sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

A recessão nos EUA pode degenerar em estagflação na Europa

Novo ano, crise velha: é o que apetece dizer sobre o rebimbar da “bolha” do imobiliário americano. Os grandes jornais do Mundo - com o Financial Times à cabeça -fornecem, desde o fim do Verão passado, diariamente notícias da louca corrida pelo abismo dos empréstimos hipotecados…sem caução de espécie nenhuma. Coleccionei umas dezenas de artigos, onde até os Prémios Nobel - Summers e Stieglitz - fazem parte do lote. Esta maravilhosa entrevista publicada, no Libé, sintetiza tudo aquilo que podiamos vir a enunciar. Dean Baker, economista, alerta sem dó nem piedade. E culpa Alain Greenspan, ex-boss da Fed, por ter “ignorado os conselhos de regulação do Mercado de crédito”. E ninguém vai escapar: economias como a portuguesa podem ficar seriamente abaladas. Só há, ou havia, recurso nos fundos soberanos das petro-monarquias do Próximo e Médio Oriente…

"Les signes d’une récession américaine se précisent-ils chaque jour un peu plus ?
Oui, sans aucun doute. L’impact du crash immobilier est énorme. Selon les dernières estimations, le prix des maisons s’effondrerait à un rythme annuel de 11,3 %, ce qui représenterait une perte virtuelle de 2 200 milliards de dollars et conduirait à une baisse de la consommation de plus de 100 milliards de dollars… Les oracles pensaient au départ que la crise serait circonscrite aux subprimes, ce fameux secteur des prêts hypothécaires. Mais on s’aperçoit qu’elle a désormais un impact sur la consommation, qui représente 70 % de notre économie. Les gens ne peuvent plus hypothéquer leur maison et emprunter pour consommer…

Quelle peut être l’ampleur de ce retournement et pourquoi n’a-t-il pas été anticipé ?
Les économistes ne prédisent jamais les récessions. Ils les reconnaissent quand elles sont déjà là. Celle qui se profile sera certainement la plus féroce depuis la Seconde Guerre mondiale. Parce qu’il est toujours plus difficile de récupérer d’une récession due à l’effondrement d’une bulle financière. La récession de 2001, celle de la bulle Internet, a conduit à une hausse du chômage, qui ne s’est atténuée qu’avec la création d’une autre bulle, celle de l’immobilier, histoire de booster l’économie. Les outils traditionnels qui consistaient à baisser les taux d’intérêt pour pousser les gens à emprunter de l’argent ne pourront plus marcher cette fois.
D’autant que l’inflation a atteint 4,1 % en 2007, un record depuis dix-sept ans…
C’est vrai. Et c’est ce qui va préoccuper et limiter la marge de manœuvre de la Fed [la banque centrale américaine, ndlr]. D’abord parce que c’est le double de l’hypothèse fixée par le patron de la Fed, Ben Bernanke. Ensuite parce qu’il va être difficile de baisser encore plus les taux d’intérêt pour tenter de relancer l’économie. Les taux d’intérêt à dix ans sont déjà en dessous de l’inflation…

Qui peut endosser la responsabilité de la crise ?
Le premier, c’est l’homme qui table aujourd’hui à 50 % sur une récession aux Etats-Unis. Et qui a lui-même contribué à la laisser arriver en encourageant la bulle : Alan Greenspan, l’ex-boss de la Fed. Il a ignoré les conseils de régulation du marché du crédit, qui aurait pu limiter les abus. Aujourd’hui, il réécrit l’histoire en tentant de s’exonérer. Il dit qu’il ignorait le scandale des subprimes ou qu’il n’a pas été prévenu. C’est faux. Il n’a pas d’excuse pour une telle négligence, un tel laisser-faire dicté par le seul souci d’enrichir les plus riches…

Les places boursières mondiales dévissent, les prévisions de croissances sont révisées à la baisse. Quelle sera l’étendue de la contagion ?Le reste du monde sera clairement affecté par ce qui se passe chez nous. D’abord, parce que les Etats-Unis restent le premier marché d’importation du monde. Ensuite, parce que d’autres régions connaissent aussi une bulle immobilière sans précédent. En France, même si elle est différente et moins importante qu’en Amérique. En Espagne et en Irlande, surtout. Et même si, à l’inverse des Etats-Unis, la crise à venir affectera moins la consommation, elle sera réelle. On le voit déjà. Les banques, qui ont perdu beaucoup, et vont encore perdre beaucoup, vont durcir plus que jamais les conditions du crédit."

Dean Baker pose un regard pessimiste sur l’économie mondiale :
Recueilli par CHRISTIAN LOSSON. Libération

FAR

3 comentários:

Anónimo disse...

VAMPIROS!

Caixa Geral de Depósitos - Os Vampiros do Século XXI ou o Socialismo
Moderno

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a enviar aos seus clientes mais
modestos uma circular que deveria fazer corar de vergonha os
administradores - principescamente pagos - daquela instituição
bancária.

A carta da CGD começa, como mandam as boas regras de marketing, por
reafirmar o empenho do Banco em oferecer aos seus clientes as melhores
condições de preço/qualidade em toda a gama de prestação de serviços,
incluindo no que respeita a despesas de manutenção nas contas à ordem.

As palavras de circunstância não chegam sequer a suscitar qualquer
tipo de ilusões, dado que após novo parágrafo sobre racionalização e
eficiência da gestão de contas, o estimado/a cliente é confrontado com
a informação de que, para continuar a usufruir da isenção da comissão
de despesas de manutenção, terá de ter em cada trimestre um saldo
médio superior a EUR1000, ter crédito de vencimento ou ter aplicações
financeiras associadas à respectiva conta. Ora sucede que muitas
contas da CGD, designadamente de pensionistas e reformados, são
abertas por imposição legal. É o caso de um reformado por invalidez e
quase septuagenário, que sobrevive com uma pensão de EUR243,45 - que
para ter direito ao piedoso subsídio diário de EUR 7,57 (sete euros e
cinquenta e sete cêntimos!) foi forçado a abrir conta na CGD por
determinação expressa da Segurança Social para receber a reforma.

Como se compreende, casos como este - e muitos são os portugueses que
vivem abaixo ou no limiar da pobreza - não podem, de todo, preencher
os requisitos impostos pela CGD e tão pouco dar-se ao luxo de pagar
despesas de manutenção de uma conta que foram constrangidos a abrir
para acolher a sua miséria. O mais escandaloso é que seja justamente
uma instituição bancária que ano após ano apresenta lucros fabulosos e
que aposenta os seus administradores, mesmo quando efémeros, com
«obscenas» pensões(para citar Bagão Félix), a vir exigir a quem mal
consegue sobreviver que contribua para engordar os seus lautos
proventos. É sem dúvida uma situação ridícula e vergonhosa, como lhe
chama o nosso leitor, mas as palavras sabem a pouco quando se trata de
denunciar tamanha indignidade. Esta é a face brutal do capitalismo
selvagem que nos servem sob a capa da democracia, em que até a esmola
paga taxa. Sem respeito pela dignidade humana e sem qualquer resquício
de decência, com o único objectivo de acumular mais e mais lucros, eis
os administradores de sucesso.

Medita e divulga… Mas divulga mesmo por favor

Cidadania é fazê-lo, é demonstrar esta pouca vergonha que nos atira
para o miserabilismo social.

Este tipo de comentário não aparece nos jornais, tv's e rádios....Porque
será???

Ana Cristina Leonardo disse...

onde está a carta? a carta é que é preciso

Anónimo disse...

Participar, criticar e tentar avançar:eis a lógica implacável do funcionamento de um qualquer bom Blogue. Dean Baker escreve no fabuloso Truthout.com. E para dar seguimento a um surplus de audácia, que não de pensamento de Duplo Registo, à la JPP, poder-se-à afirmar, sem tergiversar, que a economia mundial- a cruzar a hipótese de mais uma crise maior...- pode-nos reservar surpresas...E fazer da fraqueza, força...O pior é da lista daqueles países que têm que importar comida, máquinas e ferramentas para mostrar que ainda mexem...FAR