segunda-feira, 31 de março de 2008

Da indisciplina e da violência...

Ainda nem me encontro em solo pátrio e logo me deparo com a pátria...
Aeroporto de Zurique - vôo para Lisboa, atrasado, claro...
1º Quadro
Porta de embarque, a abarrotar de compatriotas. Vozearia, lástimas do queijo apreendido no controle do aeroporto - a vontade de nem abrir a boca para não revelar a minha origem. Meto-me na sala de fumo e fico a olhar para aquela gente que não pára; os meninos divertem-se em acrobacias nos carrinhos onde se transportam as bagagens, gritam, falam alto...
Penso naquele recanto que é Portugal. E descubro os portugueses, distingo os que ali vivem e trabalham dos outros que aqui residem em permanência. É fácil demais. Os portugueses de Portugal são convencidos e arrogantes, mal - educados, olham em frente para se verem no espelho, nada mais.
2ºQuadro
Num vôo que dura duas horas e meia os meninos não páram. Correm pelo corredor do avião como se estivessem em casa, falam alto, jogam freneticamente nas consolas. Os pais enfronham-se numa leitura saudosa do 'Correio da Manhã', revelando os seus ares de 'centralões'. Devoram todos avidamente a 'sandocha' e reclamam mais coca-cola.
3ºQuadro
Na apresentação dos BI's ou passaportes sou recebido por uma pré-tia (portuguesa, claro.) com uma voz desagradável e modos pouco correctos gritando-me que se formem filas.
Os passageiros desorganizam-se e desorientam-se. Perante a perspectiva de não chegar em primeiro ao lugar onde se recolhem as bagagens, impacientam-se. Refilam. Os que trazem bébés vêem nisso o 'furo' e furam efectivamente as filas, logo se lhes juntam os que trazem crianças - as tais que corriam pelos corredores do avião e espalhavam a confusão junto à porta de embarque... - e, também vejo passar por baixo das fitas um respeitável cavalheiro com uma cabeleira muito mais alva que a minha,resmungando: "Ó Chico! 'Bora que senão nem amanhã lá chegamos! Foda-ssse!"
EPÍLOGO
A partir daí tenho observado melhor. E vou continuar.

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