sexta-feira, 2 de setembro de 2005

Reflectir sobre o caos (Parte II)

Devemos também reflectir mais uma vez sobre as consequências da nossa atitude perante o Ambiente sobre nós próprios, mais uma vez trágicamente expostas em toda a dimensão da catástrofe. Num excelente editorial no PÚBLICO de hoje, Nuno Pacheco diz tudo: "A destruição de Nova Orleães começou antes de o Katrina chegar (...) A falta de investimento no reforço dos diques (...), as políticas urbanísticas expansionistas à custa da destruição de zonas húmidas e do litoral, a extracção sistemática de gás e de petróleo, a contrução, em parte desordenada, de sucessivos nós de transportes ferroviários, rodoviários, marítimos, fluviais e aéreos muito fizeram para que se viva o drama presente (...) O Mississipi (...) viu o seu delta afundar-se cerca de 90 centimetros em 100 anos". Eis algo que intuitivamente reconhecemos: falta de investimento; destruição da zona costeira; extracção de matérias-primas; construção desenfreada- não vos lembra algo muito próximo? Não admira, o projecto é o mesmo em todo o lado, só mudando a graduação, que obviamente tem o seu auge nos Estados Unidos. Eis a realização do sonho capitalista, eis o projecto ultraliberal, eis o mito de que o mercado se auto-regula destruidos de um ápice por um vendaval de verdade.

5 comentários:

André Carapinha disse...

Caro asriel:
Se acha que ser uma "superpotência mundial" é sinónimo de uma sociedade desenvolvida, ou seja, de uma sociedade de paz, progresso, redistribuição, cultura, qualidade de vida, então das duas uma: ou não percebeu nada da história e da realidade mundial e dos EUA em particular, ou as suas prioridades são diferentes das minhas.

André Carapinha disse...

Aliás, Bush, o herói do ultraliberalismo, está-se nas tintas para o ambiente porque isso contraria os interesses dele e dos seus amigos do petróleo. Logo, está-se nas tintas para os habitantes de New Orleans.

Anónimo disse...

Para mim, ultra liberalismo é a designação politicamente correcta de capitalismo selvagem.

Anónimo disse...

Outra "anti-americanada" primária, básica e tendenciosa. Caro Sr.André, já foi à América, não por uns dias, mas muitas vezes, longas estadas, ou mesmo trabalhar lá? Caro Asriel, a ex-URSS era uma super potência, e só fez disparates e atrocidades,(para não dizer merdas), desde os direitos humanos ao ambiente... Ser poeta e utópico na politica, é "giro", mas ás vezes temos aterrar no mundo real.

André Carapinha disse...

Caro anónimo, "anti-americanada"? O Nuno Pacheco do PÚBLICO é insuspeito de ser anti-americano. Parece-me que estamos a entrar aqui no típico sindroma de rejeição: não se pode falar dos EUA, que somos logo anti-americanos. Leu o post? A sério? É que não parece. Nele falava-se de ambiente para se concluir que o que por cá se faz também se faz no maior país do mundo. Surpresa? Só para os desatentos, porque essa é a forma de actuar do capitalismo rapinante (vulgo: ultraliberalismo), agora e desde sempre. Espantoso é alguns acharem que um sistema de organização que legitima qualquer iniciativa individual e se está nas tintas para o interesse comum possa ser benéfico...para o interesse comum. Mas isso é lá com eles.

Caros asriel: estou esclarecido, de facto não percebeu nada.