
(Foto tirada de www.allposters.com)
População de Pangim seguiu com muita atenção, alvoroço e comoção a visita do Presidente dos índios
Boa Moeda e Má Moeda
Guardado todo o respeito constitucional devido ao Presidente da República, pronto, já está, vêmo-nos compelidos a catalogar a visita oficial de Cavaco Silva à Índia no extenso capítulo dos um inevitáveis ‘desfavores’ a Portugal. E não exactamente, segundo a multidefendida tese, em razão do vazio cultural da legação belenense. Pelo contrário.
Já bastavam as consequências de uma missão estribada, como soe dizer-se, em pouco trabalho de casa e numa gaffe inadmissível.
Isto é, em vez de enquadrar a visita na realidade da Índia do século XXI- resultou patética aquela proposta de jv na esfera IT; dizem que a terra tremeu entre Bangalore e Hyderabad- a ex-metrópole foi-se a medo, de figa feita atrás das costas, propor uma permuta. Vocês esquecem aquelas cousas de Goa, embora não tenham razão, dão-nos algum graveto, e nós abrimos, à surrelfa, de noute, as portas da cidade UE.
Tomados daquela simpatia que habitualmente sucede aos ataques de riso, gostaríamos de dizer que esta insensatez é natural quando, fruto da ignorância ou da optometria, desviamos as leis da natureza do seu campo próprio. Vide a encefalopatia espongiforme bovina.
Aparentemente, os responsáveis pelo design da investida lusitana ao Indostão inspiraram-se no douto teorema ao abrigo do qual o pré-candidato Cavaco combatera a toxicodependência no PSD: a má moeda expulsa a boa moeda. Logo, a má história expulsa a boa história. QED.
Está mal. Devem ler, como diz o FAR, ler, ler muito, e ler para além da hagiografia lusitana. Recomendamos, desde já, “Goa and The Blue Mountains” de Richard Burton, 1851. E depois é ir por aí for a até às biografias de Nehru.
Por fim, esclareça-se por que temores não partilhamos da tese do défice cultural.
Estando nos antípodas da postura cosmopolita, descomplexada, ilustrada- para o nosso gosto, coreografadamente descuidada, quási operática-, e sempre bem acompanhada de Mário Soares, Cavaco Silva jogou prudente, por um lado, e compatível, por outro.
Furtou-se ao inevitável cotejo com o seu antecessor e não deixou aos humores da fadista Kátia Guerreiro a escolha de uma amostra da cultura contemporânea portuguesa. Quem sabe o que poderia estar escondido nas pregas do xaile de dona Kátia. ? Um grupo de frades amestrados, os rouxinóis de Chelas, compadres alentejanos? Valores seguros como o são os campeões nacionais de acordeão e os de pequenas e grandes harmónicas? Glórias de sempre como o Trio Odemira e o sempiterno Anel de Noivado? Tony Carreira? Os Los Santeros, mesmo em final de carreira? Margarida Rebelo Pinto? Os trinta primeiros prémios da Bienal de Carrazeda de Ansiães? Os vinte da Barreirale 2005?
JSP
PS: Na próxima semana trataremos da supracitada ‘gaffe inadmissível’. De como poderia ter afectado a visita à China de Sócrates e as razões porque não a compromete, nem belisca. Lá está, a diferença entre a má moeda e a boa moeda.
4 comentários:
Portugal é o reino da foleirice máxima: vemos a maliciosa Leonor Beleza na comitiva com as cores da India trajando; e depois os nossos proto-capitalistas de trazer por casa a fazerem de lords da batata...Isso tem que fechar para obras:e é pena que Cavaco lá esteja para castigar, reprimir e tentar endireitar. É certo que Soares e Sampaio pouco souberam fazer para ultrapassar a irremediável mal`arte de ser portuguesa: sem ideias, sem esforço e assolapando-se à custa do parceiro mais velho, para o trair na esquina e roubar os misérimos louros que a ele pertenciam. Damos voltas ao miolo e com oa vertigem da Mundialização não sabemos onde enquadrar Portugal.Vemos países europeus pequeninos e com história como a nossa- Suiça, Bélgica, Hoalnda, Luxemburgo - na maior. Com futuro e com condições para defrontar todos os desafios. Agora Portugal: parece ser uma grande interrogação o seu futuro. O que nos deixa prostados e por terra... pois, às tantas, pelas andanças do demónio, os portugueses facilitaram que os países pequenos atràs mencionados pelo incentivo de Portugal- vero ou ilegal- nos ultrapassassem e sem pudor se adiantem. Percebido? FAR
Tenho ando fora das notícias presidencias, talvez por ver os Telejornais quase sempre sem som, e nos jornais não lhes pego para não sujar as ideias com tinta. Mas que diabo foi essa gaffe?
El Profesor Cavaco Silva, el mejor Presidente de la Republica Portuguesa
Lusitania Felix
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