quarta-feira, 23 de maio de 2007

Charrua em campos de pedra

Vejo-me forçado a postar pela força dos acontecimentos. Mesmo com um título sacado ao sr. José Manuel Mendes.
Foi o que me ocorreu. Obrigado, dr. José Manuel Mendes.
É o país que temos, amigos meus.
Um Ministro a proferir um conjunto de disparates sem especificar que não serão tão disparates se lhe for dada a oportunidade de desmentir os disparates que, entretanto, proferira.
Um 1º Ministro embaraçado com o "excesso de zelo" de uma funcionária superior que ouve uma delação e logo delibera só para mostrar serviço.
O professor que, afinal, não era professor: foi deputado, foi requisitado à DREN e agora está de serviço a uma biblioteca de uma escola do Porto. Este professor que, afinal se revela um tipo bem disposto e com tempo para gerar piadas acerca do assunto que tem a ver com o nosso 1º Ministro, e que, bem vistas as coisas, não é efectivamente professor há uma porrada de anos e ainda olha a escola como o sítio de onde saíu há umas largas décadas. Este nosso professor que, afinal, o não era efectivamente há muitos anos gosta de dizer graçolas.
Não passa de uma 'charrua num campo de pedras'.
Estivesse lá um governo da cor que é a sua e o nosso Charrua haveria de estar nas bancadas de S. Bento a berrar que aquilo que uma funcionária superior do serviço ao qual pertence e cuja for fosse igual à sua fizesse estaria muito bem feito.
Qué lá isso, andemos aqui a achincalhar o bom nome de sua Insselencia ó quê?!
Os nossos políticos andam deliberadamente a dar tiros nos pés.
Por quê?
O que está por trás de tudo isto?
A indiferença e a descrença.
O campo de pedras...
Um charrua com piada.
Estamos lixados com esta gente, amigos meus.
Felizmente que a margem sul é um deserto e eu me levanto por volta das 7.45h. para estar na escola (a 10 km. da minha casa) onde entro às 8.20h, não sem antes deixar um dos meus filhos na escola que frequenta, na Cova da Piedade - Laranjeiro.
Era mentira. Quando entro na minha escola às 8.20h., o meu despertador toca às 6.45h.
Amigos meus, só vos digo: atravessar o deserto da margem sul, entre a Cruz de Pau e Almada, depois das 7.30h. é lixado.
Ele há camelos, ele há toda a sorte de perigos e inesperadas intempéries...

O que para mim continua em causa é a delação.
O nosso Charrua não pronunciou a piadazita em frente à sua superiora hierárquica.
Um ouvido mal-intencionado (vulgo: bufo, chibo) fez chegar a coisa aos ouvidos de alguém, que investido de parcos poderes resolveu mostrar que não brinca em serviço.
E não há pior que isto: dar poder a qualquer um.
Esta gente que, sendo professor, anda por tudo quanto é serviço do Ministério da Educação há uma porrada de anos e não é obrigada a fazer aquilo a que se comprometeu e contratou com Estado acha-se no direito e, até mesmo no dever, de fazer não importa o quê para agradecer ao Estado (que eles, na sua confusão, confundem com o Governo vigente) o facto de os manter afastado dessa realidade que é a Escola Pública, à qual designaremos de ora em diante como "Campo de Pedras".
E desse "campo" se afastou o nosso Charrua e a respectiva Directora. Cada um - devido à alternância - se foram sucessivamente investido em Poder ou em contra-poder.
À conta do Estado - esse que continua a ser um campo verdejante e fértil por onde passam todas as charruas...
Quanto ao deserto, xôr Lino, o deserto há-de acolher a sua voz ecoando um acto de contrição pelo facto de ter sido membo do PCP durante quase dois terços da sua vida e que, atingindo a idade senil, ter verificado que andara errado até então.
Senhor Engenheiro, andou V. Exª. muito bem. Pense, V. Exª., em S.Paulo, a caminho de Damasco - aquilo era tudo um deserto...- . Veja bem, sr. Ministro acaba de garantir as Portas do Céu. Bem-haja.
E voltemos ao 'campo de pedras' que é esta nossa função pública. Aos poucos foi-se instituindo o sistema da delação. Caminha-se a custo. Os salazaristas deixaram lá as raízes que agora, devido ao aquecimento global começam a brotar. Qual 25/4/74, qual caraças! Era só deixá-los poisar!
Greve. Que é isso? Eu nunca fiz greve!
É o medinho, amigos meus, o cagaço no mais puro estado governado por um qualquer salazar.
" Fachavor digam lá os nomes dos gajos que fizeram greve. "
Diz o Governo do senhor Engenheiro.
"Acho que é para efeitos estatísticos..."
Dizem-me os funcionários menores.
Não há - penso eu - como saber amedrontar.
É uma arte suprema, esta de pôr o cão a ladrar como se se tratasse da própria voz do dono.
O mais interessante é observar como eles se amedrontam e agacham e acatam.
A charrua passa e há-de passar e tudo o que lavra é um campo de pedras.

2 comentários:

Anónimo disse...

Magnífico texto. O caso é grave e representa a maior das infâmias dos tempos que correm. Só que a Sociedade é um crime cometido em comum: o fundo da questão liga-se com a desigualdade crescente entre os responsáveis e os executantes numa espiral de crime,delação e violências afins. FAR

Táxi Pluvioso disse...

Chibar não é uma maneira de ser salazarenta. É "portuguezenta"!