quinta-feira, 20 de março de 2008

Doris Lessing ao W.S. Journal: “As mulheres ainda esperam pelo Príncipe Encantado…”

É uma monumental entrevista de Doris Lessing, prémio Nobel da Literatura 2007, ao diário económico norte-americano, The Wall Street Journal. Antecede a publicação, no próximo mês deMaio, de um romance autobiográfico sobre os seus pais, e que se chamará “Alfred and Emily”. Com 88 anos, a escritora assume a sua passada militância no PC, aflora o antigo esplendor da natureza e dos homens na África Austral e reafirma que a guerra civil na Irlanda ainda teve piores e mais dramáticas consequências que a destruição em Manhattan das Twin Towers, em 9 Set. 2001.

Lessing reafirma na abertura da entrevista, as teses que subscreve num dos seus mais famosos livros, “The Golden Notebook”: "Raras sãos as pessoas que se preocupam com a liberdade, com a verdade. De facto, são só um punhado. Poucas pessoas têm coragem, o tipo de coragem de que se deve alicerçar uma democracia. Sem o tipo de pessoas com esta espécie de coragem, a sociedade livre ou não consegue surgir ou morrerá".

Tendo nascido no Irão e vivido a adolescência no Zimbabué, Lessing beneficiou acima de tudo de um forte ambiente cultural na família, rodeada de livros e afincadamente adstrita ao trabalho de leitura, crítica e comentário. Confessa que gostaria de visitar o Irão , mas “não agora”. “Conheço muitos dissidentes iranianos e zimbabueanos, e todos esperam pelo bom momento para irem ver como é”, precisa.

Doris Lessing foi casada duas vezes e teve três filhos. “Continuo a pensar que as jovens em idade de casar esperam pelo Príncipe Encantado. E têm muita razão, porque se pensam em ter filhos, vão precisar da ajuda dele …” Forma surpreendente é o modo como compara a forma e o tom-significado da fórmula do “politicamente correcto” com o modo de ser do velho “partido comunista”, precisando: “São as mesmas palavras, o mesmo estilo. E depois, surge um dogma. Nunca se consegue desenvolver uma ideia, simplesmente. Acho que existe sempre um grupo de fanáticos que se apoderam dela, fazendo dela um dogma”.

FAR

1 comentário:

Ana Cristina Leonardo disse...

doris lessing é aquilo a que eu chamaria um espírito livre. e há poucos