segunda-feira, 14 de maio de 2007

A Indústria do Insucesso

(um post motivado pelo post da Gabriela)
Existe, entre nós, uma indústria subterrânea que floresce há muitos anos de uma forma próspera.
Gera pequenas fortunas, nas mais das vezes trânsfugas ao Fisco. Vive de forma parasita pois alimenta-se daquilo que o sistema linfático (Ensino) não consegue produzir: o sucesso.
Explicando melhor: a disciplina de Matemática conseguiu criar uma indústria - chame-se ela de explicações ou salas de estudo ou qualquer outra designação que se lhe queira dar. Nas nossas salas de aula a disciplina de Matemática vai criando, desde o 1º ciclo, uma camada de anti-corpos que chegam até ao 3º ciclo num estado tal de acumulação que nada nem ninguém os será capaz de remover. Os nossos alunos - aqueles que não possam ou queiram recorrer à Indústria - serão incapazes de aceder a qualquer curso que, no ensino secundário, lhes possa dar acesso ao ingresso num curso superior com graus de exigência altos.
Os nossos rebentos progridem - é este o termo utilzado em 'eduquês' - mas mancam. Não sabem nada ou quase nada de Matemática. Estarão, à partida, excluídos do sistema educativo se os pais não deitarem mão do único recurso disponível: a Indústria.
E a Indústria é mantida (agora menos...) por quem?...
Precisamente por aqueles que exercem a sua actividade nas nossas escolas, no sistema público.
É possível?, perguntará alguém mais desatento.
É.
Vamos até à formação inicial de professores para o nosso 1º ciclo do ensino básico. Analise-se com atenção o currículo do plano de estudos. Neste momento temos (muitos) professores no terreno com graves carências no que toca à Didáctica do ensino da Matemática. Não sabem o que ensinar, nem como ensinar pela simples razão de que muitos deles desistiram da Matemática quando estavam no 9º ano de escolaridade.
Fiquemo-nos por aqui. Era só para despoletar alguma polémica...

4 comentários:

Samir Machel disse...

É verdade que há professores que chegam dar explicacoes aos seus próprios alunos!!

Agora também há centros de explicacoes e de acompanhamento muito lucrativos e que nem sempre têm professores do ensino público.

Mais, a falta de qualidade em determinado ensino público fomenta o ingresso no ensino privado, talvez esse a verdadeira mina.

rui rebelo disse...

o problema é que nenhum tem resultados positivos. se o negócio das explicações e do ensino privado incrementasse o conhecimento estaria tudo bem. O problema é que a nova geração de professores já foram ensinados a ser analfabetos...

Anónimo disse...

eu tive excelentes professores de matemática a partir do 9ªano inclusivé. Isso não significa que toda a gente tenha aprendido, aliás a grande maioria não aprendeu. Mas garanto-lhe que não foi culpa dos professores, como prova três dos meus colegas terem posteriormente terminaram uma licenciatura de matémática.

O mais curioso é que mesmo os bons alunos, que precisavam de explicações para coissíma nenhuma, acabavam por as ter. Culpa dos professores? não me quer parecer. talvez culpa dos paizinhos neste caso...

Ou então, se quisermos ir mais fundo, percebemos que quando um sistema se baseia na competição é natural que se recorra a todos os métodos para ser melhor que os outros. As explicações não são somente uma forma de colmatar lacunas deixadas pelos professores são uma forma de criar exigências, horários e rotinas de estudo: E isto é qualquer coisa que não se pode exigir a um profesor.

Por outro lado, creio que os resultados positivos que se registam nas explivações se deva mais à atenção pessoal, dedicada, à exigência feita por alguém que se tornou próximo, do que à má qualidade dos professores. No fundo à proximidade, que possibilita conhecer melhor e exigir mais.

já agora não se escreve despoletar, mas sim espoletar.

alberto machava disse...

Apesar de a palavra despoletar (formada a partir do prefixo de- + espoletar) não se encontrar registada no Dicionário da Língua Portuguesa On-Line, pode ser encontrada noutros dicionários de português, como o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa / Editorial Verbo, 2001), o Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa (Lisboa: Círculo de Leitores, 2002) ou o Grande Dicionário Língua Portuguesa (Porto: Porto Editora, 2004), com os significados i) "tirar a espoleta, impossibilitando a explosão" (ex.: despoletar uma granada), ii) "anular, travar" (ex.: despoletar um movimento de contestação) e iii) "fazer surgir ou desencadear" (ex.: despoletar comportamentos preventivos). Este último uso é bastante generalizado mas contestado por alguns, pois alegam tratar-se de um emprego contrário ao sentido original da palavra.
Pedro Mendes, 1-Jun-2005