quinta-feira, 10 de maio de 2007

Michel Onfray: discurso esquizofrénico liberal versus social ilude fractura no PS

O Libération inaugurou ontem um debate On Line para perspectivar uma Nova Esquerda. Temos todo o empenho em abordar este estaleiro ideológico,claro. Para fugir aos cadáveres adiados que procriam.

O filósofo indica no texto publicado no Libération, clicar aqui, que o complexo de Janus, o discurso esquizo, teve início no consulado de Mitterrand, quando o habilidoso político instrumentalizou uma pretensa diferença entre "uma linguagem de esquerda, que o opunha à direita e um estilo liberal muito próximo do dos seus adversários... Para as necessidas do processo político, alimenta-se a ilusão de uma separação falsa entre a direita e a esquerda quando a linha real de diferenciação se instala entre liberais e anti-liberais, traçado que separa transversalmente a direita e a esquerda".

Por isso, adianta, a "mudança que nos propõem depois do fim da política de Mitterrand, doze anos depois, entre Chirac e Jospin, duas vezes, Sarkosy e Royal, uma vez, coloca frente-a-frente dois tipos muito semelhantes de gestão liberal do capitalismo europeu. No essencial, não existem grandes diferenças, a separação efectivando-se no estilo, no simbólico e no pensamento mágico que envolve um partido que se diz de esquerda, mas que o revela ser muito pouco. Esta esquizofrenia cansa o povo de Esquerda e exalta os liberais de todos os horizontes, isto é, dito de outra maneira, magoa e desespera os mais expostos à brutalidade liberal e entusiasma as élites".


O autor do Tratado de Ateologia caracteriza também o estilo da intervenção política de Ségo, desta forma e sem rodeios: " A esquizofrenia assumida por Ségolène Royal resultou, na primeira volta das Presidenciais, por um elogio da Marselhesa, da bandeira nacional, da ordem justa, da casa de correcção como forma de tratamento dos problemas sociais, da trilogia Trabalho, Família, Pátria para seduzir os adeptos de Chevènement ( representante do nacionalismo político no PSF); e, ao mesmo tempo, sustentou um elogio de Blair, um desejo declarado de suprimir o pacto escolar, toda uma panóplia de ideias para seduzir os bobos (os burgueses-boémios, ex-68) - feminismo, ecologismo, modernidade, centrismo -para colocar no seu campo os corifeus de Cohn-Bendit".

"A solução passa pela refundação das Esquerdas: palavra e acção reconciliados, o fim da esquizofrenia: O que implica uma esquerda governamental escrupulosa dos ideiais socialistas, das visões do Mundo novas, de utopias alternativas, de pensamentos libertários inéditos. E que não rejeite uma esquerda contestatária preocupada com a gestão e o trabalho em comum, tipo de iniciativa que Foucault, Derrida e Bourdieu não tinham excluído no seu tempo".

Ler também Joffrin em resposta.


FAR

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