sábado, 5 de maio de 2007

Anos e anos a arrumar
quase apenas os pensamentos
uns ao lado dos outros
depois de observar as montras
outras vezes em pilha quase em equilíbrio
a estudar com rigor
a alteração de vinco nas ideias
desdobrando as metáforas pelo ardor
a calcular em organigrama
o salto conceptual de belicosos termos
para no fundo poder regressar
de modo não menos acrobático
à contagem do que para sempre deserta da linguagem.
É imperdoável desconhecer que esta vive
numa caixinha com rodas
e jeitos oleados para o silêncio.
É isso, a estranheza.

in: Caixinha com rodas; ed. geic

1 comentário:

FernandoRebelo disse...

Mais outro texto de ficar com um arrepio doce na pele do braço...
Obrigado, Gabriela, nesta noite sarkótica que para nós chegou há muito tempo.
Fernando Rebelo