quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Depois da idiotice, a ignorância enquanto ponto de vista

O João Luís Pinto acha que uma mluher que engravide contra a sua própria vontade só pode ser negligente.
Passo a explicar que uma mulher que tome a pílula sempre sem falhar tem uma probabilidade de 0,1-1% de engravidar (nos sites mais leigos é mais ou menos isto que vem. Ou seja, em mil mulheres plenamente capaz, que tomam regularmente a pílula, de uma a dez podem engravidar. O senhor João Luís Pinto, como é uma pessoa nobre, acha que estas mulheres devem ter o filho contra a sua vontade porque o senhor João Luís Pinto não quer pagar os seus abortos. Prefere assim, empurrá-las para a ilegalidade, para os riscos de infertilidade, infecção e morte.
A minha pergunta a esta gente é esta: quanto custa uma mulher? Quanto é que é muito? O que é pagar muito para uma mulher não ter os riscos? A mulher, a filha, a prima, a amiga do senhor João Luís Pinto tem preço? Gostaríamos de saber quanto.
Outra e outra vez, lembro que esta gente está relacionada com os sectores que não querem educação sexual nas escolas, e são as pessoas que querem gente com menos do ordenado mínimo (condições - como todos sabemos, ideais para uma educação sexual segura e infalível).

7 comentários:

Tárique disse...

Uma curiosidade minha em relação à eficiência da pílula :

quando se diz que é 0.1% eficaz significa isso que em 1000 mulheres funciona perfeitamente em 999 e não funciona de todo em 1?

Ou significa, groso modo, que em 1000 cópulas 1 resulta em gravidez?

É que se é este último o caso, será de esperar que qualquer mulher que tome a pílula, com parceiro fixo, etc. possa engravidar acidentalmente uma ou duas vezes em 10 anos.

Ou é mais complicado que isto?

Priscila disse...

Ótimo blog. Já está nos meus favoritos.

Saudações da terra da garoa, São Paulo, Brasil.

zemari@ disse...

Esse Pinto nunca há-de chegar a garnisé e muito menos a galo.
Dá é imenso galo.

E espero que não tenha mulher, filhas, primas ou amigas porque, coitadas, "educadas" por ele, só devem ver cinzento no arco-íris.

Klatuu o embuçado disse...

Não percas tempo, na próxima coloca só a foto da criatura e, por baixo, «CRISE DE IDIOTIA AGRAVADA, Nº[?]»... não uses é o megafone, como se toda a gente à Direita tivesse votado NÃO no referendo.

Ana Cristina Leonardo disse...

Vamos supor que sou negligente. Nesse caso, sou obrigada a ser mãe por negligência? Vamos supor que engravidei num dos tais casos em que a pílula falhou. Posso abortar?
Ou a questão é: o Estado paga se a pílula não funcionou e não paga se a mulher for negligente?
Mas vamos supor agora que apanho uma pneumonia porque tomei banho em Carcavelos no dia 31 de Janeiro. Não será este um caso de negligência em que o Estado me devia remeter para o Hospital da CUF e é se queres?
Parece-me a mim que por trás desta noção de negligência esconde-se uma visão do SNS = Seguradora, em que o Estado nos obrigaria a assinar uns papéis onde, em letras pequeninas, está escrito que se comermos gorduras, não frequentarmos um ginásio, fumarmos, sairmos à rua sem chapéu de chuva no Inverno, tivermos mais de 50 anos, etc., o SNS não se responsabiliza pela nossa saúde.
A não ser que essa questão da negligência esconda mesmo uma oposição à possibilidade das mulheres abortarem e, nesse caso, a conversa não é séria. Porque quem nunca tiver sido negligente (homens incluídos), que atire a primeira pedra.
E eu nem sou muito a favor dessa coisa a que chamam educação sexual nas escolas (pelo menos, na versão, vamos lá meninos e meninas a aprender como se fazem ou não se fazem os bebés...)

Gabriela Ludovice disse...

A Natureza não tem botões que se liguem/desliguem segundo as nossas intenções ou desatenções, é completamente alheia ao curso dos mundos individuais quando se trata das grandes questões das espécies: Nascer e Morrer. Pertencendo a ela, de modo irremediável sentimo-nos injustiçados e só a tecnologia que nos permite erguer-lhe infantilmente o indicador, nos parece estar do nosso lado, esse, o das nossas vontades civilizadas.

Gabriela Ludovice disse...
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