terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A idiotice enquanto ponto de vista

Um ano depois, temos os anti - escolha ainda mal - dispostos. Normal, quando já a bafienta imagética religioso-salazarista foi deitada abaixo.
Temos assim, pessoas que acham que há um objectivo de abortos a cumprir, como se andássemos a bater a porta das grávidas a sugerir um aborto. É um bocadinho deprimente - no sentido em que temos de lutar contra "pontos de vista" que não são mais que "idiotice", ter que explicar que, quanto muito, há um objectivo de abortos LEGAIS para abater o aborto CLANDESTINO. E sim, cada aborto clandestino que passar a aborto legal e seguro é uma vitória.
É engraçado agora perguntar a esta gente o que é que desejam: que a lei volte para trás? Propor um referendo pela penalização da mulher? Mas havia tanta gente do "Não" com aquele discurso tão a meio campo do "não-mas-também-não-queremos-as-mulheres-presas". Digam lá, então. O que é que propõem?
É ainda delicioso, como se dizia ontem no jantar de comemoração de um ano da vitória do "Sim", que haja quem diga que são feitos muitos e outros poucos. Digam-nos só uma coisa: muitos ou poucos em relação a quê, se antes não havia dados?

O que nós não esquecemos é que os mesmos que querem o aborto ilegal são os mesmos que acham que devia haver gente a poder viver com menos que o ordenado mínimo (eufemisticamente, gostam de dizer que "o ordenado mínimo é um entrave económico"). Esses sim, uns pró-vida. E de qualidade!

2 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Mais engraçado que isso, é o CDS querer saber quais as mulheres que fizeram mais que um aborto neste ano de vigência da lei, e se, os médicos, nesses casos, podem evocar a objecção de consciência.

Aborto? Só um por ano, eis uma ideia. Talvez seja necessário criar taxas moderadoras para refrear o consumo deste novel produto médico.

Olé pelo CDS - como diziam os portugueses, no reinado dos Felipes.

zemari@ disse...

Afinfa-lhes m., porque eles sabem o que dizem... e o que fazem e querem fazer.

Para estes fdp's "para ainda pior, está bem, está bem. Para péssimo, não basta assim".