terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Alain Robbe-Grillet: a morte aos 85 anos

O escritor preferido dos EUA nos anos 7O, em reacção subliminal contra o militantismo de Sartre e Camus, acabou ontem de morrer vítima de um ataque cardíaco em Caen. Ao contrário do que é habitual, as suas duas primeiras obras - Les Gommes e Le Voyeur, dos anos 60, foram as que mais entusiasmaram a crítica francesa, com destaque para Roland Barthes, Maurice Blanchot e Georges Bataille, que fizeram tudo para que ganhasse um Prémio destacado em 1955. Igualmente , no Cinema, a sua grande obra de parceria com Alain Resnais, “O ano passado em Marienbad”, de 1961, marca o apogeu da sua prática cinematográfica. De formação técnica, Robbe-Grillet fundou uma Escola formalista e não política, Le Nouveau Roman, donde sairia um Prémio Nobel, Claude Simon, e uma romancista-visceral lacaniana de fama mundial, Marguerite Duras.

"L'écrivain Alain Robbe-Grillet est décédé lundi à l'âge de 85 ans au centre hospitalier de Caen, où il avait été admis durant le week-end à la suite d'un problème cardiaque.

Né le 18 août 1922 à Brest, ingénieur agronome (il mena des missions à l'Institut national de la statistique à Paris, puis fut ingénieur à l'Institut des fruits et agrumes coloniaux au Maroc, en Guinée française, à la Martinique et à la Guadeloupe), Alain Robbe-Grillet est l'auteur de plusieurs dizaines de livres, dont Les gommes (1953), Le Voyageur (prix des critiques en 1955), Dans le labyrinthe (1959), La Belle captive (1976), Djinn (1981), Angélique ou l'enchantement (1988), Les derniers jours de Corinthe (1994), La Reprise (2001) et d'essais comme Pour un nouveau roman (1963). Son dernier livre, Un roman sentimental, est paru à l'automne 2007.

Il fut dans les années 1950-1960 l'une des figures de proue du «nouveau roman» autour des Editions de Minuit, dont il fut conseiller de 1955 à 1985. Il fut également membre du Haut comité pour la défense et l'expansion de la langue française (1966-1968). Professeur à New York University et à Washington University, il dirigea le Centre de sociologie de la littérature à l'université de Bruxelles de 1980 à 1988. Elu le 17 mars 2005 à l'Académie française, il n'avait jamais été «reçu» et n'a jamais siégé sous la Coupole.

Alain Robbe-Grillet a été l'un des principaux théoriciens et auteur du «Nouveau roman», mouvement dont les auteurs (Michel Butor, Samuel Beckett, Claude Simon et Nathalie Sarraute figurent parmi les plus connus) donnent à imaginer plutôt qu'à voir, refusant les récits linéaires d'une intrigue.

Il fut également auteur et metteur en scène de films comme L'immortelle (1963), Trans-Europ-Express (1967), Glissements progressifs du plaisir (1974) ou "La belle captive" (1983). Il a écrit le scénario de L'année dernière à Marienbad (1961) d'Alain Resnais.
Il était marié à la romancière Catherine Robbe-Grillet.
"
Libération

FAR

7 comentários:

Anónimo disse...

Todos estes esforços são meritórios. Apesar de não existir uma afirmativa discussão. Aliàs, em relação a W.Benjamin, que morreu ao tentar passar a fronteira de Hendaye em Setembro de 1940, seria bom de examinar as relações assimétricas que ele teve com Adorno e Horkheimer. De qualquer modo, este texto citado é dos mais exemplares.

O busílis da questão, no entanto, para lá de um historicismo muito determinista e pesado,prende-se com a " rectificação tentada por K. Marx, sobre o conceito fundamental do sistema capitalista, que apontava para uma diminuição correlativa e simultânea da taxa de lucro e da taxa de exploração. ..O que se revelou falso,conforme C.Castoriadis analisa no II. Capitalisme Moderne et Révolution.
FAR

Ana Cristina Leonardo disse...

seria bom de examinar as relações assimétricas que ele teve com Adorno

não foram relações assimétricas, o Adorno foi um pulha.

André Carapinha disse...

Meu caro FAR: a meu ver, nada tem a ver com "um historicismo muito determinista e pesado".

A meu ver tem a ver com uma consciência aguda da crise da História, no sentido em que a História é sempre Crise, ou seja: no sentido em que a História é a história dos mortos. Justamente o Horkheimer escreveu: "Os mortos estão mortos". E contra ele o Benjamin elaborou essa magnifica versão do marxismo-que-mistura-a-teologia, ou seja: o sofrimento de todos os mortos do passado pode ser redimido pela sua rememória no presente, e isso se entendermos o que significa o método do Materialismo Histórico: aquele que faz juz à terrivel dor e sofrimento dos mortos, e repudiando as "estórias" dos vencedores, identifica claramente a História não como um campo neutro mas como um motivo maior de análise (agora desenvolveriamos muita coisa, sobretudo a questão das "imagens históricas" e dos "objectos históricos", mas adiante.). Terreno em que, por mor do Materialismo (reforço o conceito) Histórico, avançamos para lá da história dos vencedores e redimimo-los recuperando a sua "imagem", contra a "narrativa histórica" que serve a ideologia do esquecimento (embora eu tenha escrito umas 10 vezes "mortos", a verdade é que dificilmente algum aspecto do marxismo não conómico é tão frutuoso, e está tão actual, como este)

André Carapinha disse...

«marxismo não conómico»

Económico, evidentemente

André Carapinha disse...

Já agora, o Benjamin não "morreu ao tentar passar a fronteira de Hendaye em Setembro de 1940", mas sim suicidou-se ao chegar a essa fronteira, após acabar de escrever estas teses "Sobre o Conceito de História" - matou-se à vista da liberdade.

(Isto não é, obviamente, relevante para a discussão, mas é importante para entender a personagem).

Anónimo disse...

WB. tentou atravessar a fronteira, foi apanhado pelos esbirros de Franco, tomou morfina para se suicidar, na noite de 26/9 de 1940, e faleceu horas depois. Hannah Arendt num livro elegíaco a ele dedicado, sublinha acima de tudo o lado esmagador da imensa sensibilidade artística de WB.Sabe-se da vida errante e poética, com amores incompatíveis e absolutos, que WB viveu e procurou, em Berlim, Kiev,Paris, Riviera francesa e italiana, and so on.
Como tento estar atento, agora compreendo a aversão da Ana Cristina L. a Freud, Lacan e lacanianos...pelo que escreveu contra Adorno e companheiros de exílio.FAR

Anónimo disse...

Meus caros: Vamos avançar? Algumas achegas sobre os conceitos de Estado, de Revolução e da dupla Materialismo Histórico/ Materialismo Dialéctico, segundo Cornelius Castoriadis.
Sobre o Estado." A Revolução nunca se livra da ameaça/sombra dessa peça central do imaginário político moderno, o Estado. Digo bem, o Estado: aparelho de dominação separado e centralizado-não o poder ";

Sobre o partido bolchevique: " A construção dessa máquina para a conquista do Estado testemunha da dominação imaginária estatista. E também da supremacia do imaginário capitalista: tudo se passa como não houvessem alternativas. Nunca é demais realçar,o facto de que Lénine inventou o taylorismo 4 anos antes de Taylor.O livro de Taylor é de 1906, o Que faire? é de 1902/03".

Sobre o MH/ M.Dialéctico: " O periodo moderno(1750/1950,para fixar as ideias), pode ser o que define melhor a luta,mas também a contaminação mútua e a sobreposição de estas duas significações imaginárias: a Autonomia, de um lado,e a expansão ilimitada do " controlo racional", do outro.Que asseguram uma coexistência ambígua sob o tecto comum da " Razão ". Na sua acepção capitalista, o sentido da Razão torna-se claro: é a compreensão( o Verstand, no sentido de Kant e de Hegel), isto é, o que chamo de lógica de conjunto-identitária, incarnando-se essencialmente na quantificação e conduzindo-nos até à fetichização do " crescimento " por ele-próprio ".In C.Castoriadis LesCarrefours du Labyrinthe, Vol. III, págs. 158/163 e 11/25.
Bonne Chance! FAR