quarta-feira, 26 de março de 2008

Novo PR russo ao Financial Times: tudo pelo Estado de Direito à Ocidental

É a primeira grande entrevista do recém-eleito PR russo, Dmitry Medvedev, a um jornal estrangeiro, realizada pela equipe de ouro dos correspondentes do F.T.,em Moscovo, Neil Buckley, Catherine Belton e um assessor, Lionel Barber. O tom da conversa foi caracterizado pelos jornalistas que se deslocaram ao Kremlin, como “conciso, sujeito a ponderação, envolvendo precisão e alongando-se no tempo de resposta”. Nada que se pareça com o “ colorido talento e a linguagem crua” de Putin…
E foi dado à estampa na edição europeia de ontem.

Medvedev, universitário puro e jurista, com 42 anos, surge no cerrado puzzle da vida política russa como o continuador da tese de Putin, desmentida e mal rodada, da instauração do Estado de Direito, em movimento sem fim. “Ele vê cada solução para os problemas através do prisma do legalismo “ democrático, o fundamento jurídico e constitucional, alertam os jornalistas.” Mas por detrás da linguagem esparsamente muito trabalhada, situa-se um profundo objectivo: entronizar o papel da lei na sociedade russa”, frisam.

Medvedev sabe que o jogo é muito arriscado, Tem que fazer “duo” com Putin, que passa a PM com funções exclusivas na governação económica, “na arena”, como exprimiu. Por outro lado, tem que fazer frente aos duros do regime, antigos caciques do KGB, que não gostaram nada que tivesse sido o escolhido. Antes tinham preferido que Putin tivesse “alongado” o seu mandato…A nova burocracia de Estado russo pode vir a causar muitos dissabores ao sucessor de Putin, pois vive anichada e em circuito fechado acoplada às administrações mais rendosas do fabuloso património industrial russo, conforme dei a ver em artigos anteriores.

“O seu princípio básico, de partida, prende-se com o seu estatuto profissional ele é, afirma-o, talvez demasiado um advogado. Meticuloso e preciso, perspectiva quase sempre cada solução através da racionalidade jurídica do seu pensamento”. “ Será uma tarefa gigantesca”, concorda, para sintetizar: “A Rússia é um país onde o povo não gosta de cumprir a lei. É um país de niilismo legal “, acrescenta.

Medevedev insiste em que, a Rússia, tem que construir o império da lei, destacando três princípios base. O primeiro prende-se em legitimar a supremacia da lei sobre o poder executivo e a vida social. O segundo, é criar “uma nova atitude e comportamento perante a lei”. “Temos que assegurar, que cada concidadão compreenda que para lá da necessidade e justeza, se torne ciente que sem esses desideratos não pode existir um normal desenvolvimento do nosso Estado e da sociedade em geral”, foca. O terceiro prende-se com a necessidade de ser observada a “independência dos juízes e dos tribunais”.

“A minha definição da democracia como poder do povo não é diferente, de modo algum, das clássicas definições que existem nos outros países”, assegura. E avança com esta profissão de fé, a par do emagrecimento e redefinição da estrutura da economia, que se pode tornar como o seu talismã, diferencial e de marca própria: “A Rússia é um país europeu e tem toda a capacidade para cooperar com os outros países, que tenham adoptado o mesmo compromisso democrático para o progresso”.

FAR

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