terça-feira, 25 de março de 2008

Meritocracia é mitologia.

Li isto e fiquei espantado. A mentira da meritocracia é repetida à exaustão, juntamente com a velha lenga - lenga do trabalho enquanto valor (e a propósito, recomendo o fabuloso O Direito à Preguiça de Paul La Fargue).
"Em que outro país uma ex-refugiada consegue adoptar uma nova nacionalidade, abrir uma loja, ter um negocio seu, depender de si própria? No fundo, em que outro local, uma pessoa nas condições de Chloe poderia vencer?"
É fantástico que haja quem se consegue prender com a mentira capitalista que é possível. É, de facto, possível. Mas com que preço? Quantas Chloes ficaram no caminho da saúde privatizada e inacessível a milhões? Quantas Chloes continuam escravizadas em um, dois, três empregos precários, com o banco prestes a cortar-lhes a torneira (depois vai-se a casa - e a loja de roupa, suponho)? E quantas Chloes ainda morrem de malária enquanto há dinheiro para o Iraque?
O que é mais intrigante é que isto chega a ser básico, mas tem que ser verbalizado: porque é que nos concentramos nos pouquíssimos bons exemplos e não ligamos aos muitos mais que todos os dias são humilhados e vivem em condições miseráveis? Ligar a muitos não é melhor do que ligar a poucos? Não é mais justo? Não havia maior probabilidade de estarmos no grupo dos muitos do que no dos poucos?
Mas há mais. Os meritocratas falham redondamente filosoficamente, porque o livre arbítrio, como o provou Schopenhauer (no seu Contestação ao Livre Arbítrio) e outros, não existe. E a partir daí, é difícil chegar à meritocracia. Depois, falam como se o jogo não estivesse viciado à partida. As Chloes partem da mesma posição que os filhos do Balsemão? Os meritocratas devem ser os primeiros na luta contra a herança (que mérito há em receber o dinheiro dos pais? Algum de vós escolheu os pais? Só Bush fala com deus (ai, credo, com minúscula!), não se iludam ).
A meritocracia e este culto quase eugenista de "longa vida aos das boas escolhas" é a forma bonita, dentro da matriz judaico- cristã, de nos lembrarem que quem muito trabalha e muito sofre, merece ser recompensado. E se não for nesta vida, é na outra (o que faz com que ou seja uma ou outra, porque os ricos não chegam ao reino dos céus, não é verdade?).
Importa desmistificar e combater estas ideias que encorajam as pessoas a sonharem por uma lotaria em vez de quererem um mundo menos injusto, com menos diferenças, sem estas histórias da carochinha.

(PS: citei dois livros neste post. Qualquer trocadilho com o Marcelo não é benvindo.)

4 comentários:

D Pt Mdr disse...

Ora, às vezes até acho que o mundo está bom como está! Às vezes basta só ficar mais próximo de alguém para reconhecer sabedoria no " cada qual tem o que merece". Às vezes penso, a maior parte das vezes sou levad para isso: quea humanidade é mi bonit a uma certa distância. Assim como o Irrsingler, o guar do Meu deitória de Arte, o protector&protefido e Reger - no romance Antigos Mestres do Thomas Bernhard.

Anónimo disse...

Bom texto e a mostrar ideias bem arrumadas! O que é preciso é não parar,claro.FAR

Anónimo disse...

Já agora,era bom saber qual a ...cracia de sua eleição.
Para o texto ficar mais bem arrumado.

Nuno Calisto

ric disse...

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