quarta-feira, 9 de maio de 2007

Novo homem faber:

“Descoberta” com barbas para enganar os ceguinhos

Apareceram por aí uns melgas iluminados a pilhas que tentam vender a incautos e néscios, como os aldrabões da Feira do Relógio, que o Homem faber é que é o verdadeiro animal de Hoje.
É a nova coqueluche daqueles que querem reescrever a História do Pensamento Filosófico e das Ciências Humanas para melhor fazerem regredir… o homem e os valores sociais.
Por isso, clamam aos quatros ventos: Faber in! Sapiens Sapiens out!
Perante tamanha torpeza, pergunta-se, “mas-que-safardana-de-mundo-novo-é-esse-que-o-homem-faber-e-o-macaco-querem-criar?”

Ninguém informa esses coitadinhos que não metem dó nenhuma que o Homem do Século XXI é uma evolução de 10 milhões de anos de hominídeos que levou ao surgimento, há cerca de 42 mil anos do Homo sapiens sapiens, fundador da civilização egípcia.

Os estudos filosóficos desde há 300 anos, para não ir mais longe, e dos últimos 50 anos da Psicologia, da Sociologia e da Antropologia foram sintetizados por Edgar Morin numa múltipla interdependência de conceitos: o homo sapiens sapiens é, indissoluvelmente, homo demens, e naquele coexistem o homo faber, que é ao mesmo tempo homo ludens, o homo economicus, inseparável do homo mythologicus, e o homo prosaicus que é também o homo poeticus.

O paradigma antropológico homo ludens, do jogo, do irracional, do aleatório, do outro é indissociável do paradigma do homo faber, do lógico e do construtivo, do racionalismo e do funcionalismo.

Há 150 anos, um filósofo alemão explicou que, ao tornar-se produtor de instrumentos de produção dos seus meios subsistência, o homem autoproduziu-se. Um enunciado que trouxe um notável avanço para as ciências humanas.
Mas não vou por aí porque há muita gente, entre ela estes filhos de uma hidra pestilenta, que ficam muito contentinhos quando catrapiscam um conceito, isolam-no do contexto, moldam-no segundo os seus interesses e deitam fora as sobras que só adiam a aceleração da praxis ultra-capitalista.
Fedelhos mentais que esperam que os outros sejam desatentos para os endrominarem com promessas de prémios do Euromilhões e cenários de filmes que os que pensam duas vezes pelo menos esperam que nunca venham a ser realidade.

Perdão esqueci-me de dizer que o tal filósofo alemão é Karl Marx.

zemari@

2 comentários:

Anónimo disse...

Faber lápis.
Faber canetas.
Faber pastas.
Faber glass!
Não vi nenhum Faber.
Andam disfarçados?

Táxi Pluvioso disse...

Homo Faber? No tempo das máquinas as melhores coisas são feitas à mão. É bom ver a "irmã da canhota" (como se costumava chamar no tempo do homo erectus) outra vez em acção!