quarta-feira, 23 de maio de 2007

X. Caso Litvinenko: Polícia inglesa pede extradição de agente do ex-KGB

Putin recusa liminarmente qualquer inculpação russa...No enredo do maior crime político e mediático da era do post-post Guerra Fria...

Sete meses após a morte por intoxicação de Alexander Litvinenko em Londres, por beber chá misturado com o terrível Polónio 210 num bar de hotel, a polícia inglesa adquiriu provas para inculpar um antigo colega do morto na KGB, a residir e a trabalhar na capital britânica. Moscovo recusa extraditar o visado e ameaça retaliar ainda mais as " frias " relações bilaterais: Os homens do senhor do Kremlin fazem tudo para culpar Boris Berezovski no atentado.

Os meios do exílio russo na capital britânica ficaram em estado de choque com a morte por substância radioactiva do antigo oficial do KGB, que se tinha aproximado do multimilionário Berezovski para ajudar a derrubar Putin e o seu regime semi-ditatorial. As provas de implicação da FSB, a sucessora do KGB, no atentado não deixam dúvidas à excelente polícia criminal inglesa. Só que os serviços de Poutin não admitem tal acção.

Um especialista sobre os serviços secretos russos, Wladimir Voronov, mostra-se convencido de que tal façanha, com a manipulação de partículas radioactivas muito caras e de difícil acesso público, contou com o apoio do FSB e necessitou de uma ordem de execução que só podia partir do Kremlin. A hipótese de um ajuste de contas político-corporativo entre antigos rivais do KGB não está também inviabilizada, acrescentou. As autoridades soviéticas não tomaram a iniciativa de inculpar a nova polícia política, no entanto.

FAR

6 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Recordo-me que a bófia britânica é boa em matar brasucas nos comboios. Sete tiros, não foi?

Esta catita força policial só se move por padrões estritamente de investigação criminal, nunca políticos, ou de apanhar bonés como uma do terceiro mundo.

O Pátio da Escócia é uma bófia arguta. Que Nossa Senhora nos dê uma igual. Família real já temos.

Anónimo disse...

Este folhetim à le Carré ocupava ontem no NYTimes e no IHT( a edição mundial) o titulo nobre do lado direito da Primeira Página e mais umas cem linhas( a página do Público inteira, por comparação...) no continuado interior. Dizer e vincar da sua importância: os USA não qurem perderos peões que têem em Moscovo e Merkel/ Sarkosy, essa dupla retardatária em relação a Bush, andam a fazer braços-de-ferro com Poutin. Será que os dois liberais/conservadores europeus, com o nosso Barroso de permeio como auxiliar, vão p°or o nosso czar nos braços dos chineses e tutti quanti?!? FAR

Táxi Pluvioso disse...

Poucos saberão o que realmente se passou. E nesses não estamos incluídos nós nem jornalistas ou especialistas.

Anónimo disse...

Mister T.Pluvioso: V.Excia persiste em amalgamar a qualidade insuperável do NY Times e a dos jornais franceses ou mesmo lusitanos. Está verdadeiramente errado.A superlativa qualidade do NY Times é incomparável: recentemente li um artigo sobre o poder político na Indonésia e o papel para fazerem do Islão uma prática política democrática. Em Portugal, Indonésia era tabu até à pouco tempo. Hoje é uma potência democrática e a dar cartas. O mesmo em relação a Myannamar( antiga Birmânia) e Angola, por exemplo. Ou sobre a política interna americana: a doce Maureen publicou um texto fabuloso sobre a rúina do Wolfwietz, de antologia. O Monde tem de vez em quando coisas importantes. O Libé está numa boa com o Joffrin. Resumindo e concluindo: para se pensar de outra maneira, é preciso ler mais e muito, coisas diferentes e segui-las com aprumo e acerto. A desconfiança é uma arma fraca para vencermos os desafios, vale? Salut! FAR

Anónimo disse...

Continuando este folhetim dramático-político-ideológico: o correspondente da Associated Press em Moscovo, via NY Times, falava ontem de um DVD com uma gravação feita pelo Litvinenko ainda no KGB, onde ele denunciava o perigo da Russia virar de novo ditadura... Muito tempo antes de Poutin se alcandroar no Kremlin e repartir o poder e a economia com os seus kgbianos comparsas...Numa contra-manobra, Berezovsky é apontado como provável cúmplice, pela vontade de dazer desaparecer uma estemunha que já lhe era incómoda, pois sabia demais e podia pô-lo em xeque. FAR

Anónimo disse...

Errata: no texto é fazer desparecer... e testemunha... na sequência lógica. FAR