terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Das manifestações "espontâneas"

"Um professor está em casa com a família. É sábado. Provavelmente, está combinado um almoço familiar ou um passeio para apanhar sol. De repente, o telemóvel vibra. É uma mensagem. Ele não sabe sequer quem é o remetente, mas tal facto não é importante. Ele não pensa, nem tem que saber quem lhe enviou a mensagem. Apenas se quer manifestar. Despede-se da família e corre para o Largo do Rato. Amanhã pode receber outra mensagem, sem remetente, que lhe diga outra coisa qualquer. E, ele, o professor dos nossos filhos, irá por aí fora, para onde o SMS lhe indicar. Ou não se trata de um professor ou mente. O que nos vale é que estes «professores» são uma minoria."
Tomas Vasques

5 comentários:

Anónimo disse...

Prof's?... Manif's?... SMS's?...
Pedem-se explicações, sr. Vasques!

Ana Cristina Leonardo disse...

Não percebi grande coisa, mas se era uma manif não autorizada, daqui a uns meses, quiça anos, alguém vai levar com noventa dias de cadeia. é verdade que sempre poderá trocar a cadeia por uma multa...

André Carapinha disse...

Dificilmente poderia ter encontrado "crítica" mais abjecta a esta manifestação de "profs", e, só por isso, respondo ao Tomás Vasques (e ao Armando) na forma do post acima.

Tárique disse...

Um professor está na sua mansão na Lapa. É sábado. Acabam de chegar duas "hospedeiras de Portugal" de 18 anos preparadas para lhe satisfazer os mais íntimos desejos. Mas eis que o seu mordomo lhe traz uma mensagem - há manif! Ele nem pensa, mete-se no helicóptero particular e corre para o Largo do Rato. [...]

e agora em "plausível":

Um professor está no seu T0 em Chelas. Já tem 30 anos, mas não consegue colocação - está deslocado, a trabalhar temporariamente, saltando de cidade em cidade, de escola em escola, como desde há 7 anos, quando acabou o curso. Está a contar os tostões porque com a brincadeira da Porta 65 vai ficar-lhe bem mais cara a renda. Telefona a um colega que lhe fala na manifestação. Alinha. Antes disso envia um SMS a um colega seu amigo, com que por vezes na sala de professores partilha desabafos de descontentamento - o prof do texto do Vasques. Mais velho, com 52 anos, família e dois filhos a estudar, tem a progressão na carreira congelada há uma década e não conseguiu ascender à categoria de professor titular apesar da formação paga do seu bolso - disseram-lhe que não há fundos públicos para os centros de formação - porque o presidente do pedagógico (que não é prof titular) que o avaliou tem uma imbirração contra ele. Na prática, vem perdendo poder de compra vai para quase 10 anos. O SMS faz-lhe lembrar os tempos de quando tinha 20 e tais, 30 anos, e pensava que valia a pena lutar para melhorar as coisas [...]

... o resto está no texto do Vasques ...

Armando Rocheteau disse...

Já agora e para terminar esta polémica gostava de dizer que tenho 55 anos,quase 30 de prof.do ensino público, 2 filhos, um deles a frequentar a Universidade, outro no 6º ano de escolaridade (a beneficiar desta política de ensino), fiquei no 9º escalão (isto é já não vou a titular). Não aposto é no quanto pior melhor e em quem cita agora a Benavente, mas anteriormente lhe boicotou as políticas. Não quero ver Luís Filipe Menezes no poder. Por último, estou disponível para debater as questões da Educação ainda que sejam leigos os outros intervenientes. Sugiro um jantar, em Lisboa, numa sexta. É favor trazerem os nºs do insucesso escolar!