segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Sinais


Desenho de Maturino Galvão  Posted by Picasa

3 comentários:

Anónimo disse...

Entrar no Novo Ano com as News Politics do Truthout.Com. É esta uma via salutar para saber mais e melhor.Pois, apòs o artigo tirado a ferros do Robert Frisk, deparei com mais um, entre vários também do incomparável NYTimes, sobre a corrida para o enforcamento de Saddam realizada pelos homens a soldo da dinastia(sic) Bush, pai e filho.

O artigo intitula-se " Bush silencia um perigoso testemunho " e é assiando por Robert Parry, especialista nos crimes e violações cometidos pelo poder político, à escala mundial.

Qualquer destes textos e narrativas afasta-nos para milhares de Kms das sórdidas, absurdas e letais crónicas da Imprensa Portuguesa, em fase moribunda na tabela de vendas...

Ora, Parry frisa:" Como nas cenas da Mafia em que o gang principal elimina todos os principais elementos que sabem demais, GW Bush acaba de assegurar que não assistirá a ver Saddam Hussein num tribunal a testemunhar sobre potenciais escândalos devastadores, que poderiam ameacar o legado da Família Bush ".

E mais este excerto: " O enforcamento de S. Hussein era suposto ser - como o NY Times observou- o final da invasao do Iraque imposta por GW Bush.(...) Ele silenciou a única testemunha sobre os cruciais capítulos da secreta história que derivou da Revolucao Iraniana em 1979 até ao sinal verde dado pelos americanos e sauditas a Hussein para atacar o Irão um ano depois ". Com o fornecimento de armas químicas negociado pela dupla Rumsfeld/Gates... na época.

Assim se faz a história... dos vencedores com as mãos cheias de sangue. FAR

Táxi Pluvioso disse...

Dei uma vista de olhos no Truthout. Reparei que por lá pastam os modernos fazedores de opiniões para que nós, os pobres de espírito, tenhamos “food for thought”. Tenho alguma dificuldade em reconhecer estes novos gurus – passei da fase do “guruísmo” para a do “fuckitallismo”, porque no fim do dia, os cães ladram enquanto não lhes pagam melhor e a caravana dos poderosos passa com festa e fanfarra. Para ser sincero, no que diz respeito à “truth”, prefiro a “truthiness” de Steven Colbert, aquela verdade que vem dos “guts” e não “from books”, é mais fácil de digerir com duas pastilhas Rennie. E é aquela que está mais adequada a uma época que não sairá as portas do estádio. Fisicamente pela adrenalina do jogo, e mentalmente porque todos pensamos a partir de ideias preconcebidas (escolhemos a “equipa do coração” que será defendida até à morte – os bushistas defenderão Wbush, os rumsfeldistas, Rumsfeld, os segolenistas, Ségolène, os socratistas, Sócrates, os ruivelosistas, Rui Veloso, os iutuistas, os U2, os sportinguistas, o Sporting…). A nossa época baniu a razão como fonte de interpretação da realidade e instituiu a “Vontade de Poder”. O instinto do “Übermensch” para dominar do cume da montanha – os cinco segundos de fama, nem que seja como figurante nos “Morangos com açúcar”.
No entanto, o enforcamento de Saddam teve uma coisa boa. Deu origem ao melhor filme do ano. Com qualidade de imagem má, não tinha efeitos especiais, nem montagem elaborada, foi filmado num único “take”, mas aqueles segundos de imagem valeram a guerra e torna supérflua a fogueira das vaidades dos Óscares deste ano. Que melhor filme para ocupar a cimeira prateleira cinematográfica junto do “Brokeback Mountain” que o “Brokeneck Dictator”?
Depois de tanta palavra em inglês termino com uma frase do grupo brasileiro Ratos de Porão: “vivendo cada dia/ mais sujo e agressivo”. Para a próxima prometo uma citação de um intelectual de gabarito para não parecer que sou um javardo cultural. Não é que tenha muita consideração pelos intelectuais ou pelo gabarito (para mim, por exemplo, só existem dois poetas portugueses: Herberto Hélder e Adília Lopes – o resto são riscos menores. E também não entro na Gulbenkian para ver o Souza-Cardoso. Espero que digitalizem os quadros para imprimir em folhas A4). Quero dar apenas um bom-tom ao escrito com “opiniões abalizadas” (para me manter dentro da linguagem futebolística).

Anónimo disse...

Mister Táxi Pluvioso: Volto com prazer a falar consigo.Acho que v. tem muita piada, bom gosto e uma iniludível bagagem cultural muito acima da média. O que é optimo para todos e para o Blogue em-si. Considero-o mesmo a grande revelação do ano 2006 nas " nossas " bandas, hic et nunc. Posto isto,sobre o Truthout. Com. New Médias: acho que tem que ultrapassar a falsa impressão dos primeiros momentos. É uma espécie de cooperativa mundial de articulistas/especialistas de alto gabarito. Acho que todos se pautam por cânones de rigor ético e deontológico imaculados. Circulam todos pelos grandes jornais que fazem o Mundo: NY Times. Guardian, Los Angeles Times, Washington Post, Newseek, Le Monde, Libé, and so on. Pessoas como o Seymour Hersch ou o Tom Friedman não avalizam negócios escuros ou pecaminosos. Portanto, temos que os ler para avançar e tentar fazer ainda melhor. Fugindo da escandalosa mediocridade portuguesa: veja-se a degenerescência de casos como os de Fernando Dacosta, José António Saraiva ou Vicente Jorge Silva, para já não falar nos epígonos dos neo-cons, com matutino e revista com o titulo copiado de uma revista do PRepublicano yankee... Por aí é que não se vai a lado nenhum, nem se aprende nada. Circulo vicious deus!!!
Ao abordar a realidade portuguesa, penso sempre naquele conjunto de textos do Jorge de Sena-intitulados" O Reino da Estupidez "- onde está tudo dito sobre a nossa arte de ser e viver mal, antropologicamente analisado e dito de uma forma caustica e profunda. Mas sei, felizmente, que você, meu caro, cedo se libertou dessas grilhetas e se postou no curso da heteronomia mais produtiva e irónica. Salut! FAR