sexta-feira, 7 de março de 2008

Da política (1)

"LUTA SINDICAL OU LUTA POLÍTICO-PARTIDÁRIA?

Nunca o interesse político do PCP em controlar os sindicatos foi tão evidente como no caso da Frenprof, desde o início da "luta" dos professores que é evidente a gestão política de todo o processo, bastando acompanhar as posições políticas do PCP para prever a actuação seguinte da frente sindical.

Depois de pedir a demissão da ministra a Fenprof já decidiu só aceitar negociar com o primeiro-ministro o que permite uma maior capitalização dos ganhos políticos, o próximo passo do PCP vai ser pedir a demissão de Sócrates.

Compreende-se que muitos professores se "encostem" às estruturas sindicais controladas pelo PCP por acharem que têm a garantia de que estas são mais combativas, mas desta vez arriscam-se a que as suas exigências acabem num beco sem saída. É evidente que se o diálogo interessa aos professores já não interessa ao PCP cujo objectivo é o confronto político com o governo, na esperança de o desgastar. Se é evidente que a ministra da Educação não é nenhum modelo de diálogo a questão que se coloca é saber se com a Fenprof há espaço para diálogo. Duvido, desde o primeiro momento que os sindicalistas do PCP obedeciam às suas orientações partidárias e visam o confronto político.

São os professores e as escolas que perdem, nenhum governo poderá ceder perante esta lógica dos sindicatos, as manifestações não se sobreporão à legitimidade política do poder e a opinião pública está longe de apoiar a "causa" dos professores. O conflito chegou a um ponto em que ou perde Sócrates ou perde o PCP e a Fenprof, no meio perdem os professores.

Alguns professores aperceberam-se deste resultado provável mas as suas manifestações espontâneas não foram suficientes, o PCP rapidamente abafou o fenómeno. Quem hoje viu Jerónimo de Sousa a dirige-se aos professores como se fosse Lenine a discursar num dia de Outubro percebeu que a defesa legítima dos direitos dos professores já foi absorvida pela estratégia política do PCP.
"
O Jumento.
(Com a devida vénia a O Jumento)

2 comentários:

FernandoRebelo disse...

Não se trata de partidarizar a contestação. A manobra do Governo Sócrates foi essa: colocar a discussão de assuntos muito sérios e prementes ao nível das ruas. Extremar posições e semear a confusão. Para levar a cabo a sua política para a Educação, de uma forma séria, honesta e responsável, o Engenheiro deveria ter começado por proceder a uma avaliação honesta e isenta de todas as reformas do Sistema Educativo reaizadas até à data da sua posse, reformas essas protagonizadas ora pelo seu próprio Partido, ora pelo PSD. Sem isso, tudo o mais é demagogia e populismo. Fazer chegar as coisas respeitantes a um sector estratégico para um País, como é o caso da Educação, ao ponto a que neste momento se encontram é o sinal claro de que se não pretende tratar estas questões com o rigor e a seriedade que as mesmas exigem.
Não nos iludamos: a estratégia do Governo de Sócrates visa, em última análise, destruir o que resta da Escola Pública; visa fomentar a desconfiança numa classe profissional que não é incentivada para trabalhar melhor. E, por trabalhar melhor entenda-se: ter um horário lectivo que lhe permita realizar a sua actividade de forma satisfatória, não passar horas consecutivas na escola sem fazer aquilo que se deve pedir que um professor faça na escola: ensinar.

Armando Rocheteau disse...

A estratégia do governo vive de números. Maldita matemáica!