sexta-feira, 18 de abril de 2008

Post com dedicatória

Quero

Quero que todos os dias do ano
Todos os dias da vida
De meia em meia hora
De 5 em 5 minutos
Me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
Creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
E no seguinte,
Como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
Que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
Pois ao dizer: Eu te amo,
Desmentes
Apagas
Teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
Isto sempre, isto cada vez mais.

Quero ser amado por e em tua palavra
Nem sei de outra maneira a não ser esta
De reconhecer o Dom amoroso,
A perfeita maneira de saber-se amado:
Amor na raiz da palavra
E na emissão,
Amor
Saltando da língua nacional,
Amor
Feito som
Vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
Inexoravelmente sei
Que deixaste de amar-me,
Que nunca me amaste antes.

Se não disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamoamo,
Verdade fulminante que acabas de dentranhar,
Eu me precipito no caos,
Essa coleção de objetos de não-amor.



Carlos Drummond de Andrade

10 comentários:

Anónimo disse...

É para a penca?

Anónimo disse...

mas que merda é essa da penca que anda por aqui desde há uns dias? algum pássaro migratório?

Anónimo disse...

a penca responde.
migartória era a tua tia arara

Anónimo disse...

Eu só sei é que a penca é uma pessoa detestável e pelos vistos acho que toda a gente adora gozar com ela ainda bem que todos gozamos

Anónimo disse...

"Dinheiro perdido,nada perdido;
Saúde perdida,muito perdido;
Carácter perdido,tudo perdido"

Anónimo disse...

Se é penca ou não, não sei. Mas que que este post é um grito desesperado de amor, parece, parece...

Anónimo disse...

Eu já vi este post para outros narizes!

Anónimo disse...

Será que a penca é cocaína ? ou será uma naja?

Armando Rocheteau disse...

O post por mim dedicado não se destina certamente a anónimos sem penca e muito menos a quem não entende a poesia de D. de A.

Anónimo disse...

A todos que não se sentiram amados na infância:
Encantarmo-nos connosco próprios não só é normal como desejável.Mas ter fantasias de grandeza e omnipotência revela que, no fundo ,há em nós uma grande falta de amor.
Jaime Graça Machado

Dedicado ao Armando Rocheteau

TOADA DO AMOR


E o amor sempre nessa toada!
briga perdoa perdoa briga.
Não se deve xingar a vida,
a gente vive,depois esquece.
Só o amor volta para brigar,
para perdoar,
amor cachorro bandido trem.
Mas,se não fosse ele,também
que graça a vida tinha?
Mariquita,dá cá o pito,
no teu pito está o infinito.

Carlos Drummond de Andrade


Um beijo
















































































dedico este poema ao meu querido amigo