"Vivemos actualmente num mundo em que estão constantemente presentes estas significações imaginárias - liberdade, igualdade - o que revela, ao mesmo tempo, uma enorme contradição. Se as encararmos no seu rigor e profundidade veremos que, em primeiro lugar, longe de se excluírem uma à outra, como o repete um discurso mistificador que circula há mais de um século, elas estão implicadas uma na outra e que, em segundo lugar, também estão longe de terem sido alcançadas mesmo nas ditas sociedades " democráticas ". Na realidade estas sociedades constituem regimes de oligarquia liberal".
"A respeitável 'filosofia política' dos nossos dias tapa os olhos com uma venda quando colocada perante esta realidade enquanto, ao mesmo tempo, é aliás incapaz de fornecer uma verdadeira discussão filosófica dos fundamentos desse sistema oligárquico. Por exemplo, não descortinei em lado nenhum uma discussão, digna desse nome, acerca da metafísica da 'representação' ou acerca dos partidos que são o verdadeiro centro de poder nas sociedades modernas".
"Que é feito dos Direitos do Homem, da Igualdade, da Liberdade? Deveríamos proclamar, como o fez Burke aos revolucionários franceses, que não existem direitos do homem, mas direitos dos ingleses, dos franceses, dos americanos, dos suíços, etc.? Encontraremos saída para esta situação? Só é possível uma mudança se ocorrer um novo despertar (somente neste caso e em mais nenhum outro), se começar uma nova fase de densa criatividade política, o que implica, por sua vez, a saída da apatia e da privatização que caracterizam as sociedades industrializadas contemporâneas".
In C.Castoriadis, A Ascensão da Insignificância,(págs 141/3) Editorial Bizâncio.Lxa.
FAR
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