sábado, 26 de abril de 2008

Toni Negri: A Democracia e a Guerra (1)

“As novas possibilidades da Democracia defrontam-se com o obstáculo que a Guerra constituiu. O mundo contemporâneo está mergulhado numa guerra civil global, generalizada, permanente; e, por outro lado, está constantemente ameaçado por uma violência que, de facto, suspende a democracia. Mas o estado de guerra permanente não acarreta tão-só a suspensão indefinida da democracia: os poderes soberanos respondem pela guerra às novas pressões em favor da democracia. A guerra funciona sob a forma de um mecanismo de contenção. No momento em que o povo (governados) recuperam os seus direitos face à soberania( Super-Imperialismo), a guerra e a violência tornam-se na fundamentação de todo o poder não-democrático.”

“A relação que a modernidade tinha estabelecido entre guerra e política inverteu-se. A guerra deixou de ser um instrumento à disposição, ao qual podia recorrer num número de casos limitados: passou pelo contrário a definir os fundamentos do sistema politico. A guerra tornou-se numa forma de governo.”

“A violência deixou de ser legitimada na base de estruturas jurídicas ou mesmo de princípios morais. Tornou-se legítima post factum, e essa legitimação é fundada pelos efeitos da violência, e pela capacidade de criar e manter uma ordem. Constata-se também que a ordem das prioridades que prevalecia no corrente da época moderna também se alterou totalmente: a violência é prioritária e serve de fundamento à negociação política e moral que se desenvolve a partir dos seus efeitos. As novas possibilidades da democracia forçaram a soberania(S-Imperialismo) a recorrer a formas puras de dominação e de violência.”

“As forças da democracia devem opor-se contra este tipo de violência, mas evitando ser o seu pólo oposto e simétrico. Há a tentação, logicamente, de fazer da democracia uma força absolutamente pacífica em oposição à guerra permanente que é realizada pela soberania(S-Imperialismo). As forças emergentes da democracia- como no êxodo dos Judeus- não devem opor à violência repressiva do poder soberano uma ausência absoluta de violência que seria como que o seu oposto lógico.”

In Antonio Negri e Michael Hardt, "Multitude", editions poche 10/18. Paris

FAR

2 comentários:

Anónimo disse...

FAR, ainda não te comentaste a ti próprio?

Ana Cristina Leonardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.