segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Shelby Steele: Obama tem que se revelar

Shelby Steele, sociólogo da Universidade norte-americana de Stanford, acaba de publicar um ensaio espectacular sobre Barack Obama, “Um homem prisioneiro, porque somos atraídos por Obama e por que é que não pode vencer”, na Free Press Editions, de Nova Iorque. O correspondente do Libé fez com o autor uma importante entrevista, clicar aqui, se quiser estar a par do que realmente interessa.

Steele, cuja tese principal é que Obama ainda não se revelou, ideológica e programaticamente, frisa que o candidato democrático rival de Hillary Clinton, “esconde-se por detrás de um discurso vazio, sem substância…Fala de esperança, de mudança, de futuro…Para permitir aos Brancos projetarem nele as suas aspirações. É refém disso. Porque logo que revelar o que é realmente, a sua ideologia, perderá toda a sua magia e a sua popularidade”

O especialista de Stanford afirma mesmo, sem subterfúgios: “Só ganhará, ou não, a partir do momento em que começar a revelar-se. Ignoramos tudo sobre: ele:não diz quando realizará intervenções militares; o que pensa da doutrina da guerra preventiva e da discriminação positiva”.

Steele vai mais longe e sublinha ainda: “É sentido como um Messias que salvará a América de 4 séculos de divisões raciais. Os brancos são por agora o eleitorado natural de Barack Obama. Os negros foram ambivalentes, desde o princípio. Ele afirma que transcende a questão racial e é essa a razão para votarem nele”. O especialista precisa, no entanto: “A raça não tem importância. Quando Carl Stokes foi eleito o primeiro autarca negro de uma grande cidade Americana (Cleveland,1967), toda a gente dizia que isso iria abalar toda a cultura americana. Na realidade, era só um autarca negro. E era tudo. A raça não conta. O que importa, é o que sois, em que acreditais, não a cor da pele".


FAR

1 comentário:

Manuel S. Fonseca disse...

Armando, tem graça que um candidato negro (à americana) seja uma folha de papel em branco. E recordo-te que era o que se dizia da Greta Garbo - uma folha em branco na qual os espectadores projectavam as suas idealizações...