segunda-feira, 10 de março de 2008

Uma estranha "lógica democrática" (1)

Acossado pela manifestação dos professores, o nosso Primeiro-Ministro José Sócrates saiu-se hoje com esta maravilha:

«Os portugueses tem de entender que a alternativa às reformas é ficar tudo como estava»

Ora, como é evidente, existem muitas outras alternativas a "ficar tudo como estava" diferentes das "reformas". Este newspeak socrático tem por objectivo fazer-nos crer na inevitabilidade das políticas, enfim, como se escreveu já por aqui, na ideia de que as "reformas" são coisas feitas por técnicos, sem qualquer objectivo político ou motivação ideológica. Mais, a sua suposta "necessidade" inibe qualquer escrutínio aos seus próprios resultados; não se pode avaliar as linhas orientadoras de uma política, ou sequer a habilidade ou inabilidade de um político, quando tudo o que se faz é apresentado como absolutamente "necessário".
Chegou o momento de dizer: senhor PM, "reformas" há muitas. As suas "reformas" não são nenhum santo graal, e nada nelas nos diz a priori que avançam no sentido correcto. Como qualquer política está sujeita ao nosso escrutínio.

2 comentários:

Anónimo disse...

Lamento, mas o escrutínio é só daqui a um ano e meio...

André Carapinha disse...

Engana-se. Escrutina-se todos os dias.