quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Da Capital do Império

Olá,

Aposto que vocês nunca ouviram falar do Antonio Charfauros. É o presidente do Partido Democrático na ilha de Guam, um território administrado pelos Estados Unidos cujos habitantes não podem votar nas eleições americanas.
Pois o Antonio outro dia perante espanto seu recebeu um telefonema de “um big shot” da campanha da Hilária. E no dia a seguir outro telefonema de um outro “big shot” da dita cuja. E no dia seguinte outro telefonema de outro “big shot”.
O Antonio não diz precisamente quem lhe telefonou mas toda a malta sabe que nos últimos dias o Bill e a sua filha Chelsea e outros voluntários da campanha da Hilária têm estado atarefadíssimos agarrados ao telefone a falar com os “super delegados” à convenção do Partido Democrático. Porquê? Explico:
A Hilária, o Bill e a Chelsea fizeram contas à vida e decidiram começar a fazer aquilo que aí os dirigentes da UEtupia fizeram quando foram derrotados nos referendos sobre a constituição da “Europa”: Demitir o povo. Os dirigentes europeus reuniram-se entre si mudaram o nome ao documento e depois disseram que já não é preciso referendo porque …. não é constituição. (O Sócrates que vos explique!)
A Hilária e o Bill reuniram-se com os peritos fizeram contas à vida e viram que vai ser muito difícil conseguir o número de delegados suficientes para ela ser nomeada pelo que há que começar a namorar os 794 “super delegados” à convenção. Os tais “super” são os congressistas do partido, governadores estaduais do partido, dirigentes estaduais do partido, antigos presidentes (o Bill por exemplo) antigos vice-presidentes etc. O Partido Democrático chama-lhes “super” e todos os quatro anos paga lhes uma viagem ao local da convenção para beberem uns copos, ir a umas boas jantaradas e encher o estádio com muita vibração para a televisão ter boas imagens da coroação do seu candidato.
Mas este ano o Obambi estragou a festa a falar de “mudança”, “esperança” e “unidade” pelo que a nomeação do candidato Partido Democrático às eleições presidenciais vai este ano ser feito por métodos … não democráticos. Vão ser os “super” a decidir. O que vai dar uma guerra civil dentro do partido. O que está já a provocar gáudio dentro do Partido Republicano que (vejam lá a ironia!) não tem “super” só “normal”. O que torna para mim a convenção deste ano do Partido Democrático bem atraente embora eu tenha a dizer que os Democratas são uns forretas porque das vezes anteriores não deram nada de borla aos jornalistas. Nem um café! Enquanto os Republicanos da última vez davam cerveja, hambúrgueres e bolos de chocolate. (Os democratas tinham contudo melhores cantores).
Pode ser que até lá a campanha da Hilária entre em colapso total. Se dentro do Partido Republicano o Benito Adolfo Giualiani tinha feito a Flórida o estado onde tinha que “vencer ou morrer” a Hilária adoptou agora a mesma posição em relação ao Texas e à Pensilvânia. Ela chama-lhe os “firewall states” e parece resignada ao facto de que na próxima semana vai apanhar outra sova em Wisconsin e no Havai. É perigosa essa coisa dos “firewall”! Na Terça-feira ela estava visivelmente de mau humor depois de apanhar uma sova do Obambi na Virgínia, Maryland e Washington. Foi-se embora para o Texas antes de serem anunciados os resultados e nem adeus disse. É mau sinal! O Obambi esse foi para Wisconsin. Dá pelo menos um ar de confiança afirmando em subentendidos: O Texas há-de vir tenho muito tempo para isso.
Vocês recordam-se que estas primárias iriam ser a coroação da Rainha Hilária como sucessora da dinastia clintoniana mas a Hilária está reduzida a apostar nos “grandes estados” e se isso não der resultado terá que confiar nos “super”. O Obambi entretanto vai somando delegados tendo já ganho 22 estados contra 13 da Hilária o que lhe da uma ligeira vantagem no numero de delegados. A crescente atracção do Obambi é óbvia – Norte, sul, leste oeste, o homem ganha em todos os Estados Unidos.
Para mal da Hilária o Obambi começou entretanto a ganhar votos entre os “hispânicos” as mulheres e a classe trabalhadora do Partido. Se isso se aprofundar …. Hasta la vista Hilaria.
O que tenho a dizer não devera acontecer. Vi um estudo da campanha do Obambi (mandada por engano a um grupo de jornalistas!) que diz que tudo vai terminar sem que o Hilária ou o Obambi tenham os delegados necessários para a vitória.
Por isso eu perguntei ao Antonio Charfauros se ele já tinha recebido telefonemas dos “big shot” do Obambi. Ele disse que não mas que aguarda. O melhor é o Obambi começar a mexer-se. Os Clintons, não se deixam convencer por slogans de “mudança” e “esperança”. Trabalham árduo, nunca desistem, sabem jogar sujo e raramente admitem derrota. Vai ser fogo!

Abraços,
Da Capital do Império,

Jota Esse Erre

4 comentários:

Ana Cristina Leonardo disse...

GRANDE, GRANDE texto. Ainda me estou a rir e nem sei como se pronuncia Charfauros
acho que vou roubá-lo de novo...

Anónimo disse...

Tiras-me do sério com as tuas
histórias sobre a "democracia"
da "capital do império"! Um
abraço, JSR!

Nuno Góis disse...

Também concordo que é um grande texto este sobre a inenarrável democracia que há tanto se pratica na "capital do Império".

Anónimo disse...

Ainda agora vi o superdotado Jacques Attali, na France 2, a clamar:Dentro de 5 anitos,a Internete faz o trabalho , mal ou bem, da Imprensa escrita no papel!!!

O texto do JSR com as qualidades e defeitos legendários, ilude/ esconde esta questão: O discurso do Obama é tão vago, suave e mirífico, que ninguém vai acreditar nele, lá mais para a frente das Primárias... Os EUA têem problemas terríveis para resolver, em quase todos os campos.Claro, a posição dos Clinton é um pouco indefensável
e arrepiante de audácia, ao mesmo tempo.Eu até já ouvi falar, no NY Times, em Guerra Civil, directa ou indirecta, por causa das rivalidades intrapartidárias...O JSR,podia esclarecer essas coisas...que mexem com o futuro do Mundo! Bom vento! FAR