Os resultados das eleições alemãs deixaram a direita blogosférica à beira dum ataque de nervos. Diriamos mesmo que estão a fazer birra; já sonhavam com a grande vitória das "reformas" de Merkel, com o fim do Estado Social alemão e a abertura dos sistemas públicos à fúria rapinatória das multinacionais da saúde, dos seguros privados, dos consórcios de educação, onde o "mercado" iria operar o milagre da multiplicação dos recursos- iria prestar melhor serviço conseguindo aumentar o lucro á custa, obviamente, de ninguém (de ninguém que eles conheçam, acrescentamos nós); e eis que o povo alemão, que pode ter muitos defeitos mas a quem não convém acusar de burro, lhes tira o tapete oferecendo a maioria à Esquerda! Daí que rapidamente a birra se tenha tornado em delírio; há um que no mesmo post acusa os alemães de serem "neo-egoístas" (o que quer que isso seja) e de não pensarem nos filhos por não aceitarem que o lucro rapinante e o individualismo se substitua à responsabilidade social do Estado e à ideia de Comunidade, e que depois diz que as eleições provam que a hora dos liberais está a chegar (e porque não dos neo-comunistas?); outro, acossado por altas febres, diz, rediz e acredita que o Estado Social alemão foi fundado por Hitler. Mas que confusão, blasfemos! Está mesmo visto que não conseguem perceber o que seja o Estado Social, acredito que por nunca dele terem tido necessidade. Confundir este conceito com o Estado opressivo, açambarcador e opressor do fascismo? Será preciso fazer um desenho para que o tal de CAA perceba que a função do Estado Social é assegurar um mínimo de condições de sobrevivência a qualquer cidadão, promover a redestribuição da riqueza utilizando o conceito do imposto progressivo sem prejuízo do direito de propriedade, ou promover a mobilidade social através da diferenciação positiva dos mais pobres? E, atrevo-me a perguntar ao distinto ideólogo, onde e em que momento viu Hitler promover uma medida que fosse que respondesse a um só destes desígnios? Regojizemo-nos, companheiros, com estes momentos singelos que revelam o desespero delirante dos nossos adversários. Mas mantenhamo-nos alerta, porque embora tenha sido ganha uma batalha, são eles que estão a ganhar a guerra.quarta-feira, 21 de setembro de 2005
Alemanha- o impasse, o delírio
Os resultados das eleições alemãs deixaram a direita blogosférica à beira dum ataque de nervos. Diriamos mesmo que estão a fazer birra; já sonhavam com a grande vitória das "reformas" de Merkel, com o fim do Estado Social alemão e a abertura dos sistemas públicos à fúria rapinatória das multinacionais da saúde, dos seguros privados, dos consórcios de educação, onde o "mercado" iria operar o milagre da multiplicação dos recursos- iria prestar melhor serviço conseguindo aumentar o lucro á custa, obviamente, de ninguém (de ninguém que eles conheçam, acrescentamos nós); e eis que o povo alemão, que pode ter muitos defeitos mas a quem não convém acusar de burro, lhes tira o tapete oferecendo a maioria à Esquerda! Daí que rapidamente a birra se tenha tornado em delírio; há um que no mesmo post acusa os alemães de serem "neo-egoístas" (o que quer que isso seja) e de não pensarem nos filhos por não aceitarem que o lucro rapinante e o individualismo se substitua à responsabilidade social do Estado e à ideia de Comunidade, e que depois diz que as eleições provam que a hora dos liberais está a chegar (e porque não dos neo-comunistas?); outro, acossado por altas febres, diz, rediz e acredita que o Estado Social alemão foi fundado por Hitler. Mas que confusão, blasfemos! Está mesmo visto que não conseguem perceber o que seja o Estado Social, acredito que por nunca dele terem tido necessidade. Confundir este conceito com o Estado opressivo, açambarcador e opressor do fascismo? Será preciso fazer um desenho para que o tal de CAA perceba que a função do Estado Social é assegurar um mínimo de condições de sobrevivência a qualquer cidadão, promover a redestribuição da riqueza utilizando o conceito do imposto progressivo sem prejuízo do direito de propriedade, ou promover a mobilidade social através da diferenciação positiva dos mais pobres? E, atrevo-me a perguntar ao distinto ideólogo, onde e em que momento viu Hitler promover uma medida que fosse que respondesse a um só destes desígnios? Regojizemo-nos, companheiros, com estes momentos singelos que revelam o desespero delirante dos nossos adversários. Mas mantenhamo-nos alerta, porque embora tenha sido ganha uma batalha, são eles que estão a ganhar a guerra.
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4 comentários:
Foi Bismark que arrancou com o início do estado social na alemanha ao criar um sistema rude de reformas, mas foi o Hitler que o implementou a um nível quase escandinavo.. Agora.. SÓ para puros-sangue arianos...
E conseguiu-o, utilizando a economia de lastro, retirando toda a propriedade e qualquer direito aos não-arianos e utilizando essa riqueza, que durante a guerra passou a vir dos territórios ocupados, para financiar uma agressiva política de igualitarismo social entre os arianos.
Só nos dois ultimos anos é que começou a haver problemas vísiveis na qualidade de vida alemã-ariana, graças principalmente aos bombardeamentos aliados da infraestrutura de transportes...
Enquanto isso o alemão comum ficava calado pois o regime tinha-lhe dado uma segurança de vida que a crise da républica de Weimar e a derrota da 1ªguerra lhe tinham tirado... "Os bons velhos tempos de Bismark..."
Caro André Esteves: está tremendamente mal informado sobre as caracteristicas do estado hitleriano, e está a repetir um mito ultraliberal que carece completamente de fundamento.
Em primeiro lugar, e antes de passarmos ao acima dito, queria-lhe perguntar que "estado social" era esse se, como diz, seria um estado social só para arianos. Será como criarmos um "estado social" em Portugal só para lisboetas, ou em Espanha só para castelhanos, ou seja, por princípio, não é estado social nenhum.
Em segundo lugar, se compreender minimamente as origens do conceito de "estado social" saberia que mesmo papagueando as blasfémias sobre o Bismarck, não está a falar dum "estado social" enquanto conceito definido, apenas de concessões sociais que foram dadas aqui e ali tanto na Alemanha como (ainda mais) em Inglaterra e nos EUA em resposta à crise aberta pelos vários socialismos, uma espécie de "compra" dos trabalhadores ou, noutra perspectiva, o resultado visível das suas lutas.
Deveria saber que o conceito de "estado social" nasce, isso sim, com o "new deal" americano, e que é após a II guerra que se estende ao resto do mundo ocidentalizado através de Bretton Woods e da institucionalização do keynesianismo. A coincidencia que existe com o estado hitleriano é apenas ao nível da falência das soluções hiperliberais e disciplinares do pós- I guerra mundial (fordismo e taylorismo). A resposta, como é evidente, é completamente diferente: o nazismo é uma mistura de capitalismo agressivo e paralização das mutações sociais que cria justamente uma ilusão de "cristalização" do presente: não há mobilidade social, não há redestribuição: há um papel a cumprir por cada cidadão e um férreo controlo por parte do aparelho estatal de qualquer movimentação da sociedade, de modo que Hitler pode afirmar sem que ninguém se espante que "o Reich durará mil anos"- o devir está parado, cristalizado no presente à maneira do sonho heideggariano. Estado Social? Não vejo onde. Diga-me v.
O keynesianismo, ou seja, a teoria do Estado social clássico, pelo contrário, não pode ser mais diferente: trata-se de uma tentativa de suavizar o capitalismo através de medidas de controle e restrição com o objectivo de minorar os (inevitáveis) efeitos destrutivos deste. Daí o imposto progressivo, instituições reguladoras das distorções do mercado (BM, FMI, a própria ONU) ou as prestações sociais (a propósito: onde existiam prestações socias na Alemanha hitleriana? O que acontecia aos que não podiam trabalhar?)
Não confundir, todavia, a questão do estado social clássico com a moderna questão sobre o mesmo. Se o clássico era um passo em frente no avanço do domínio do Capital necessário à extensão do domínio imperial, hoje é um obstáculo à transformação presente, em que o Capital necessita urgentemente de não ter mesmo nenhuma pátria, e nenhum controlo, logo, nenhum estado. Por isso mesmo é que o defendo hoje, porque a alternativa presente ao estado social é a vossa "anarquia do capital", ou seja, o salve-se quem puder.
Ò Esteves: ADOREI.
É a História de Pernas Para O Ar.
Ou como ver a História pelo lado que se gosta mais ou dá mais jeito.
Alemanha/República de Weimar:
Eleições 1928 ----*--- Eleições 1932
SPD - 31% ------------ 20.4%
KPD - 10% ------------ 16.9%
NSDAP/Nazi- 2% ------- 33.1%
*1930/31 - golpe militar
O Salazar também era o "Esteves", porque em qualquer grande inauguração com o "Tatonas" (Thomaz)e tudo, o povo perguntava: "E o Salazar?"
"Não está. Esteve cá ontem", dizia o PIDE.
Mensagem ao mundo:
Ver http://diesuk.exblog.jp/
Adenda:
golpe militar = assassinatos e prisões em massa.
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