segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Manifestar-se faz o professor (2)

Ainda sobre a polémica dos SMS: este sábado, milhares de professores manifestaram-se sem aviso prévio, em convocatórias através de blogues e, sobretudo, SMS. Desta vez já custou mais ao Sócrates considerar que "não eram professores mas militantes de outros partidos". O que é curioso nestes processos de intenções contra quem se manifesta, é que quando são os sindicatos a organizar, acusa-se-lhes, e muitas vezes com razão, de estarem ao serviço de agendas partidárias. Mas quando se dispensa os sindicatos (de um modo que estes não deixam, inclusivé, de temer), então culpa-se a mão invisível que escreve os SMS. Como sempre, o que nunca é valorizado é a capacidade de cada um pensar pela sua cabeça, e livremente decidir se quer ou não aderir a esta ou aquela manifestação, convocada desta ou daquela forma.
Mas o que é incontestável, por muito que custe a alguns, é que estas manifestações que escapam ao controlo dos sindicatos são ainda mais perigosas para o Governo. Elas revelam que o mal-estar e o descontentamento dos professores vai muito para além de lógicas sindicais e partidárias, e é um sintoma do desastre da sua política educativa, que conseguiu alienar das ditas "reformas" os agentes mais importantes na Educação. Se algum ministro supõe que consegue fazer uma "reforma" com sucesso (no sentido em que o objectivo da reforma seja melhorar a Educação, o que é muito discutível) colocando contra si a quase unanimidade dos professores, arrasando com a sua motivação, minando a sua autoridade, então temos mesmo de dar crédito às alegações de certos opinion makers: este Governo vive fechado numa redoma de tecnocratas, que independendentemente dos objectivos ideológicos que persigam, nem sequer são capazes de entender a realidade.

7 comentários:

Tárique disse...

:)

Anónimo disse...

Não podia estar mais de acordo: “o descontentamento dos professores vai muito para além de lógicas sindicais e partidárias… que conseguiu alienar das ditas "reformas" os agentes mais importantes na Educação.”
A ministra da educação bem tenta, na sua pose de mãos unidas à nossa senhora e com timbre de corista, quando pede encarecidamente que compreendamos a sua mensagem, pois a sua política é boa…

Quem criou a grande confusão foi o governo, ao dizer que os professores não queriam ser avaliados.
O que de facto os professores não querem é que se substitua um sistema de avaliação INEFICIENTE, por outro, que é CAÓTICO. Na administração pública também criaram um sistema de avaliação, que foi efémero porque era mau, mas que serviu para promover os apaniguados, enquanto a muitos outros lhes era sumariamente passada a guia de marcha.
Não interessa a política da pastilha elástica, do mastiga e deita fora.

Armando Rocheteau disse...

Na polémica que aqui houve não se contestava, pelo menos da minha parte, o direito à manisfestação. O que esteve em causa foi a tentativa de se anular um outro direito, o direito de reunião em sede partidária. Foi assim que entendi o post, que transcrevi, do "Hoje há Conquilhas".

Ana Cristina Leonardo disse...

Armando, espreita isto:
http://almocrevedaspetas.blogspot.com/2008_02_01_archive.html#8342531402392998550
(não sei pôr o link directamente na caixa de comentários, tenho de investigar como se faz)

Armando Rocheteau disse...

Ana Cristina:
Leio com alguma regularidade o Almocreve, muito por uma conversa que tivemos. Gosto quando fala da livralhada. Abomino a apreciação da política actual.
Estava preparado para uma conversa borgeseana/bartheseana e percorri todos os alfarrabistas em busca do Teixeira Gomes. Vamos tomar um chá e eu vou, noblesse oblige, ter de defender o Engª e as políticas da Educação

Anónimo disse...

A AC-L. deve ser nossa Convidada Especial Permanente no Blogue, como é evidente.O estatuto permite--lhe manter o seu Blogue, como acontece com o agora(!) pacato e inspirado Maturino Galvão...A AC--L. tem uma fibra de grande lutadora, de grande finesse e pertinácia, e tem-nos acompanhado de uma forma muito livre e autónoma,além de ter revelado deter recursos filosóficos e políticos para nos acompanhar na Grande Transformação do Espaço Público da Doxa e Paradoxa Lusitana. FAR

Ana Cristina Leonardo disse...

Armando, quanto ao Teixeira Gomes não era preciso. Tenho para aqui a livralhada dele. Quanto à defesa do Sócrates, isso já não vai lá com chá nem com argumentação borgeseana/bartheseana. O homem dá-me urticária. Estou disponível, ainda assim, para o embate.
FAR, muito obrigada.