Homem Novo Precisa-se
Muito se tem comentado e escrito sobre os cortes aos direitos adquiridos de vários profissionais do Estado, quer funcionários públicos, quer agentes de órgãos de soberania, como os Juízes. (...)
Mas, vejamos o seguinte. Portugal recebeu, durante anos, cerca de um milhão de contos por dia da Europa e alienou grandes quantidades de ouro que se encontravam no Banco de Portugal, aforrado pelo "Antigo Regime". Passados 31 anos e depois de termos beneficiado de tais privilégios, comparados apenas com a descoberta do ouro no Brasil, em que estado o Estado está? Falido, puro e simplesmente falido. E não há processo de recuperação que lhe possa valer. Se o país fosse uma sociedade anónima e os nossos políticos fossem os administradores desta sociedade, alguém duvida que tinham sido todos exonerados dos cargos por incompetência? (...)
António Ferreira Ramos
*
Os privilégios dos Juízes Conselheiros
No Expresso de 17.9.05, discorre o Sr. Advogado António Marinho sobre os privilégios dos juízes e eu, como Juiz Conselheiro, pelos vistos também sou um privilegiado.
Tenho a sorte de me levantar às 07:30 e chegar pelas 08:30 ao Tribunal de Braga, onde trabalho de empréstimo num gabinete que, necessariamente, terei de deixar se ele for preciso ao Tribunal. Divirto-me a trabalhar até às 13 horas, altura em que vou almoçar e regresso ao divertimento até às 20 horas, muitas vezes até mais tarde, sendo necessário que a minha
mulher me chame para jantar porque, frequentemente, me esqueço, tamanha é a alegria no trabalho; muitas vezes, regresso ao Tribunal, depois de jantar, onde me divirto até às 23/24 horas. Como sabe, mas se não sabe eu digo-lhe que, desde 24.9.04, altura em que tomei posse, já relatei 84 processos (todos os processos que me foram distribuídos) e subscrevi, como Adjunto, cerca de 170: como vê não sou "madraço" como se disse numa reunião da sua Ordem Distrital, onde o Sr. Advogado participou, segundo se relatou na imprensa. Este ritmo ocorre todos os dias e na maioria dos fins-de-semana e feriados, quer chova quer faça sol, menos às quintas-feiras. (...) Chega, então, a quinta-feira e, para fugir ao ritmo habitual, levanto-me às 05:30, seja Verão seja Inverno, para ir apanhar o Alfa ao Porto. Então aí sim, "usufruo de viagens totalmente gratuitas “incluindo, obviamente, os comboios Alfa"; de burro, como o fez, há anos, António Costa, não chegaria a tempo à sessão. (...)
Custódio Pinto Montes
Muito se tem comentado e escrito sobre os cortes aos direitos adquiridos de vários profissionais do Estado, quer funcionários públicos, quer agentes de órgãos de soberania, como os Juízes. (...)
Mas, vejamos o seguinte. Portugal recebeu, durante anos, cerca de um milhão de contos por dia da Europa e alienou grandes quantidades de ouro que se encontravam no Banco de Portugal, aforrado pelo "Antigo Regime". Passados 31 anos e depois de termos beneficiado de tais privilégios, comparados apenas com a descoberta do ouro no Brasil, em que estado o Estado está? Falido, puro e simplesmente falido. E não há processo de recuperação que lhe possa valer. Se o país fosse uma sociedade anónima e os nossos políticos fossem os administradores desta sociedade, alguém duvida que tinham sido todos exonerados dos cargos por incompetência? (...)António Ferreira Ramos
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Os privilégios dos Juízes Conselheiros
No Expresso de 17.9.05, discorre o Sr. Advogado António Marinho sobre os privilégios dos juízes e eu, como Juiz Conselheiro, pelos vistos também sou um privilegiado.
Tenho a sorte de me levantar às 07:30 e chegar pelas 08:30 ao Tribunal de Braga, onde trabalho de empréstimo num gabinete que, necessariamente, terei de deixar se ele for preciso ao Tribunal. Divirto-me a trabalhar até às 13 horas, altura em que vou almoçar e regresso ao divertimento até às 20 horas, muitas vezes até mais tarde, sendo necessário que a minha
mulher me chame para jantar porque, frequentemente, me esqueço, tamanha é a alegria no trabalho; muitas vezes, regresso ao Tribunal, depois de jantar, onde me divirto até às 23/24 horas. Como sabe, mas se não sabe eu digo-lhe que, desde 24.9.04, altura em que tomei posse, já relatei 84 processos (todos os processos que me foram distribuídos) e subscrevi, como Adjunto, cerca de 170: como vê não sou "madraço" como se disse numa reunião da sua Ordem Distrital, onde o Sr. Advogado participou, segundo se relatou na imprensa. Este ritmo ocorre todos os dias e na maioria dos fins-de-semana e feriados, quer chova quer faça sol, menos às quintas-feiras. (...) Chega, então, a quinta-feira e, para fugir ao ritmo habitual, levanto-me às 05:30, seja Verão seja Inverno, para ir apanhar o Alfa ao Porto. Então aí sim, "usufruo de viagens totalmente gratuitas “incluindo, obviamente, os comboios Alfa"; de burro, como o fez, há anos, António Costa, não chegaria a tempo à sessão. (...)Custódio Pinto Montes
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Afronta
Afronta. É a palavra que melhor se ajusta para classificar o aviltamento que tem sido feito aos profissionais forenses. Embora existam excepções, podemos dizer que 98% dos Juízes, dos magistrados do Ministério Público e dos oficiais de justiça dedicam-se em sacrifício pessoal, da sua vida, da sua saúde, do seu lazer, da sua família, a uma causa relativamente à qual nunca recebem qualquer louvor, acabando agora por ser os bodes expiatórios da péssima legislação que os órgãos executivo e legislativo têm asnaticamente produzido e multiplicado, mas que, por ignorar a realidade dos Tribunais, apenas conduz à sua maior degradação. (...)
Joel Timoteo R Pereira
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Afronta
Afronta. É a palavra que melhor se ajusta para classificar o aviltamento que tem sido feito aos profissionais forenses. Embora existam excepções, podemos dizer que 98% dos Juízes, dos magistrados do Ministério Público e dos oficiais de justiça dedicam-se em sacrifício pessoal, da sua vida, da sua saúde, do seu lazer, da sua família, a uma causa relativamente à qual nunca recebem qualquer louvor, acabando agora por ser os bodes expiatórios da péssima legislação que os órgãos executivo e legislativo têm asnaticamente produzido e multiplicado, mas que, por ignorar a realidade dos Tribunais, apenas conduz à sua maior degradação. (...)
Joel Timoteo R Pereira
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3 comentários:
O último relatório do Conselho Superior da Magistratura, orgão supremo desta abjecta corporação a quem se chama "Justiça", fez uma classificação muito desfavorável à eficiência e desempenho da maioria dos tribunais. Algo vai muito mal, quando os "Sobas da Corporação" já não conseguem esconder a total ineficácia da justiça portuguesa. Quanto aos "escritos" apresentados neste post, confesso que já esgotei todas as caixas de lenços de papel Kleneex....Já os óculos escuros escondem os meus olhos inflamados..Vão trabalhar, se não se importam, e deixem-se de merdas. O António Marinho é que tem razão...
Se a Justiça tirasse a venda, atiráva-lhes a Balança à cabeça, desembainhava a Espada e "decepáva-os" de fio a pavio, exigindo-lhes, de dois em dois anos, uma avaliação psicotécnica independente.
Chumbou? Vai estudar durante um ano, é reavaliado e perde um ano na carreira.
Muitas soluções são de carácacá e todos, nos diversos sectores, as conhecem e sabem como aplicá-las.
Mas "tá queto ò meu".
E se nesse rodopio eu me estampo?
E quando o pó assentar, continuo a ter uma cadeira. Melhor ou pior?
E os filhos?
Mais a prestação de...
Pelo menos, como estamos sei as linhas com que me coso.
E "Lá vamos, cantando e rindo
Pela voz do som tremendo, das tubas, clangor sem fim
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