quarta-feira, 23 de abril de 2008

Da Capital do Império

Olá!

A Hilary Clinton é como a Glen Close no filme “Fatal Attraction” e como o Robert Mugabe no Zimbabué. Não se vai embora pois tal como muitos dos movimento de libertação de outrora pensa que tem o direito inalienável ao poder, que o povo lhe deve isso. E cada vez que volta vem armada com tudo o que tem à mão para destruir aquele que diz amar.
Tal como se esperava a Hilária venceu o estado da Pensilvânia na Terça Feira à noite com uma vantagem de dez por cento de votos o que deixa o Obama um pouco abananado e o Partido Democrático agora sem saber o que fazer face à perspectiva de um esvaír de sangue lento. O candidato Republicano John McCain, regozija-se de gozo face ao espectáculo e ganha tempo para consolidar as bases republicanas (que o vêm com cepticismo) angariar fundos e preparar com calma a sua campanha..
Até agora os Republicanos têm mantido a sua artilharia calada seguindo o princípio de que não se mata um homem que está prestes a cometer suicídio. E se a Hilária vencer dentro de duas semanas no Indiana o suicídio é quase certo. Nesse caso a guerra civil vai rebentar dentro do Partido Democràtico com consequências graves não só para as aspirações do partido na Casa Branca como para os seus planos de aumentar a maioria no Congresso. Vejamos o que se passa:
Apesar da sua vitoria na Pensilvânia continua a ser matematicamente impossivel à Hilária ultrapassar o Obambi em numero de delegados e em número de votos alcançados em todos os estados. Com nove eleições primarias ainda por disputar a Hilária precisa de vencer todos esses estados com mais de 60 por cento dos votos para o poder alcançar o que é praticamente impossivel caso a campanha de Obama não entre em colapso total.
Mas dada a impossibilidade de Obama atingir o número de delegados requeridos para vencer automaticamente a nomeação na convenção partidária em Agosto, serão os chamados “super delegados” quem irão dar os votos decisivos. Esses “super delegados” são os legisladores federais e estaduais, governadores estaduais, antigos presidentes e vice presidentes e dirigentes do partido aos diversos níveis do país. São portanto os “apparatchiks” ou como se dizia em Moçambique os “balalaicas” que vão decidir.
A Hilária, com a sua terceira vitória consecutiva, vai continuar a argumentar que o Obambi não consegue ganhar nos grandes estados vitais para as presidenciais de Novembro. Mais do que isso a Hilária vai argumentar que a campanha do Obambi não consegue atraír aquela faixa do eleitorado necessária para se derrotar McCain em Novembro, nomeadamente as mulheres brancas, os operários brancos e a velhada branca. Por outras palavras o Obambi, que iniciou a sua campanha como transcendendo raça e outras “divisões” está cada vez mais a ser encurralado pela trituradora máquina clintonista numa faixa eleitoral que ele tem que evitar a todo a custo se quer ter qualquer chance de bater John McCain. Essa faixa eleitoral é a do eleitorado negro, jovens e brancalhada com estudos universitários e rendimentos acima da média. Se Obama for encurrado nessa faixa eleitoral as suas perspectivas eleitorais para Novembro diminuem e os “balalaicas” sabem disso. A Hilária espera poder ter a oportunidade de apontar para o mapa e mostrar-lhes as suas vitorias na Califórnia, Nova Iorque, Nova Jersey, Ohio e Pensilvânia como prova do seu apoio nos grandes estados americanos. Espera também poder mostrar-lhes os resultados eleitorais e dizer-hes que é ela quem consegue comunicar e manter uma conexão com a América profunda, aquela que o Obambi disse ser “amarga” e “agarrada à religião e armas” numa gaffe que lhe custou muitos votos na Pensilvânia e que o encurralou ainda mais na sigla de “elitista”
Para o Obambi o positivo disto tudo é que a Hilária vai ter que continuar a ganhar confortavelmente para poder ter esse argumento. O que não vai acontecer. Mesmo que ganhe no Indiana no próximo dia seis vai apanhar nesse mesmo dia uma surra das grandes na Carolina do Norte e subsequentemente perder ainda pelo menos no Oregon e provavelemente no Dakota do Sul. O que fortalece os números de delegados e de percentagem do eleitorado do Obambi . Duvido que os “balalaicas” se atrevam na convenção a ignorar a vontade popular o que iria dividir o partido em termos raciais e provocar manifestações em frente ao local a serem transmitidas ao vivo em todas as cadeias de televisão.
Seria um desastre para as perspectivas presidenciais e tambem para os planos Democratas para o Congresso.
Mas a capacidade criativa de auto destruição da malta de esquerda é sempre surpreendente. E os Clintons esses … nunca desistem e tem uma capacidade imensa de destruir tudo e todos no seu caminho.
Ainda bem! Caso contrário nunca teríamos a a oportunidade única de assistir a este espectáculo ao mesmo tempo irritante, hilariante, excitante, estimulante raramente profundo muitas vezes banal mas revelador da democracia
Abraços,

Da Capital do Império

Jota Esse Erre

6 comentários:

Anónimo disse...

JSR, carissimo: Continua a brincar com coisas sérias. E a insuflar soluções sem nuances nas mentes lusas. Meu caro, ver Washington como Paio Pires é, de todo em todo, irónico ou para despistar... The Huffington Post trazia hoje uma análise brilhante de Robert Creamer, onde ele diz que a Pensilvânia representou para Hillary uma espécie de Waterloo. A vantagem de Obama em delegados mantém-se igual. Só nos Super-delegados se pode safar, caso chegue lá. Precisamos de conhecer melhor o maistream político de Wasghinton DC, as suas histórias de alcova e os gurus da análise política, que devem ser batalhões...On progress, pois! FAR

Anónimo disse...

Caro JSR, não posso deixar de referir a filha da nossa Hilária, a Excélsia, que nas primárias da Pensilvánia afirmou a frio num comicio esta espantosa verdade, que a mãe hoje está muito mais bem preparada para ser PR dos EUA, do que o pai quando este se candidatou pela primeira vez. Se foi da cabeça dela, vamos ter a Excélsia a concorrer dentro dos próximos 20 anos...Uma espécia de dinastia à americana..Os Kennedy do século XXI

Anónimo disse...

Oh FAR! Geralmente nao respondo a comentarios a cronicas (Nao faria outra coisa) Mas Les-te a minha cronica? O que o Creamer diz eh o que eu tambem digo. Eh o que diz toda a gente. Disse o antes do creamer e .. com muito mais piada, nao? (Okay o creamer eh muito mais bem pago pela sua cronica do que eu)
Jota esse Erre

Anónimo disse...

JSR: Os artigos devem ser comentados e discutidos. É essa a minha atitude. Custe o que custar. Caso contrário, temos a terrível sensação de escrever para o " boneco ". Capisco? Sempre a reconhecê-lo, portanto. Fico à espera das Informações " escaldantes" sobre o Who´s who de Washington, vale?!? FAR

Ana Cristina Leonardo disse...

Continua a brincar com coisas sérias
... e para quê brincar com coisas que não são sérias?!

Anónimo disse...

Brincar é um repouso para a alma humana,mas para sua segurança ,use CANASTEN!!!!!.........