quinta-feira, 17 de maio de 2007

Por uma Nova Esquerda: as posições da ATTAC e da ala neo-marxista dos Verdes

Depois de Bernard Kouchner, o fundador dos Médicos sem Fronteiras,
Jacques Attali pode juntar-se a Georges-Marc Benhamou para aconselhar Sarkozy no palácio do Eliseu...

Bernard Kouchner, o médico famoso inventor dos MSF, Médecins sans frontières, o french doctor, personalidade política da elite mundial chamado por Kofi Anan para resolver, entre outros focos de insurreição mundial, o conflito do Kosovo, deu mais uma cambalhota e deixou-se seduzir pelas "ninfas" do staff de Sarkozy, sendo muito provável que venha a dirigir o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o segundo ou terceiro lugar do organigrama do poder de Estado da nova direita vencedora das presidenciais. Kouchner, de quem se dizia mundos e fundos, vaidoso e banhado em perfumes Dior na selva, traiu as suas reiteradas juras para com o PSF e Ségolène e juntou-se ao inimigo. Cohn-Bendit deve estar transido de raiva, ele que apostava tudo na renovação política leiloada por Kouchner depois que Rocard se afastou de todas as pretensões a ser de novo líder dos socialistas. O mau exemplo do french doctor parece instilar contágio: Attali, o célebre judeu-conselheiro de Mitterrand, pode juntar-se ao miterrandocrata Benhamou na difícil função de conselheiro presidencial. É muita desgraça de uma só vez, convenhamos.
Na série dos artigos publicados pelo Libération, subordinada ao tema, Para uma Nova Esquerda?, cabe a vez de assinalar as posições de Susan George, da direcção da ATTAC, Associação de Educação Popular virada para a Acção, clicar aqui, e o do neo-marxista ecologista, Alain Lipietz, clicar aqui, por seu turno. A particularidade das duas contribuições reside em destacarem a componente "bushista" da estratégia de conquista do poder supremo por Nicolas Sarkozy., já que o ex-liguista transalpino, Fini, saudou o novo PR gaulês no Le Figaro...
Susan George sublinha que "foi eleito e bem eleito quem disse o que fará e que fará o que disse. Ele fará bons presentes às empresas multinacionais do topo da bolsa de Paris, às grandes fortunas e, em menor escala, às classes médias superiores. As outras classes que se lixem". E avança para a definição do conceito de mundialização neo-liberal, a seguir, deste modo: " Constitui em última análise a vitória da ideologia daqueles que chamo de " gramscianos de direita ", porque compreenderam o conceito de "hegemonia cultural" forjado pelo pensador marxista italiano, António Gramsci. (...) A classe dominante triunfa quando consegue fazer pensar as pessoas como " o devem " fazer com os seus valores. Se se chega a ocupar a mente do povo, não existe necessidade de coerção: os corações, as mãos e os votos obedecerão ". E avança como arma anti-sarkozista, por excelência, o conhecimento e a acção, porque, frisa,"para mudar as coisas, é preciso compreender, dotar-se de factos, de argumentos, de análises e ser capaz de desmistificar os que se lhe opõem".
Alain Lipietz, num longo texto de análise da derrota da Esquerda, pondera: "Não está tudo perdido. A direitização da direita desencadeou o seu antídoto: uma cisão do Centro: O eleitorado de Bayrou deu a maioria a Ségo nos centros das cidades e em toda a fachada atlântica. Noutros lados, com o apoio de le Pen, assegurou o triunfo de Sarkozy. Esta brecha entre a direita e uma parte do Centro, foi o que permitiu à Itália sair do reinado de Berlusconi. Os eleitores de Bayrou que não ousaram votar Royal, se o tivessem realizado talvez pudessem ter invertido o resultado. Podem ainda fazê-lo na hora do voto decisivo, a segunda volta das próximas legislativas". E exorta, por fim: "A esquerda não se deve pautar pelos valores dos centristas, mas, isso sim, renovar-se de modo a cativa-la para alinhar a seu lado. E o anel que falta entre o centro e a esquerda deve-se procurar na ecologia política. Porque a ecologia, urgência universal, não pode ser realizada senão pelos valores da solidariedade, com as armas da democracia, frente à ditadura dos mercados".

FAR

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