sexta-feira, 7 de março de 2008

Da política (3)

"Quanto pior, melhor

Caro Francisco, apesar de não saber o que é a “direita do comentário”, vou acusar o toque.
Quer queiras, quer não, a escola pública, com todos os seus problemas foi um dos, senão o maior, caso de sucesso da democracia portuguesa. Foi, provavelmente, o maior fenómeno de coesão social da nossa comunidade.
Não concordo com o modelo global do sistema mas não me custa admitir estes factos.
Não sei onde tu e o Vasco Pulido Valente viram essa catástrofe das últimas décadas (presumo que pensas que antes “dessas” décadas as coisas estavam melhores...) cheias de deslegitimação dos professores, de cultura do bom selvagem, e dessa coisa a que chamas “ideia torpe de democraticidade”.
Devolvo-te o comentário: este rapaz tem 3 filhos, dois numa escola privada e um na pública. O da pública (com 18 anos) já conta um lamentável “chumbo”, recebo periodicamente relatórios sobre a sua performance e ausências das aulas e para te ser franco não encontro esse estado miserável de facilitismo que tu vês. Bem sei que o Vasco Pulido Valente e outros como ele lidam, como eu, diariamente com problemas escolares mas devemos ter, com certeza, experiencias diferentes.
A questão das faltas é aliás um argumento que francamente me espanta. Por um lado vejo criticas ao facilitismo das escolas, por outro vejo as mesmas pessoas berrarem a favor do “chumbo” por faltas. Mas existirá coisa mais fácil que chumbar um aluno por faltas sem sequer querer saber o que se passa? O que será melhor: deixar a escola que conhece a situação decidir ou permitir que uma lei cega decida uma carreira académica? Isso não é educar, é facilitar a tarefa a quem está numa escola como quem está num qualquer serviço que não lida com a construção do futuro do maior activo de uma comunidade.
Como em quase todos os sectores da sociedade portuguesa grassa, isso sim, uma falta de cultura do mérito, de ausência de avaliação, de desresponsabilização, de amiguismo e de facilitismo. Estes defeitos não são exclusivos, pelo contrário, do nosso sistema de educação. Isto acontece em todos os sectores da nossa comunidade e, é preciso dizê-lo, também na iniciativa privada.
Sustentar que não se deve avaliar os professores porque eles, supostamente, não avaliam os alunos é pior que uma mentira, é um contributo para deixar tudo como está. Pior, é um argumento que serve para destruir o que de bom há no nosso sistema escolar. A verdade é que quem avalia (e é isso que os professores fazem todos os dias) não é avaliado e isso sim é causador das maiores iniquidades.
"
Pedro Marques Lopes.( Em reposta a post de Francisco Mendes da Silva). 31 Da Armada.
(Com a devida vénia ao 31 Da Armada)

1 comentário:

zemari@ disse...

Como as únicas razões que me levam a estar informado sobre o que se passa no ensino se prendem apenas com o que diz respeito ao cidadão comum, não conheço em profundidade o método de avaliação dos professores.

Sei que tem umas alíneas pró-pidescas e fomentadoras da bufaria, outras que promovem a mesquinhez, a inveja e o supérfluo e algumas onde o discricionário leva a palma à sensatez.

Li também que é complexo, burocrático, redundante e mal-parido.

Enfim, nada que não esteja inscrito no ADN Lusitanus.

Mas há uma coisa que tenho quase como certa: vai ser aplicado já este ano.
Sócrates não quer quaisquer contestações em 2009.

Entraram em vigor o dos magistrados, o da função pública, vão estar prontos os que faltam (tropa, chuis, etc.) e vai começar o dos profs.

Em 2009, Portugal estará de bico calado e só abrirá a boca para clamar "Ámen" a uma nova maioria absoluta.