Marie Iègo, correspondente do Le Monde em Moscovo, revela pormenores picantes da polícia política russa, que mudou de sigla seis vezes em 90 anos de maquiavélica desenvoltura...Três quartos da actual elite russa tem curriculum registado na antiga KGB, hoje FSB.
Ano Novo, vida Nova: será que a cena da blogosfera nacional está a dizimar a paupérrima qualidade da Imprensa lusa sobre Política Internacional? Tudo leva a pensar que sim. Isto é uma roda-viva de crescente qualidade: GLQ Limiano a postar textos de alta qualidade sobre as futuras presidenciais americanas; o 2+2=5 a levantar, exaustivamente, o véu das grandes manobras das presidenciais da Primavera, este ano em França; o Cinco Dias a imprimir reflexões ditirâmbicas e hiper trabalhadas sobre o futuro da política e dos partidos, com incursões ao real da cena mundial; e tudo o que, de muito meritório e gratificante, Francisco José Viegas, assinala em " A Origem das Espécies ", sobretudo em relação à transformação do Brasil em potência cultural e política de primeira grandeza. E tudo o mais não será nem deve ser esquecido...
Marie Iègo, que já conhecemos pela garra e coragem dos seus textos, escreve clicar aqui sobre a irresistível subida ao aparelho de Estado dos homens da antiga KGB, hoje FSB (Serviços Federais de Segurança). Que o antigo tenente-coronel kgbista, Wladimir Putin, não se cansa em promover, proteger e propulsar: como " órgãos democráticos do poder " e, por causa disso, a terem a primazia no mundo da política, da alta administração e dos negócios da opulenta Rússia dos anos 2000.
O FSB tem uma missão de contra-espionagem e destaca que, em cinco anos, mandou prender mais de duas dúzias de cientistas, que passaram para o exterior informações ditas " estratégicas". O PR russo estabeleceu o dia nacional do agente secreto, a 20 de Dezembro, data que celebra a sua criação em 1917, hoje marcada por cerimónias nacionais de homenagem aos melhores feitos realizados pelos ex-companheiros do número 1 do Kremlin.
" Desde há algum tempo, na Tv, nos romances, o herói popular apresenta os traços de um" agente " secreto. Não se acantonando de modo nenhum só na área cultural, o FSB estendeu os tentáculos sobre múltiplos domínios da sociedade, até às taxas do álcool, por exemplo, de que se ocupa directamente ", aponta a jornalista. E ainda mais: " Os seus membros estão representados em todos os escalões políticos no interior da administração presidencial, no governo e à frente das Regiões ". Segundo a socióloga Olga Krychtaovskaia, num livro sobre a " Anatomia da Elite Russa", acrescenta a jornalista, mais de 3/4 dos membros da élite no poder apresentam no seu curriculum traços de uma passagem nos "órgãos" ( KGB, FSB ou GRU). Recentemente foi inaugurada nos arredores de Moscovo, uma central da secreta militar (GRU), cujo custo rondou os 350 milhões de dólares.
Depois de passagens mais ou menos longas no FSB, na SRV ou na GRU, os agentes atacam as altas administrações das empresas e conglomerados, com recomendação especial do Kremlin, segundo a socióloga atrás mencionada. Por exemplo, na Gazprom, monopólio russo do gás e " instrumento político " do poder, 17 ex-membros do FSB/KGB figuram nos seus directórios de topo. " Vir do KGB ou ter conhecido o presidente na época em que este trabalhava na autarquia de St-Petersbourg são os dois critérios que conta para as nomeações ", frisa outro expert-sociólogo, Alexei Moukhine, autor de diversas obras sobre a classe dirigente russa.
Segundo revela a jornalista, a FSB intervém de forma capciosa na elaboração das leis sensíveis na Douma(Parlamento), como na que tentará obstruir o acesso de firmas estrangeiras nos sectores "estratégicos" da economia, ou na visando a restrição das actividades das ONG. Igualmente, o FSB recuperou o serviço de guardas-de-fronteira. E depois de 10 de Julho passado, pode intervir fora da Federação Russa, a pedido do Presidente. E não se sabe se este aumento de prerrogativas irá chocar com as do GRU e as da espionagem externa (SRV). E, talvez o mais sinistro ainda, o FSB passou desde esse dia a assegurar " a segurança dos sistemas de Informação e de Telecomunicação dos sectores vitais ", entre outros, a TV.
Marie Iègo nota que Ieltsin teve que " escolher " para PM um de quatro grandes espiões do antigo KGB - Serguei Kirienko, Evgueni Primakov, Serguei Stepachine e Putin - de acordo com a lição de que a salvação só poderia vir dos tchequistas, considerados como os mais honestos e dedicados ao serviço do Estado. " É neste contexto que Vladimir se impôs" face às marionetes do " capitalismo de rapina ", postula.
FAR
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