Graças à excelente intervenção da Dra. Maria José Alves em debate hoje na TSF fiquei a saber que desde 1998 para cá morreram 4 mulheres em Portugal vítimas do aborto clandestino. E nenhuma com mais de 10 semanas de gestação. Qualquer uma destas mulheres estaria viva se o resultado do referendo tivesse sido outro. O aborto pode (e deve) ser discutido em termos jurídicos, filosóficos ou históricos, como já o foi aqui por mim, em termos do direito da mulher ao seu corpo ou do estatuto do embrião, mas independentemente disso, antes de tudo isso, é um problema de saúde pública; e esse é o ponto essencial da sua legalização. Arrisco dizer que a grande maioria dos defensores do Sim tem muitas reservas, se não for mesmo contra, o aborto no seu caso pessoal; simplesmente, não tapa os olhos e se resguarda em inúteis questões de princípio quando a realidade está aí para nos confrontar com a vida real, não com ideais de vida, por mais belos e justificados que pareçam ser.
4 comentários:
Os homens devem empenhar-se neste referendo com a valentia dos bravos soldados da NATO, porque, dentro em breve, poderão engravidar e sentir os prazeres da maternidade (as dores de parto e as propinas da universidade).
Uma equipa internacional liderada por um português (os portugueses estão em todo o lado como o Calgon e Deus) está na fase final da implantação do útero num voluntário, que será fecundado com espermatozóides fornecidos por Woody Allen, falta apenas decidir o ponto de saída da criança. A linha dura da Organização Mundial de Saúde discorda que se faça buraco novo, a mais frouxa exige igualdade de sexos, mas parece que a posição conciliadora, que se propõe alargar o existente, vencerá.
Assim, no dia 11, têm de decidir se querem ir a Espanha fazer o desmanche e, na mesma viagem, aproveitar aquele casamento especial que eles lá têm, ou ficar por cá e abortar numa clínica perto de uma cervejaria.
Very funny
Mas se te encontrasses grávida (o), sem ninguém, com quem contar, sem dinheiro para ir a uma clínica em espanha, os estudos para acabar, um pai incompreensível e retrógrado, uma mãe que não quer problemas, um namorado que nem quer ouvir falar de bébés, uma sociedade que ainda recrimina as mães solteiras, a tua vida estragada por uma noite de perdição...porra! não nasci para isto
Caro(a) Anónimo(a) das 6:51:
Estou completamente de acordo consigo; no entanto, penso que talvez não tenha entendido o humor corrosivo do Taxi Pluvioso... E que o Taxi também deve estar de acordo consigo (embora não possa falar em nome dele).
E a coisa ainda é mais negra. Com a videovigilância não podemos deixar o enjeitado na porta da igreja sem ficar registado/a numa câmara e ser apanhado/a pela nossa ardilosa bófia.
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