segunda-feira, 7 de abril de 2008

A Guerra do Iraque vista de Portugal!

Trata-se de uma ocasião soberana para analisar o modo como se processa a construção da Grande Informação em Portugal nos dias que correm: a interpretação das origens da Guerra do Iraque, cinco anos depois. Para lá de se poder avaliar o tipo de interpretações assimiladas, a cartografia das referências principais e os ângulos inefáveis de exame crítico, a soft polémica entre Miguel Sousa Tavares e José Pacheco Pereira desperta a atenção para o que falta dizer e assinalar. Em cima da hora, anotamos um primeiro quadro geral de notas suplementares de análise crítica aos textos de MS Tavares (Expresso, 31/3) e J.P. Pereira (Público, 22 e 29/3).

1. O quadro geral de referências dos dois brilhantes polemistas parece muito limitado. Será táctica usada para desviar a atenção do contraditor? MS Tavares prolonga uma rapsódia abundantemente reiterada pela Imprensa mundial de referência. Em que ele se tornou mestre com o passar dos anos. E remete para Dominique de Villepin, a carga maior de defesa da sua tese de que não existiam ADM (armas de destruição massiva), no Iraque de S.Hussein. JP Pereira baseia-se, principalmente, num artigo ditirâmbico de Hans Blix, o chefe da das inspecções da ONU no Iraque de S.Hussein, publicado no The Guardian, este ano, em que "achava compreensíveis" os motivos por que Bush e Blair acreditaram na presença de ADM…

2. Existem centenas de livros e milhares de páginas de Revistas e Jornais sobre o dossier da Guerra do Iraque. Há necessariamente que contar com manobras de intoxicação, de diversão e de falsificação. E de que modo isso se repercute por ondas no Universo…

3. No interior de um manancial imenso de analises e contra-análises destacam-se os artigos e livros de Seymour Hersh, o grande analista da The New Yorker, de quem nos socorremos várias vezes aqui no Blogue. Hersch contribuiu para a queda dos Neo-Cons no interior dos inner circle de GW Bush, o que é fantástico e enorme. E por que forma o realizou? Por meio de uma contrastada análise de Informação sem limites. Releu, entrevistou e pediu conselho aos maiores especialistas e actores do processo politico norte-americano , pelo menos desde o consulado de Bill Clinton.. Com esse material publicou grandes analises na sua revista, que depois reuniu num livro capital, Chain of Comand. Onde é traçada toda a génese da invasão do Iraque pelos EUA e aliados.

4. No essencial, e o livro tem mais de 600 páginas, Hersh consolida a sua tese afirmando que a ficção da existência de ADM no Iraque, o pretexto decisivo para o desencadear da invasão, teve início numa carta de Weinberger, Carlucci e Rumsfeld, datada de 1998, e endereçada a Bill Clinton para ele derrubar S. Hussein. Como uma bola de neve, e o ascendente do P Republicano na vida política norte-americana subsequente, o alvitre do trio infernal passou para os think tanks da direita americana onde se acoitavam os neo-cons, Richard Perle e James Woosley, que manipulavam pelos cordelinhos de um" meccano" estrutural e diabólico os colaboradores e cientistas sociais que mais tarde encheram os gabinetes de Cheney e Rumsfeld. O dinheiro para essa mega operação, essa descomunal superprodução Ideológica e de Contra-Informação, provém por ínvios caminhos da Arábia Saudita…O que parece paradoxal e surrealista à potência n. Onde a própria Cia foi ultrapassada e evitada pelos conselheiros de Rumsfeld em guerra com os do moderado Collin Powell.

FAR
.

Sem comentários: