terça-feira, 4 de março de 2008

A guerra e suas justificações

O governo pró-americano da Colombia prepara a guerra na região. Assim de repente, os colombianos descobrem que as FARC acampam no Equador e recebem petrodólares de Chavez. E tem documentos que o provam, tão fiáveis, decerto, como os que demonstravam a existência de armas de destruição maciça no Iraque. Os mecanismos de poder no século XXI são assim: fazem-se nas nossas barbas, e riem da nossa inteligência. A justificação dos actos hoje em dia apenas desqualifica aquele que a produz, e assim, num apenas aparente paradoxo, desintegra a própria noção de Verdade na Política.

15 comentários:

Anónimo disse...

Pelo gosto de participar, de discutir,de ajudar a perceber e interpretar,aqui estou no meu posto. A cena colombo-venezuelana parece ainda muito confusa. E Washington expressou à luz do dia a sua forte vontade em acalmar os ânimos dos dois blocos opostos.
Duas hipóteses em aberto: 1) A região encontra-se em alta do ponto de vista geo-estratégico, com a descoberta de importantes jazigos de petróleo no Brasil; uma importante reunião ibero-americana irá ter lugar no Rio de Janeiro, no final desta semana; onde cada um dos estados-membros deve querer aparecer no máximo de força e vontade nacionalista, se bem entendem; 2)A sucessão de Poutin e a " abertura " desejada em Cuba influenciam o aparente desenvolvimento das intervenções militares com o patrocínio USA, como que a marcar territórios e a tingir pela ideologia imperial/belicista os conflitos regionais de valor simbólico mundial.Claro, li, já, a esta hora, os artigos do F. Times, do NY Times , do Le Figaro e do Libération sobre este diferendo, au ralenti. FAR

Anónimo disse...

verdade na política? em que época isso existiu?

Anónimo disse...

Meu caro FAR, pelo menos uma coisa é certa: Chavez bate o pé ao imperialismo, arroga-se o direito da Venezuela dispor dos seus recursos. Nem que seja só por isso, um grande bem-haja! E outro para o André, já agora. Ao contráio do que pretendem televisões e jornais, a revolta não foi jugulada, e renasce uma vez mais com a Primavera. O status quo nunca foi programa, o "eixo do bem" não dá tuza, e a cartilha neo-liberal tem os dias contados. A única modernidade é a alteração radical e o desejo de absoluto. José Pinto de Sá.

Ana Cristina Leonardo disse...

No meio disto tudo quem se vai lixar mais uma vez são os prisioneiros das FARC que podem dizer adeus ao fim do cativeiro, como é o caso de Ingrid Batencourt, raptada há 6 anos!

Anónimo disse...

Meus caros: Estamos no bom caminho. Blanqui e Bakounine não fariam melhor...no mäelstrom do Blogue! Claro como a água: Ingrid Bettencourt, que toda a Europa reclama, parece estar muito doente. FAR

Anónimo disse...

Eu has vezes fico a pensar se a malta anda a fumar "passsa" a mais ou se estah apenas a viver num mundo que nao existe. A FARC ha muito que deixou de ser "revolucionaria" para serem as Forcas Armadas de Raptores da Cocaina. O seu negocio eh apenas esse: Raptos e vender coca. o Ego Chavez estah a esbanjar a fortuna do pais e a distorcer de tal modo que hoje na Venezuela ha falta de alimentos basicos como ovos, leite, carne etc. A criminalidade aumenta a olhos vistos. Milhares de colombianos estao a sair do pais para o Brasil e ... EUA.No entanto o Ego paga milhoes de dolares aos Raptores da Cocaina para libertarem uns tantos refens alimentando assim o negocio dos "companeros". (tal como pagou milhoes de doalres ah presidenta da argentina naquele escandalo de opereta) Ha um acampamento dos traficantes e raptores no ecuador Ha anos e anos que os colombianos tem dito ao equador onde estao os acampamentos. nada se passou. o que esperam? Nao vai haver guerra nenhuma por uma simples razao. Os comandantes do Ego sao mais realistas que ele e sabem que apanhavam um enxugo de porrada ( alem de porem nesse caso o Lula do lado dos colombianos)
Jota Esse Erre

André Carapinha disse...

«verdade na política? em que época isso existiu?»

A questão não é a de os governos dizerem a verdade ou não, mas a da importância da questão da verdade no exercício da política. P. ex., o focault criou a noção de "mentira ubuesca", no livro que cito uns posts acima (ainda há uns dias vi um interessante colóquio sobre isto com o José Leite Pereira), e que significa mais ou menos o seguinte: em vez da mentira habitual, em que o emissor da mentira tenta convencer o receptor de que é verdade o que não é, este tipo de mentira (cujo exemplo crasso é o das armas de destruição maciça) é dita de tal modo que o receptor tem plena consciência de que o emissor mente. Ora, este mecanismo desvaloriza totalmente o que ainda existia de verdade na Política, pois a mentira clássica corre o risco de ser desmascarada; aqui, a verdade e a mentira já não são, sequer, um objecto da acção política.

André Carapinha disse...

«Eu has vezes fico a pensar se a malta anda a fumar "passsa" a mais ou se estah apenas a viver num mundo que nao existe»

E eu, Jota Esse Erre, acho muito sinceramente que devias mudar o canal em que vês as notícias.

Independentemente dos métodos das FARC, que são em grande medida abjectos, rotula-la de "organização criminosa", como fazes, ou "terrorista", como o Uribe e o Departamento de Estado, não passa da mais baixa propaganda. Acaso o dinheiro do narcotráfico das FARC é para quê? Contas na Suiça? Iates de Luxo? Como é evidente, as FARC são um exército clássico de guerrilha, que controla território, tem objectivos políticos e utiliza os métodos que utiliza.

É igualmente curioso (e acredito que não vejas isso nos noticiários por aí) que te esqueças dos métodos do Uribe, o campeão na América Latina em repressão a opositores (desaparecimento de sindicalistas e líderes índios, prisões de opositores com processos inquinados, recurso sistemático a esquadrões da morte paramilitares), cujo currículo, deixa-me dizer-to em primeira mão, é muito, muito pior que o do Chavez nesses domínios.

Claro que o que interessa é mantér o wishful thinking de que tudo vai bem no reino da Dinamarca, e tudo se há-de resolver "naturalmente". É belo o mundo cor-de-rosa (mas só o mundo a oeste).

Só concordo contigo numa coisa: se não houver guerra será por responsibilidade do Chavez e não do Bush (por extensão do Uribe, que fará sempre o que os americanos quiserem), que está mortinho por ela (mas fazendo-a por interposto país, claro).

André Carapinha disse...

* - «o campeão na América Latina em repressão a opositores»

A seguir ao Fidel Castro.

zemari@ disse...

A solução é simples: voltem à forma original da Coca-Cola.

Ana Cristina Leonardo disse...

Independentemente dos métodos das FARC, que são em grande medida abjectos, rotula-la de "organização criminosa", como fazes, ou "terrorista", como o Uribe e o Departamento de Estado, não passa da mais baixa propaganda. Acaso o dinheiro do narcotráfico das FARC é para quê? Contas na Suiça? Iates de Luxo? Como é evidente, as FARC são um exército clássico de guerrilha, que controla território, tem objectivos políticos e utiliza os métodos que utiliza.

a malta anda mesmo a fumar «passa»

Anónimo disse...

Viva a polémica! Assim, sim, até dá gosto.Ousemos fugir como o diabo da cruz, dos convencidos, dos para-normais, dos idealistas-do-capital-escravos, dos duas-caras, dos medrosos e incapazes de arriscar. Fico satisfeito,portanto, por ver o Blogue a funcionar livre e democráticamente! Em frente e nunca se arrependam, portanto! FAR

Anónimo disse...

Eu nao deixo de me espantar pela incapacidade da "Esquerda" (?) reccionaria pensar objectivamente apesar das suas pretensoes marxistas. Fala sempre comparativemente. Por exemplo: As forcas armadas do Rapto e Cocaina (FARC) de facto raptam para extorquir e traficam coca para existirem mas nao tem iates de luxo (Escangalhei-me a rir com esta!).. O Saddam Hussein massacrou centenas de milhar de iraquianos, torturou outros tantos mas nao eh pior que X, y ou Z. O taliban destrui quadros, estatuas,apoiavam terroristas que massacram milhares de pessoas em redor do mundo (incluindo na Europa), mas ninguem tem o direito de os tirar do poder e eh tudo culpa dos americanos; o Ego Chavez esta a arruinar o pais mas eh anti imperialista (?? Tambem me ri com esta); O negocio familiar do fidel castro reprime, manda centenas de milhar de pessoas para o exilio em jangadas mas o tipo ateh eh um gajo porreiro. Eh a bancarrota da "esquerda" reaccionaria que nao consegue ultrapassar parametros ultrapassados que se mostraram auto destruidores e levaram ao seu aniquilamento e ao vacuo que existe. A "esquerda" reaccionaria continua sem capacidade de resposta para alem dos slogans dos "sim mas" Deveriam auto titular-se "Partido do sim mas". Jota Esse Erre
e como diz o FAR viva a polemica. Pode ser que a "esquerda" reaccionaria tenha novas ideias.

André Carapinha disse...

Jota Esse Erre:

Estás a misturar e a confundir as questões. É uma estratégia clássica.

Eu não falei dos talibans. Também não falei do Saddam. Queres discutir o Saddam ou os talibans? Fine. Façamo-lo. You name the place.

As usual, a estratégia (não necessariamente consciente) dos wishful thinkers, que se revela luminosamente na tua argumentação, assente em duas falácias bem clássicas: a de que a alternativa às nossas asneiras era algo bem pior (como no caso do Iraque), e a de que quem não está (agora) connosco, está (sempre) contra nós (como no caso do Afeganistão).

De resto, não me dás nenhum argumento que justifique as tuas premissas (a de que as FARC são uma organização criminosa e não um exército de guerrilheiros), ou que anule as minhas (a de que o Uribe é bem pior do que o Chavez). Só as velhas e (essas sim) estafadas lenga-lengas sobre a "esquerda reaccionária", a que (apenas) suponho que contraponhas a "direita progressista", mais o "sim mas" que nunca, mas nunca, encontrarás em qualquer argumento meu (desafio-te a procurar no blogue, se tiveres assim tanta paciência).

Ora, perante as supostas "evidências" deixa-me lá contrapor-te uns quantos argumentos: há, como sabemos, genocidas e genocidas, e há uma bitola mediática, que, vá-se lá saber porquê, encontra eco nos wishful thinkers, que tende a graduá-los conforme são mais ou menos amigos. Assim o Saddam foi amigo e passou a genocida. Também a estória do "terrorista" e muito curiosa, e desde há uns anos que é a cortina de fumo perfeita dos estados. Hoje em dia quase tudo o que está contra os interesses do Estado é terrorista: as FARC há uns anos eram guerrilheiros, hoje são terroristas. O PKK há uns anos eram guerrilheiros, hoje são terroristas. Os rebeldes de Xinuan, os Tigres Tamil, idem. Sobre se os métodos dessas organizações se assemelham um bocadinho que seja à definição de "terrorista", nem uma palavra - não interessa, fiquemos com a fantasia.

Mas curiosamente outros fizeram o caminho inverso, como o UCK, ou os curdos iraquianos. E qual é o denominador comum?

Achas que eu sou do "Sim, mas". Eu prefiro qualificar as tuas posições como as do "claro que sim": as FARC são terroristas? Claro que sim. O UCK é composto por democratas? Claro que sim. And so on. Está tudo bem no reino da Dinamarca? Claro que sim.

Ana Cristina:

Quando se define uma organização como "criminosa", está-se a analisar os seus fins: a Máfia é criminosa porque o crime é o seu fim (daí a referência ao enriquecimento, que é o mote quase universal do crime). Pode-se, é claro, julgar os métodos de outros tipos de organizações como "criminosos", mas aí produz-se um juízo ético sobre os meios que utiliza para alcançar diferentes fins.

Mais uma vez reforço que não existe qualquer alminha neste mundo que me consiga dizer que as FARC são uma organização "criminosa" ou "terrorista". Não sei se preciso de fazer uma declaração de intenções e dizer que não concordo com nada do que as FARC fazem, se calhar é melhor, porque daqui a pouco acusam-me de ser do "sim, mas". É que para os do "claro que sim" a verdade pouco vale (mas a verdade ainda existirá?): os seu demónios devem incarnar todos os horrores possíveis, verosimeis ou não.

Anónimo disse...

Sairam totalmente certos os meus vaticínios. E Porquê? Porque me apoio na boa Imprensa e em Blogues( ligados a ela e o Huffington...). Mais uma vez, portanto, se prova como a qualidade de uma Informação depende do rigor e confiança plurais que a veicula e interpreta. Olé. FAR