terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Um país governado a trouxe-mouxe

Trouxe -mouxe : a torto e a direito; confusamente; a esmo; atabalhoadamente (Dic. Porto Ed., 5ª ed.)
Portugal, para além de se destacar por vários fenómenos bizarros, é o único país cuja governação é inédita.
Tudo, no que diz respeito a esse âmbito anda a trouxe-mouxe.
Vejam-se e ouçam-se os discursos do PR e do PM. Não há melhor exemplo do que é o trouxe -mouxe. Se um se manifesta a torto (Cavaco, por via das dúvidas...), logo outro se mostra a misturar alhos com bogalhos e faz gala de se parecer como um tontinho de Direita...
No fundo, não faz mais que exercer a política do trouxe-mouxe... É consequente.
Portugal tem revelado uma grande queda (salvo-seja) para a exportação: até agora, e em curto espaço de tempo conseguimos exportar três ex - primeiros ministros - três para lugares que ninguém aceitaria: o Guterres, o Ferro e o Durão. Estou de acordo, desde que não me cobrem por isso.
Exportamos o que é possível e ainda temos de reserva o Santana Lopes...
Que é que acham?...
Se calhar acham, ó europeus, que a vossa alternância é melhor que a nossa?...
E ainda cá ficámos com o Ingenheiro... Pois. Esse. O José.
O que amplificou (fiado na maioria) a teoria do trouxe-mouxe. O mesmo que escolheu uma equipa ministerial em que sabia que cada um era mais 'trouxe-mouxista' que o outro ( excepção feita à detentora da pasta da Cultura - que, como todos sabeis, não existe, não se manifesta e está sempre, algures, de férias...).
Com efeito, o trouxe-mouxismo consiste - explicando-o às crianças e ao povo - em dar a ideia de que se está a fazer algo para que tudo fique na mesma sabendo, no entanto, que tudo ficará bem pior.
Porém, nem tudo o que o 'trouxe-mouxismo' aportou foi mal: houveram inovações, pois então!
O trouxe-mouxe do Ingenheiro deu-nos a vertente AP (arrogância-policial) que já cá faltava. O vinte e cinco de Abril de 74 foi há... sei lá... é fazer as contas... e este país não suporta uma tão longa ausência de bufos. E o Ingenheiro criou a AGAE/DGS - e daí surgiu a alavanca para o progresso e desenvolvimento da Nação.
Impera, portanto, esta filosofia, baseada no trouxe-mouxe.
Eu, que produzo riqueza para que aqueles putos de Trás -os - Montes comprem cigarros e os fumem sem que nenhuma autoridade da República os venha autuar ou aos seus pais ou, ainda, aos comerciantes que lhes vendem os maços de tabaco sem receio a qaulquer lei que lhes proíbe a comercialização de tal produto a menores , mas que serei punido por fumar um cigarro no parque de estacionamento do Centro Comercial Rio Sul do Seixal, sem que me perguntem nada.
É a governação a trouxe-mouxe. O deixa andar. Nós legislamos e eles acatam.
A Fátima Campos Ferreira para adjunta do PM, já!

2 comentários:

Anónimo disse...

Caríssimo: Não nos encontrámos nas recepções multi-sociais do Armando, no Verão passado! Foi muita pena: eu bem perguntei por si! Bom trabalho, feito com a raiva das boas causas!O problema português é político, a 99 por cento. E provém de uma acumulação descomunal de erros e de cedências. O António José Saraiva, no final da vida, bem começou a gritar contra a Besteira, que o Jorge de Sena andou mais de 30 anos a analisar e criticar. O pior é que, qualquer dia, nem para passar férias esse nosso rincão servirá. Salut! FAR

hd disse...

Mas o preocupante é que o trouxe-mouxe já chegou à linguagem: a Autoridade foi substituída pelo Autoritarismo, o Respeito pelo Medo, a Persuasão deu lugar à Arrogância.
Bom postal, caro blogueador!