sexta-feira, 11 de abril de 2008

Mambo 40

A doença só existe como morte se não é sublimada. Assim as próprias palavras e imagens enfermas, se "ensujadas" com o barro da imaginação, podem de súbito esquecer a sua viuvez da vida; elas existem sãs onde nasce rasteiro em deslutos o primeiro querer dizer do que corre nas quentes veias.
Tenho pelo menos um amigo que pensa que pensa que primeiro pensa e depois sente, ao entregar-se ao escrever.
Atafulhada de sentires, é então quando penso nestes, sobre eles, e sobretudo com eles.
Não é muito racional talvez, andar com um carrinho de supermercado mental, cheio de coisas enviadas desde a porosa sensibilidade, mas é como penso que vivo desde que comecei por inventar sem saber após alguma reflexão de onde chegava isso precisamente, se de irreconciliáveis momentos em que o corpo é a experiência da existência, se era apenas isso um desfoco que habitava redutos próprios do descanso das ideias ou se como duas linhas férreas aquela união de antiga vizinhança se comprometia a tornar desfalecida a dúvida...
Sentimos ou pensamos primeiro? sobre o vazio que se esboroa e se rende à linguagem...

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