domingo, 20 de janeiro de 2008

Moçambique


Música dos Gorowane, de Xtaca Zero, do GproFam


Moçambique sai do chão !
E vai no porão
Caiu a sombra, tombou no chão
Fica um buraco no pé da nação
Lá vai a tábua de um caixão
O morto é a floresta de uma nação
Toda a riqueza para exportação
Não fica nada para nós, não, não
Não fica nada para nós, não, não
Já está mais que na hora, põe a mão na cabeça
E vê agora como a terra chora
A moto-serra, serra, serra
Rouba o verde, numa outra guerra
Lá vai a umbila
Lá foi o jambirre
Caiu a chanfuta
Caiu pau-preto
E voa a mssassa
Voou a mbaúa
Quem canta agora
É a moto-serra
Quem canta agora é a moto-serra
Parando a árvore, despindo a terra
Roubando o verde, numa outra guerra
Quem toca agora é a moto-serra
A música que agora toca no mato
Não é xigubo, makwaela, nem campo adubado
Não é enxada, não, não, não
Não é nem fumo de xitimela, my brother
Oh Papá, oh Titio
Corta aqui, mas depois planta ali,
Oh!Oh Papá, oh Vovô
Corta aqui, mas depois planta ali, Oh!
A música, agora, não é a canção
É o simples ronco do camião
Lá vai o tronco, lá vai a madeira
Lá vai a riqueza sem algibeira.

Mia Couto

Com a devida vénia ao Ponte

7 comentários:

Anónimo disse...

A guitarra moçambicana continua lá, neste hip hop tão ritmado como as palavras de Mia Couto. Outra Caminho, outra música.

Anónimo disse...

Ghorwane é um som fantástico, e uma referência incontornável em Moçambiue, como músicos e como exemplo de dignidade do artista. Quanto ao Mia, fica uma vez mais aquém do que seria exigido. Quando se conquistou (por mérito próprio) um público internacional e uma voz com a projecção da que tem o Mia, seria de esperar que ela fosse usada para denunciar as elites locais sem complacências. Já não basta culpar o colonialismo. Há que dizer as coisas. Há que berrá-las! E quando se pode fazê-lo e não se faz, consente-se. E é bom lembrar aqui que há putos em Moçambique (sobretudo nbas áreas afins do rap) que não se intimidam nem se calam, e chamam os bois pelo nome. Nunca é tarde para aprender, Mia.

André Carapinha disse...

Posso estar enganado, mas dá-me a impressão de que o Mia Couto não está a culpar o colonialismo de nada.

"Toda a riqueza para exportação" parece-me mais adequado a novos tempos em que empresas estrangeiras operam com o beneplácito (e o proveito) dos poderes instalados.

Anónimo disse...

Nem o colonialismo nem ninguém, estilo "a culpa é de todos em geral e de ninguém em particular". Olha, a culpa é da moto-serra. É um discurso inóquo, assseptizado, a borboletear nos alvoreceres do Índico. Foda-se!!! A verdade é que hoje o Mia é o escritor do regime. E é pena.

Anónimo disse...

"O escritor do regime"?
Foda-se... o que é ser
escritor do regime?
Expliquem-me, caralho!!!

Anónimo disse...

Escritor do regime é o que escreve o que afinal convém ao regime, com o q.b. de crítica necessário a tornar-se credível. É o que representa oficialmente o país nas conferências e colóquios e seminários e tudo quanto há de foruns internacionais. É o que recebe cronicamente os prémios literários. É o que cala, nos seus romances, a monstruosidade em que o país se tornou, como, nos jornais todos que dirigiu, fez todos os fretes imagináveis ao poder. Já percebes o que quer dizer "escritor do regime"?

Anónimo disse...

Este anónimo do "escritor do regime" é mesmo reacionário ....