" Suponhamos que num país industrial desenvolvido A , a produção por unidade de uma mercadoria necessita uma despesa de 60 unidades de trabalho morto ou realizado (capital constante: máquinas, matérias primas) e de 40 unidades de trabalho actual ou dinâmico, portanto 20 unidades de trabalho pago ( capital variável: compra da força de trabalho) e 20 de trabalho não pago (mais-valia)".
" Suponhamos igualmente que num país menos desenvolvido B, onde por consequência se empregam menos máquinas e mais trabalho actualizado, a produção desta unidade exige 50 unidades de trabalho morto e 60 de trabalho vivificante (repartido por 30 unidades de trabalho pago e 30 de não pago)".
" Cada unidade da mercadoria produzida em A terá um valor de 100 ( 60+20+20); a produzida em B, terá um valor de 110 (50+30+30) . Mas sobre o mercado mundial existe em princípio um preço único para cada produto. Se esse preço único for, no nosso exemplo ( supondo que só os países A e B produzem a mercadoria em jogo, e que os volumes de produção são iguais), de 105; por consequência, os capitalistas de A realizarão um lucro de 25, superior à mais-valia que extraíram dos seus operários, enquanto que os capitalistas de B realizarão um lucro (de 25 igualmente) inferior à "sua" mais-valia".
"O mecanismo que está na base deste fenómeno, que foi apelidado por Marx de taxa prévia de lucro (ou formação de uma taxa de lucro médio); revela-se pelo facto de que os capitais de composição orgânica diferente produzem não um lucro igual à mais-valia realmente produzida na empresa, no ramo industrial ou no país no qual cada um está inserido, mas um lucro médio calculado na base da relação da mais-valia social (ou mundial), total do capital social (ou mundial) total".
" Deste modo, se o total do capital mundial empregue num ano na produção é de 500 biliões de dólares, de que 250 se situam nos EUA, e se a mais-valia extraída aos operários é de 100 biliões, a taxa média de lucro será de 20% (100/500) e os capitalistas americanos realizarão um lucro de (20x250/100)= 50 biliões, mesmo se a mais-valia realmente extraída aos operários americanos não ultrapassar os 30 biliões. Eles absorvem deste modo 20 biliões mais da " sua " mais-valia, e esses 20 biliões constituirão a parte da mais-valia que os patrões dos outros países extraíram aos seus operários e de que não se podem apropriar porque ultrapassa a taxa média do lucro".
" A soma do capital dispensado na produção de uma mercadoria e o lucro médio correspondente realiza o preço de produção da mercadoria em questão. É em torno desse preço da produção, e não em torno do valor da mercadoria ( capital+ mais-valia), que oscilam, em função da oferta e da procura, os preços reais do mercado. Tudo isto enquadrado no domínio do capitalismo concorrencial. A aparição dos monopólios, as alterações geoestratégicas do mercado mundial e os fenómenos de estatização/ liberalização condicionantes acrescentam a este postulado modificações profundas. Por consequência, os países menos desenvolvidos, onde a composição orgânica do capital é mais baixa, são explorados pelos outros, e isto pelo mecanismo da taxa prévia de lucro, mesmo se eles não têm relações comerciais directas com os mais fortes ".
In C. Castoriadis, La révolution contre la bureaucratie, Págs. 25/ 153.Edt.10/18.France
FAR
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