quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Os vinte e nove Sonetos de Amor de Étienne de La Boétie (1)

Pela primeira vez em Portugal, vamos divugar na íntegra, de forma a-periódica e não determinada, a obra poética de um dos pilares mais fantásticos do pensamento revolucionário, E. de La Boètie, que nos deixou, via Montaigne, nos primórdios da Revolução Francesa, um texto estratégico de valor incomparável. Lamenais, Marat e Maquiavel jamais cessaram de glorificar a visão e iconoclastia da “Servidão Voluntária-Contra o Um”. Montaigne reproduziu e salvou a parte poética - com referências alargadas no 28° volume dos Ensaios. Estes sonetos de grande beleza e emotividade foram dedicados a uma paixão - Madame de Guisssen, Corisande d´Andouins - muito famosa por , muito mais tarde, se ter transformado na amante do terrível Henri IV, conforme assinala Montaigne na apresentação do espólio.

Soneto I

Pardon, Amour, pardon; ô Seigneur! Je te voue

Le reste de mes ans, ma voix et mes écrits,

Mes sanglots, mes soupirs, mes larmes et mes cris;

Rien, rien tenir d´aucun, que de toi, je n´avoue.


Hélas! comment de moi ma fortune se joue!

De toi, n´a ( il n´y a ) pas longtemps. Amour, je me suis ris.

J ´ai failli, je le vois, je me rends, je suis pris.

J´ai trop gardé mon Coeur, or je le désavoue.


Si j´ai pour le garder retardé ta victoire,

Ne l´en traite plus mal; plus grande en est ta gloire,

Et si du premier coup tu ne m´as abattu,


Pense qu´un bon vainqueur, et né pour être grand,

Son nouveau prisonnier, quand un coup il se rend,

Il prise et l ´aime mieux s´il a bien combattu.



FAR

3 comentários:

sinais disse...

- Ó FAR, ainda não percebeste que o franciú está em decadência? Com o grande Império é a sua morte definitiva.
- Alto lá, JSR, tu não percebes nada disto. Do Grande Império falo eu. Citando Negri, a guerra tornou-se um regime de biopoder, quer dizer, não só um modo de governo que visa controlar a população, mas também de produzir e reproduzir todos os aspectos da vida social.
-Oh, good idea, FAR, pardon, Negri!

Táxi Pluvioso disse...

Não há numa língua de Deus? Inglês por exemplo! Sarkozy não conseguirá o novo renascimento da cultura com os intelectuais que lá tem.

Anónimo disse...

Vocês brinquem que o Sarko vos controla! De la Boétie é fundamental para se tentar perceber a política de todos os tempos, certo? FAR