domingo, 27 de janeiro de 2008

Itália: Prodi arrumou as botas…e Berlusconi certo da vitória

A Máfia, o Vaticano e a concorrência desleal entre os tenores da Grande Coligação de Centro-Esquerda, conseguiram pôr termo a 20 meses arrepiantes de Governo, chefiado por Romano Prodi, economista de gabarito e “equilibrista” de talento com aliados até nos colaboradores da sede do Papado. A heteróclita Coligação não resistiu à demissão por corrupção do ministro da Justiça, Clemente Mastella, também líder de um pequeno partido essencial para a manutenção da maioria de voto no Senado.

Enquanto Georgio Napolitano, o PR ex-comunista, quer formar um Governo de transição tecnocrático para reformar a Lei Eleitoral, herança de Berlusconi, o chefe de Forza Italia parece disposto a fazer os impossíveis para obrigar os italianos a irem às urnas. Em declarações ao NY Times ontem, Roberto D´Alimonte, um dos mais reputados Prof. de Ciência Política italianos, não hesitou em dizer, que Berlusconi “sabe que pode vencer, mesmo com um outro sistema eleitoral”. As sondagens dão a vitória à Coligação de Centro-Direita por 10 pontos percentuais de avanço…

A Itália é um dos países mais surpreendentes do Mundo. Charme imenso, estética industrial e comercial feita a golpes de audácia, sistema fiscal jamaicano sem controlo, desenvoltura e autoconfiança política inaudita (recordam-se que GW Bush enviou Karl Rove, o seu spin doctor para ajudar Berlu nas últimas legislativas?!?). Mesmo com a crise provocada pela Mundialização sanguinária, os surrealistas empresários da Moda, de Trevi e Ravena, resolveram “importar” chineses para tirarem partido da arte de bordar…Compram sapatos e lotes especiais de vinho em Portugal e Espanha, que depois engarrafam naquelas recipientes divinais e põem à venda nos aeroportos suíços por montantes astronómicos…O mesmo se passa com o café: Lavazza e Buondi, de aura universal!

Num texto muito bom do especialista franco-italiano, Marc Lazar, professor na Universidade Luiss de Roma, clicar aqui, é posta a tónica de que o “Centro-Esquerda italiano pagou muito caro as suas profundas divisões“. “Sim, o bicho estava no fruto desde o início. Havia desacordos ideológicos de fundo, por exemplo sobre o estatuto dos homossexuais. E existiam outros desacordos sobre as reformas, as políticas sociais, a política externa, etc. Depois, cada partido procurava defender os seus interesses. Prodi esfalfou-se em negociações, em reuniões sem fim", adianta o politólogo

Qual o balanço, para já, destes 20 meses de Governo Prodi, que assume retirar-se da política para sempre, depois da hecatombe no Senado? Segundo Marc Lazar, a Itália “recuperou a credibilidade internacional e europeia. As Finanças foram restauradas, a liberalização de certos sectores da economia foi iniciada, políticas, sociais avançadas tiveram lugar. Mas os eleitores do Centro-Esquerda acabaram por ficar muito desiludidos: nada foi feito verdadeiramente em prol do Ensino Superior e da Formação Científica, quando isso tinha sido apontado como uma das principais prioridades".

FAR

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