domingo, 6 de abril de 2008

Pierre Hassner: O que está em jogo na Chechénia, no Kosovo e no Tibete

Temos que passar a uma velocidade superior de análise e combatividade. Por isso, no xadrez cerrado da geopolítica mundial urge perceber o longo braço-de-ferro que os USA, a Nato e os países chave da UE jogam em diversos tabuleiros com a Rússia e a China, principalmente. Os objectivos políticos são incontornáveis a que se junta agora depois da Queda do Mundo de Berlim e da Guerra no Iraque, uma desenfreada corrida ao controlo e posse das matérias-primas essenciais. Sobre tudo isso damos a ler um texto recente do grande historiador e politólogo francês Pierre Hassner, porventura o mais americano dos intelectuais franceses e muito marcado pelo estilo e moderação do mestre Raymond Aron. Ler aqui na íntegra, clicar.
Pierre Hassner caracteriza com bisturi a força e nuance dos casos políticos onde se joga a libertação de um povo, uma cultura e uma identidade histórica. "Os países ocidentais são, cada vez mais, chamados a tomar partido sobre crises e conflitos entre uma nação, imperial ou post-imperial, dominante e um povo dominado. Toda a gente é unânime sobre três pontos que são outros tantos dilemas. De início, proclamam-se ligados aos Direitos do Homem e, ao mesmo tempo, à soberania dos Estados e à estabilidade das fronteiras. Em seguida, devem gerir, ao nível da acção, uma tensão, entre os princípios universais, morais ou jurídicos que defendem, e os interesses, as alianças e os envolvimentos dos seus próprios estados".

Quer a Chechénia, quer o Kosovo ou o Tibete são vítimas de um jogo multipolar muito cerrado e compacto entre as superpotências. Hassner sublinha, por isso, que estes três casos politico-civilizacionais "têm um estatuto jurídico incerto e flutuante, com uma identidade cultural, histórica e uma vontade política muito vincadas, perante o desejo de conquista e a opressão de regimes nacionalistas, comunistas ou post-comunistas".

Sobre a Chechénia, Hassner avança com a tese de que a antiga URSS " deportou a população no tempo de Estaline ", depois de de a ter conquistador duramente no séc. XIX". A propósito do Kosovo, o historiador faz sintética análise notável: "O Kosovo, depois de ter conhecido sucessivamente a dominação dos búlgaros, dos imperadores bizantinos, dos Sérvios e dos Otomanos, sucessivamente; foi conquistada pelos Sérvios com brutalidade extrema, de novo, em 1912, arrancado à Albânia, tornado independente por uma negociação entre as grandes potências; e finalmente, incorporado no reino jugoslavo, depois na Federação Jugoslava de Tito, com um duplo estatuto de autonomia no interior da Sérvia e a nível federal ".

Sobre a revolta no Tibete, Hassner mostra-se muito pessimista. "O Tibete, herdeiro de um império considerável, possui ligações religiosas e, por vezes, protectorados antigos com a China; e conheceu através dos séculos inúmeras invasões, pontuadas por fugas e regressos de sucessivos dalai-lamas, não sendo incorporado na Chia senão por Mao Tsé-Toung em 1950. Viveu uma grande revolta popular em 1959, reprimida violentamente pelos chineses". O politólogo aponta que "Pequim optou pela via repressiva e da assimilação forçada que, muito provavelmente, irão gerar outras revoltas e mais repressão até à exaustão da religião tibetana".

FAR

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