domingo, 30 de março de 2008

Toni Negri: “Um só combate político vale a pena ser travado: o do amor contra o egoísmo”

A pedido de várias famílias de combatentes e entusiastas pela descoberta de conceitos e de modus-operandi, retomamos de novo a expressão de mais algumas das ideias-força de Toni Negri, o ultra-radical pensador e agitador politico italiano. Ao longo dos dois anos e picos do Blogue, Negri ocupou sempre um lugar de destaque, que não deve ser despromovido ou censurado. Houve já sucesso para o nosso Blogue, com a impressão no Google do artigo-em-cima do acontecimento sobre o último livro de Alain Badiou, “Petit panthéon portatif”, como já tinha sido inserido uma tradução de Bakunine. São coisas que dão força e vitalidade ao 2+2=5, e que importa tentar multiplicar. Para a felicidade de todos nós, claro!

* “A história da filosofia é uma espécie de teologia, uma construção abstracta. Ninguém se liga a uma tradição. Vive-se, muda-se, é tudo”.

* “Espinoza é o primeiro filósofo a fornecer um quadro materialista à existência humana”.

* “Não sejamos hipócritas: a violência, mesmo ilegal, existe também nas instituições e no conjunto das relações sociais”.

* "Os conceitos de povo, de proletariado e de classes sociais estão caducos. Correspondiam a certas realidades históricas hoje desaparecidas. A ideia de Povo estava ligada ao Estado-Nação; a de Proletariado ao desenvolvimento industrial do séc. XIX".

* "Antigamente, a exploração capitalista incidia sobre a força bruta de trabalho dos operários e o sítio dessa exploração era a fábrica/atelier. Hoje, são as aptidões intelectuais e as necessidades afectivas que são exploradas. Não são mais as fábricas mas as cidades-metrópoles – nas quais vivem agora mais de metade da humanidade - que representam o tecido produtivo. Num certo sentido, a exploração tal qual a vivemos nas cidades-metrópoles de hoje, é pior que a precedente porque nunca existe repouso. Quando se trabalha com a inteligência ou os afectos, estamos ao serviço 24-horas-sobre-24".

* "Robinson Crusöe nunca existiu, nem existirá. Ninguém consegue viver isolado. As singularidades funcionam em rede. Partilham a mesma vida. Vivemos numa comunidade exposta e espontânea, que criamos sem cessar".

* "Contra o transcendentalismo dos Modernos, a importância do comum foi sublinhada por outros filósofos muito importantes para mim, que são Maquiavel, Marx e Espinosa. Em Maquiavel, o papel não só do povo como o dos pobres, é muito importante para a construção de uma República, não só justa como forte. Há uma certa continuidade entre Maquiavel e Espinosa nesse ponto. Espinosa mostrando que a multitude - classe, grupo livre - nunca se imobiliza, pois, vai-se sempre realizando".

FAR

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