sexta-feira, 21 de março de 2008

Ser professor é difícil

A propósito de um vídeo que por aí anda (Atlântico, A Barbearia do Senhor Luís, Blasfémias, Expresso, Do Portugal Profundo, O país do Burro, Spectrum).

Do Causa Nossa ao We Have Kaos In The Garden a blogosfera indigna-se em peso.

"Ser professor é difícil. Recebem-se na sala de aulas todos as falhas familiares, todas as falhas sociais, todas as falhas do sistema. E no fim, o mais provável é ser-se maltratado por quem falha em casa, por quem falha na sociedade, por quem falha no sistema. Mas é esta a profissão que se escolheu e todas as profissões têm partes difíceis. E nesta profissão, em que se trabalha numa escola em que todos entram e têm de entrar, não se escolhem os alunos. Há, haverá sempre, casos quase impossíveis. São esses os ossos do ofício. Já havia quando eu era aluno. Para uns professores era dramático, para outros era um problema que tentavam resolver com muito talento e esforço. É difícil, mas simples: a disciplina e a autoridade nunca estão garantidos, conquistam-se. Até com os filhos."
Daniel Oliveira. Arrastão

Tiro o meu chapéu a Daniel Oliveira. Vi, muito tempo atrás, uma reportagem esclarecedora na RTP. Lembram-se dela? Há quem tenha memória curta.

Via Ana Crisina encontrei a solução.

5 comentários:

zemari@ disse...

"A disciplina e a autoridade conquistam-se. Até com os filhos."

A começar por mim, este é um daqueles "grandes dramas "transversais e longitudinais" da sociedade portuguesa.
Disciplina e autoridade são termos da Tropa e da Igreja. Por isso conquistam-se.

As "ordens" ditas à Bulhão: "Ó filho não faças isso que apanhas!", "Sai daí ou 'tás a levá-las!", "Não mexas nisso que a senhora zanga-se!", etc, etc. também revelam porque são tão desejadas, por todos os quadrantes, "disciplina" e "autoridade".

No ensino e na educação explicam-se e adoptam-se princípios; define-se e exige-se responsabilidade.

Em todo o lado, tem de haver disciplina, óbvio.
Mas na escola, principalmente pela direcção e pelos professores, deve ser esforçadamente e sempre que possível entendida no sentido quase renascentista do termo: "é o ensino e a educação que um discípulo recebe do mestre.»

zemari@ disse...

Este comentário, além de poder ser escrito aqui, devia ter sido feito primeiro (ou até exclusivamente) no Arrastão.

A posteriori, tentei fazê-lo. Mas é tão complicado, pede-me tantos dados, que eu, como bom português, mandei a ética à fava.

Kaos disse...

Na realidade eu não me indignei e até considero que se está a fazer uma tempestade num copo de água. Como digo no meu post a aluna foi mal educada e a professora não soube lidar com a situação. A solução nunca poderia passar por uma luta corpo a corpo com a aluna. Importante é olhar para as causas, mas também ter muito cuidado com as consequências porque aquilo em que querem transformar a escola é assustador.
Um abraço

Ana Cristina Leonardo disse...

triste conclusão: uns indignam-se de menos e outros de mais

Armando Rocheteau disse...

Ana Cristina e Kaos:
Leio-vos diariamente. Não estando de acordo sempre, sinto-me estimulado com a visita que vos faço.