasiado...é o cagaço!
Não é fácil foder o velho Herodes

São Galvão - 1º Santo brasileiro disse...

Santa, não sou como tu, mas estou contigo. A realidade é demasiado dura para a vivermos sem fé. É preciso acreditar em qualquer coisa e batermo-nos por ela. Seja na supremacia da raça anglo-americana, seja na superioridade do Sporting, seja na mais valia do Licor Beirão, o que é preciso é fé, muita fé.