terça-feira, 22 de maio de 2007

Telegramas

Relações estáveis USA/Irão são indispensáveis - Dois especialistas árabes publicaram ontem no NY Times duas análises sobre a evolução da guerra no Iraque, chegando à conclusão conjunta de que os Estados Unidos precisam de negociar com o Irão para evitar o prolongamento indefinido da ocupação da antiga Mesopotâmia. E do Afeganistão também, pois claro. Deste modo, Vali Nasr, autor do " Renovamento do Xiismo", defende que só a melhora e a estabilidade das relações iraniano-americanas dará estabilidade ao Médio Oriente. "O Irão não permitirá um Iraque estável se os seus interesses não forem protegidos, e se a nova relação de forças do poder - baseada na maioria kurda-xiita - não for reconhecida". Por seu turno, Rashid Khalidi, especialista da Columbia University, que clama para que o Hamas não destrua a Autoridade Palestiniana, que controla os grupos de radicais que podem envenenar tudo e todos na zona.

Oposição a Mugabe também está dividida - O Movimento da Mudança Democrática, a oposição para-legal a Roberto Mugabe, o ditador em perdição do Zimbabué, está dividida. O que causa inúmeros problemas para a procura de alternativas sólidas ao inveterado déspota no poder. O Washington Post descreve duas facções no MMD que se guerreiam de morte, cada qual a acusar a outra de traição aos ideias democráticos e de rolar por conta de Mugabe. Se bem que inspirados nos ideais de Ghandi e Luther King a pacificação interna do partido demora. Morgan Tsvangirai, que lidera a maioria do MMD, e o seu rival, Welshman Ncube, não conseguem ultrapassar os diferendos e o rio de sangue que afasta os militantes da procura de uma alternativa para salvar o país.

Ségolène Royal deve avançar no PS - Ségo é mesmo de ferro, mas do bom. Ontem o grande semanário de Esquerda da Alemanha, tiragem de perto de 2 milhões de exemplares, contava a história siderante do ultimato de Sego ao seu concubino, François Hollande: ou serei candidata ou separo-me e guardo os nossos quatro filhos. Tudo isto antes das primárias no PS, claro, no Outono do ano passado. O Libé publica hoje uma sondagem sobre a popularidade da dama que teve perto de 17 milhões de votos na corrida ao poder máximo da República Francesa. Ora, o povo de Esquerda gaulês credita-a de a melhor defensora dos valores de esquerda, com 41 por cento dos eleitores. O seu feroz rival, que não fez como Bernard Kouchner, atinge só 28 por cento das intenções de agrado. Os eleitores não são parvos: responsabilizam o Partido Socialista francês (66 %) pelo fraco apoio dispensado a Ségo, seguindo-se o voto nas razões da derrota deste modo: 50 por cento dizem que é preciso renovar as ideias e 51 por cento dizem que Sarkozy conseguiu convencer os incautos...


FAR

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