sexta-feira, 14 de março de 2008

Sarkolândia: Neuilly-sur-Haine ou o que parece é…

A nova direita francesa, governada por um psicopata arrivista de alta voltagem, vive horas de grande agitação e ansiedade nas vésperas da segunda volta das Municipais. Só pela descoordenação e barafunda que sacode o estado-maior do PS francês, a derrota dos émulos de Sarkozy não se aprofunda ainda mais.É que Sarkozy perdeu autoridade e na sua cidade-emblema, onde foi mais de duas décadas senhor abosluto, Neuilly-Sur Seine, houve cenas de pancadria nos salões da autarquia de luxo, a mais rica e segregacionista de França, na soirée do anúncio do apuramento dos resultados da primeira volta.

Mesmo com esse handicap de divisionismo tenebroso que mina a credibilidade do actual PSF, a Esquerda hexagonal conseguiu alargar a sua maioria em Paris e, possivelmente, conquistar Toulouse e Marselha, mantendo a sua supremacia na maioria das cidades com mais de 100 mil habitants. O PS mantém Lyon e derrota um antigo ministro da UMP, ao mesmo tempo que na grande coroa de Paris vários altos quadros da direita perderam posições.Por outro lado, Alain Juppé, o intelectual da direita política, conseguiu passar logo à primeira volta, em Bordéus, por maioria absoluta. O que faz com que, no interior do cosmodrama do partido presidencial, surja como alternativa de longo prazo a Sarko.

Os Verdes, parceiros de longa data de uma coligação eleitoral na autarquia de Paris, perderam quase 50 por cento dos seus votantes, por causa de um programa eleitoral fiscal demente, e com a proposta de levantarem portagens nos acessos ao interior de Paris. Bertrand Delanoe, maire socialista de Paris, visa agora altos voos .Se aumentar a proporções da sua vitória eleitoral no Domingo, Delanoe consolida a sua credibilidade para postular ao cargo de líder socialista, onde já se passeiam Ségolène Royal e alguns antigos dos seus apoiantes mais cotados, como Julian Dray. É que a direita sarkozista está em risco de perder dois dos seus mais fortes bastiões, os que lhe restavam de 2001, os bairros do centro, I e V., e o quasi-BCBG, o XV.

Mas vamos para Neuilly-sur-Seine, e tentar relatar o que se passou. E que mereceu grande e destacada cobertura na edição desta semana do Le Canard Enchainé, numa peça intitulada Neuilly-sur-Haine… O que se passou: Sarkozy destacou um seu homem-de-confiança, e xuxu de Cecília, para lhe suceder no cargo de maire. O jovem não tinha carisma, nem era do sítio. As sondagens começaram a ser alarmantes e o estado-maior nacional do partido do PR, UMP, resolveu convencer a o jovem a desistir. Indo recuperar um antigo dissidente do partido, Christophe Fromantin, que se tinha posicionado como alternativa. Pela mão da mãe de Sarkozy, surge um segundo candidato da mesma ideologia, o que revela o “apetite" voraz das classes medias altas pelo caciquismo municipal. O candidato separatista perde poder na primeira volta, ficando a mais de 10 por cento de diferença do candidato apoiado por Sarko. Os ânimos exaltaram-se nos faustosos salões da Mairie, e os adeptos de Fromantin, o líder que entra na segunda volta, desataram à pancada aos separatistas, com insultos anti-semitas e cenas de pugilato que provocaram alguns feridos e levaram a polícia a intervir e a levantar autos.


FAR

2 comentários:

Ana Cristina Leonardo disse...

não fazia ideia que a mãe de Sarko também estivesse na política

Anónimo disse...

A mamã do Nicolas opõs-se ao enlace do filho com a Carlinha,barafustando contra a veia casamenteira do rebento com 52 aninhos...E, em Neuilly, tomou partido contra o candidato afastado-e-reposto, Fromantin,que o partido do seu irrequieto filhote acabou por apoiar...por causa das sondagens favoráveis.O Nicolas anda a dar cabo de tudo...afirmando, sem vergonha nem medo, que é para modernizar a vida política francesa.A coisa é mesmo grave...FAR